A Globo é uma das principais defensoras da regulação das redes sociais no Brasil, disse Ricardo Feltrin em seu canal no Youtube. Mas por que uma emissora de TV estaria tão empenhada em apoiar um projeto que, à primeira vista, parece visar apenas à contenção de fake news e à proteção de crianças e adolescentes? O jornalista Ricardo Feltrin, com quase 28 anos de experiência na cobertura de mídia e televisão, aponta cinco razões bem mais estratégicas — e menos inocentes — por trás desse posicionamento.
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1. Globo perdeu o domínio da publicidade
Segundo Feltrin, o primeiro e mais evidente motivo é financeiro: “Pela primeira vez na história, a maior parte da verba publicitária não passa pela Globo.”
As grandes marcas e agências migraram massivamente para as redes sociais, onde o alcance é maior e o investimento mais segmentado. O resultado é uma queda na receita da emissora — e, principalmente, na sua influência sobre o mercado.
A Globo não controla as redes e nem faz parte delas, o que representa uma perda de poder inédito para uma empresa que, por décadas, foi praticamente monopolista no setor.
2. Fracasso digital: Globo não é líder na internet
O segundo motivo seria o fracasso da Globo em suas plataformas digitais. Apesar de investir pesadamente em produtos como G1, Gshow, Globoplay e globo.com, nenhum deles lidera audiência nas suas respectivas categorias.
Fiotrinho destaca que o Globoplay representa apenas 1,8% do consumo de streaming no Brasil, o que é considerado um desempenho pífio frente a concorrentes como Netflix, Prime Video e YouTube.
A ideia de apoiar a regulação seria, portanto, uma forma de “nivelar por baixo” — dificultar o crescimento das redes onde ela perde feio, para não ter que melhorar onde falhou.
3. Interesse em limitar a concorrência
A terceira razão seria o desejo da Globo de enfraquecer as redes sociais, seu maior concorrente atualmente. Como não consegue competir no alcance, a emissora busca limitar o espaço digital com a regulação, tentando impor limites que não teria como alcançar naturalmente.
“É a tentativa de desacelerar o avanço do adversário, já que ela não consegue mais liderar sozinha.”
4. Influência ideológica dentro da emissora
O jornalista aponta também um fator ideológico. Segundo ele, há na Globo um grupo de funcionários — que chama de “fantoches do progressismo” — que defendem a regulação com base em pautas emocionais e discursos prontos.
Um dos nomes citados é o de André Trigueiro, que teria defendido a regulação por supostos crimes cometidos nas redes. Fiotrinho rebate, afirmando que esses crimes já são punidos com a legislação atual, e que casos extremos — como suicídios infantis — são resultado da deep web e da negligência dos pais, e não das plataformas públicas.
5. Troca por benefícios: TV 3.0 e verbas públicas
Por fim, Feltrin afirma que a Globo tem interesse direto em apoio financeiro do governo para a implementação da TV 3.0, um novo padrão de transmissão que exige investimento pesado.
Segundo ele, o apoio à regulação seria moeda de troca, como uma forma de garantir verbas estatais para esse projeto, que beneficiaria especialmente as grandes emissoras, excluindo as redes sociais da disputa.
“A Globo não tem partido. Tem caixa.”
Feltrin é direto ao afirmar que a Globo sempre esteve alinhada ao poder vigente — com exceção do último governo — e cresceu principalmente durante a ditadura militar, com apoio e investimento direto do Estado.
“A Globo nunca teve partido. Sempre teve caixa. Apoia quem garante seus interesses.”
A crítica à narrativa da proteção infantil
O jornalista também questiona o uso de casos envolvendo crianças como justificativa emocional para a regulação.
“Isso está na deep web, não nas redes sociais comuns. Onde estavam os pais dessas crianças?”
Para ele, essa argumentação é chantagem emocional, usada para disfarçar um projeto de controle de informação e censura disfarçada.
Um alerta final
Feltrin conclui com um alerta direto ao público: “Se essa regulação for aprovada, até esse tipo de crítica que estou fazendo poderá ser censurada.”
Ele acredita que o apoio da Globo à proposta não tem a ver com ética ou proteção, mas sim com manter influência, recuperar espaço perdido e, principalmente, calar concorrentes que a superaram.
Conclusão: regulação ou censura?
A análise de Ricardo Fiotrinho expõe o que muitos suspeitavam: o apoio da Globo à regulação das redes sociais pode ter pouco a ver com fake news e muito a ver com controle de mercado, dinheiro e poder.
A emissora, acuada pela perda de protagonismo, parece disposta a tudo para reconquistar espaço — nem que para isso precise apoiar um projeto que limite a liberdade de expressão na internet.








