O caso envolvendo o influenciador Hytalo Santos, preso preventivamente desde o dia 15 de agosto, ganhou contornos ainda mais sombrios e perturbadores. Uma reportagem bombástica do programa “Profissão Repórter”, da TV Globo, exibida nesta terça-feira, trouxe à tona novas e gravíssimas acusações que aprofundam as suspeitas de crimes como tráfico de pessoas e exploração sexual.
O depoimento de uma testemunha chave revelou um suposto esquema para dopar uma adolescente, enquanto figuras antes próximas ao influenciador começam a se distanciar publicamente, pintando um quadro de isolamento e desmoronamento de sua imagem.
As revelações chegam em um momento crucial, com a notícia de que Hytalo será transferido nesta quinta-feira para o Presídio do Roger, em João Pessoa, trazendo o caso para o centro das atenções na Paraíba. A matéria da Globo não apenas adicionou novas peças ao quebra-cabeça que a polícia tenta montar, mas também expôs a dinâmica de poder e manipulação que supostamente regia a casa do influenciador, onde jovens eram expostos a situações de violência e controle extremo, tudo em nome do engajamento e da fama nas redes sociais.
Table of Contents
“Três Dramins no Suco”: A Denúncia de Dopagem
O ponto mais chocante da reportagem foi o depoimento do maquiador e influenciador Erick Neto, que fez parte do círculo de Hytalo em 2020. Ele relatou à equipe da TV Globo que uma adolescente, cuja idade era mantida em segredo pelo grupo, era constantemente dopada para que não acompanhasse os demais em atividades noturnas. Segundo Erick, a ordem partia diretamente de Hytalo Santos. “Ele nos passava que quando a gente fosse jantar, coloca três dramins no suco dela”, contou o maquiador, visivelmente abalado.
O medicamento, que causa forte sonolência, era usado como uma ferramenta de controle. “Ela tinha muita vontade de ir para os lugares que ela não poderia. Era usado para que ela dormisse e perdesse a noção do tempo”, explicou Erick. A denúncia lança luz sobre a vulnerabilidade da jovem, que, segundo a testemunha, era frequentemente sexualizada em vídeos, com roupas curtas e danças sensuais, sob a justificativa de que “era porque ela gosta de usar”. A acusação de dopagem adiciona um elemento de crueldade premeditada ao rol de suspeitas que recaem sobre o influenciador.
Violência Doméstica e o Silêncio Quebrado
Além do controle químico, a reportagem revelou que a adolescente e os outros jovens da casa teriam presenciado cenas de extrema violência doméstica. Erick Neto narrou um episódio aterrorizante de agressão entre Hytalo e seu marido, Israel Nata Vicente, que também está preso. “Ele estava chutando a cabeça do Ítalo na quina da cama. […] Deu um murro na porta onde tinha o vidro. O vidro caiu. Uma cena terrível. A pior cena que eu já vi na minha vida foi essa. A menina viu tudo”, relatou o jovem, que também afirma ter sido agredido por Israel durante a confusão.
No dia seguinte ao episódio, Erick e outras duas influenciadoras teriam gravado um vídeo denunciando o ocorrido, material que, segundo a promotora de Justiça Ana Maria França, uma das responsáveis pelo caso, era desconhecido pelo Ministério Público até o contato da equipe de reportagem. A existência desse vídeo pode se tornar uma prova crucial, mostrando que os sinais de abuso e violência no ambiente de Hytalo já eram evidentes há muito tempo, mas permaneceram abafados até a recente explosão do caso.
Arrependimento e a Tatuagem Apagada da “Pastora do Pix”
A reportagem também mostrou como o círculo de aliados de Hytalo Santos está se desfazendo. Renallida Lima, conhecida como a “Pastora do Pix”, que ganhou uma igreja de presente do influenciador, manifestou claro arrependimento de sua proximidade com ele. Em entrevista ao “Profissão Repórter”, ela admitiu ter feito uma tatuagem em homenagem a Hytalo, um símbolo da forte ligação que mantinham. “Cheguei a fazer, não minto. Sou pastora e estou em cima de um altar. Me arrependi e apaguei no mesmo tempo”, declarou.
A pastora, cujo filho chegou a namorar uma das meninas da “Turma do Hytalo”, fez questão de se distanciar do conteúdo produzido pelo influenciador. “Tinha coisas que eu via na gravação, coisas que não compactuo, não abracei como verdade, nem aceito”, disparou, em uma tentativa de desvincular sua imagem das polêmicas. A atitude de Renallida é emblemática do movimento de “abandono” que Hytalo enfrenta, onde antigos amigos e beneficiários de sua generosidade agora correm para se proteger dos respingos de um dos maiores escândalos do universo de influenciadores digitais no Brasil.











