O SBT vive um dos momentos mais turbulentos e decisivos de sua história recente. Em uma manobra de mercado ousada, a emissora garantiu os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026, um golpe de mestre na acirrada disputa pela vice-liderança. No entanto, enquanto celebra uma vitória externa monumental, a emissora enfrenta batalhas internas ferozes, com projetos cambaleantes e estratégias digitais questionáveis, revelando uma profunda crise de identidade.
De um lado, um investimento milionário que promete recolocar o canal no centro das atenções do público e do mercado publicitário. Do outro, uma guerra de bastidores que ameaça programas populares e expõe a falta de alinhamento entre suas diretorias. O SBT aposta seu futuro em uma única e grandiosa carta, mas a pergunta que paira no ar é se a casa estará em ordem para aproveitar a oportunidade de ouro que acabou de conquistar.
Table of Contents
O Gol de Placa: A Copa do Mundo de 2026 no SBT
A notícia de que o SBT, em parceria com a LiveMode e a NSports, transmitirá a próxima Copa do Mundo, pegou o mercado de surpresa e funcionou como um torpedo na concorrência. A Record, que também estava na disputa e fez todas as contas para viabilizar o projeto, foi deixada para trás. Para a emissora de Silvio Santos, este não é apenas um evento esportivo; é a principal arma na guerra para reconquistar o segundo lugar absoluto na audiência da TV aberta.
Analistas de mercado são unânimes em apontar a importância estratégica deste movimento. A Record consolidou sua vice-liderança durante a pandemia, alavancada principalmente pela força de seu jornalismo. Agora, o SBT tem em mãos um produto de apelo popular incomparável, capaz de alavancar toda a sua grade de programação e, crucialmente, reconectar a marca com um público mais amplo e diverso em um ano que promete ser extremamente competitivo.
A Sombra de Galvão Bueno: Entre a Band e o Apelo Comercial
Com a NSports na parceria, o nome de Galvão Bueno, sócio da empresa, entrou imediatamente na equação. A possibilidade de ter a voz mais icônica das Copas no Brasil atrelada à sua transmissão é um sonho comercial para o SBT. A presença de Galvão, mesmo que em participações especiais, seria um selo de qualidade e um ímã para grandes anunciantes, agregando um valor simbólico imensurável ao projeto.
Contudo, a realidade é complexa. Galvão Bueno possui um contrato vigente com a Band para a TV aberta, o que o impede de tomar qualquer decisão antes de uma conversa franca com a emissora do Morumbi. Além disso, há o reconhecimento no mercado de que, embora seu conhecimento e experiência sejam inegáveis, Galvão hoje está longe de ser o narrador vibrante de outros tempos. Sua força atual reside muito mais em seu apelo com o mercado e na simbologia que seu nome carrega.
Batalhas Internas: O “Exército Digital” e a Sobrevida do ‘Aqui Agora’
Enquanto a cúpula celebra a Copa, os corredores do SBT são palco de conflitos que expõem as fraturas internas da emissora. O diretor Rinaldi Faria, criador do “Mundo Disney”, tenta desesperadamente emplacar duas iniciativas controversas. A primeira é a criação de uma rede de “SBTistas”, um exército de fãs leais para defender e alavancar a programação na internet, oferecendo em troca brindes e convites para eventos.
A ideia, no entanto, carrega o fantasma de um fracasso recente. Em 2024, a emissora tentou uma estratégia similar com influenciadores digitais contratados, mas o projeto não decolou. A aposta em um exército orgânico de fãs parece uma solução de baixo custo, mas de eficácia duvidosa. Simultaneamente, Faria luta “na raça” para manter no ar o jornalístico “Aqui Agora”, que enfrenta forte oposição interna de executivos como Mauro Lissoni e Leandro Cipoloni, que o consideram um problema para vários setores.
O golpe de misericórdia no programa parece ter sido dado pelo diretor comercial, Fernando Fischer, que decidiu cortar totalmente o financiamento para a produção. Sem dinheiro, o fim do “Aqui Agora” é visto como inevitável, representando uma derrota significativa para Faria e um sintoma da falta de consenso sobre os rumos do jornalismo do canal. O SBT parece não saber se quer ser o canal da família, do povo ou da notícia, e essa indecisão se reflete em sua programação caótica e em seus conflitos de poder.











