A Record comemora os resultados de uma temporada explosiva de “A Fazenda”, porém, está enfrentando agora o dilema entre audiência e responsabilidade comercial, a emissora também desfere um golpe estratégico na concorrência ao confirmar um novo projeto com Boninho. No meio deste furacão, o SBT lamenta o que está sendo chamado internamente de um “gol contra” histórico, perdendo a chance de ouro de entrar na briga.
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A Estratégia de Carelli: O Sucesso dos ‘Maestros’
A alta cúpula da Record iniciou a temporada satisfeita com os resultados de “A Fazenda”, fruto de um planejamento que parecia bem executado. O diretor Rodrigo Carelli, veterano no formato, apostou alto em um casting mais engajado. A escolha de participantes dispostos a “jogar” e gerar conteúdo foi, inicialmente, o pilar que sustentou o engajamento do público e a repercussão do programa nas redes sociais.
Carelli destacou que, além do elenco geral estar mais ativo, existem figuras específicas que funcionam como “maestros” do jogo. O diretor se referiu a peões que assumiram a responsabilidade de movimentar a casa. Esses participantes, seja direta ou indiretamente, estimularam os colegas a não deixar o ritmo cair, garantindo que o programa mantivesse sua temperatura elevada, algo deliberadamente incentivado pela produção.
O Sinal Amarelo: Brigas, Patrocinadores e Queda no Ibope
Contudo, o que era visto como o grande trunfo da edição, acendeu um sério sinal de alerta na diretoria da Record. A emissora agora está declaradamente preocupada com o nível das brigas em “A Fazenda 17”. O que foi planejado para ser um “debate” e “embate” saudável para o jogo, rapidamente escalou para um clima classificado como hostil dentro da sede. A estratégia de “não deixar o jogo esfriar” pode ter passado do ponto.
O maior problema para a emissora é comercial. Não raro, as confusões mais pesadas e os embates mais agressivos têm acontecido justamente nos espaços patrocinados do programa. As marcas que investem milhões para expor seus produtos não gostam, em absoluto, de ver seus nomes associados a esse tipo de confusão generalizada. A exposição negativa já causa ruído no departamento comercial, que teme uma debandada de anunciantes.
Além da pressão financeira, o público também dá sinais de cansaço. As brigas, vistas por muitos como exageros desnecessários, estão causando uma apreensão nos telespectadores, resultando em uma preocupante queda no Ibope. Para piorar, chovem críticas à direção do reality, acusada de omissão diante dos exageros de uma participante específica, que não estaria sendo repreendida pela produção na mesma medida que outros.
As Expulsões que Abalaram o Jogo
Esse clima hostil já resultou em consequências irreversíveis. “A Fazenda” enfrentou duas das maiores polêmicas de sua história recente: as expulsões. As saídas de Rachel Sheherazade e, mais recentemente, da atriz internacional Gabriela Spanic, geraram ondas de choque. Diante das novas críticas sobre a direção, a posição de Rodrigo Carelli sobre as saídas se torna ainda mais central. Ele fez questão de frisar que a produção nunca trabalha com a expulsão como um recurso.
O diretor afirma que ambas as saídas não foram desejadas e muito menos esperadas, mas que as regras do formato são soberanas. “Regras são regras”, reiterou Carelli, indicando que a integridade do regulamento precisa ser mantida. Ainda assim, o diretor lamentou profundamente a perda de Gaby Spanic, descrevendo sua saída como “teatral e impressionante”. “É uma pena não termos mais ela no programa”, concluiu o diretor na ocasião.
A Reviravolta do Mercado: Boninho na Record
Enquanto Carelli gerencia o sucesso explosivo e as crises comerciais de “A Fazenda”, a Record preparava sua maior cartada nos bastidores. O anúncio, agora com confirmação mais oficial, de que Boninho, o todo-poderoso diretor por trás do “Big Brother Brasil” na Globo, desenvolverá um novo reality para a emissora de Edir Macedo, caiu como uma bomba no mercado. Esta movimentação estratégica muda fundamentalmente o equilíbrio de forças.
A ida de Boninho para a Record, mesmo que para um projeto específico, é um sinal claro da agressividade da emissora. Ela não está apenas fortalecendo seu núcleo de realities com os formatos que já possui, mas também buscando o know-how de quem comanda o seu maior concorrente há mais de duas décadas. A Record está, efetivamente, consolidando-se como a “casa dos realities” no Brasil, mesmo que “A Fazenda” enfrente suas próprias turbulências internas.
O “Gol Contra” Histórico do SBT
Se na Record o clima é de gerenciamento de crise misturado com planejamento estratégico, nos corredores do SBT a sensação é de profunda frustração. A notícia da parceria entre Boninho e a Record deixou a alta direção da emissora de Silvio Santos em estado de choque. O sentimento predominante, segundo fontes internas, é o de ter sofrido um “gol contra” monumental, uma falha de gestão que pode custar caro nos próximos anos.
A frustração se justifica: o SBT tinha todas as condições de negociar e buscar um formato de peso, fosse o de Boninho ou qualquer outro. Havia um desejo de reposicionar a emissora no calendário dos realities de confinamento, um espaço que ela mesma inaugurou no Brasil com a “Casa dos Artistas”. No entanto, a emissora não conduziu as negociações de forma conveniente e viu a oportunidade escapar por entre os dedos, indo parar diretamente na sua principal concorrente.
O Calendário Fechado: Globo e Record Dominam Tudo
A consequência direta dessa movimentação de mercado é o completo fechamento do calendário de realities. A Globo, com o “BBB”, domina absolutamente o primeiro semestre, ocupando os meses de janeiro a abril. A Record, por sua vez, já havia consolidado o segundo semestre com “A Fazenda”. Agora, com a adição de um novo reality show de peso, provavelmente assinado por Boninho, a Record deve preencher a lacuna que restava.
Com a Globo e a Record operando em capacidade máxima, com formatos robustos e que se retroalimentam, simplesmente não há mais espaço de relevância para o SBT ou qualquer outra emissora tentar emplacar um confinamento. A janela de oportunidade se fechou. O SBT, que flertou com a ideia de voltar ao jogo, assiste agora de camarote seus dois maiores adversários dividirem o bolo, um erro estratégico que reflete a falta de agressividade da emissora em um mercado que não perdoa hesitação.








