Após 29 anos comandando o noticiário de maior audiência do país, William Bonner não é mais o âncora do Jornal Nacional. O jornalista encerrou seu longo ciclo no telejornal em uma emocionada passagem de bastão para César Tralli.
A expectativa era de que o evento, carregado de emoção e significado histórico, pudesse impulsionar os números do Ibope. No entanto, a audiência não correspondeu à magnitude da despedida. O último ‘boa noite’ de Bonner não alterou os padrões de consumo do público, pelo menos na Grande São Paulo, principal mercado de publicidade do país.
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Audiência ‘Congelada’ e Longe dos Recordes
Dados prévios de audiência, obtidos pelo portal TV Pop com fontes do mercado, mostram que a despedida de William Bonner não resultou em um aumento nos índices do Jornal Nacional. Pelo contrário, o derradeiro jornal de Bonner registrou apenas 23,70 pontos de média na principal metrópole do país.
Esse número é considerado “praticamente idêntico” ao que o telejornal vinha marcando nas quatro sextas-feiras anteriores. O pico de audiência da edição histórica ocorreu às 21h32, atingindo apenas 24,44 pontos. No horário de exibição, entre 20h30 e 21h45, o JN garantiu 38,34% de share, ou seja, dos televisores ligados na Grande São Paulo.
Para se ter uma ideia de como o número ficou abaixo do esperado, a última noite de Bonner no comando do principal noticiário do país não conseguirá figurar nem mesmo entre os cinco melhores desempenhos do telejornal neste ano.
O recorde de 2025 do Jornal Nacional permanece sendo o da edição de 6 de outubro. Naquela ocasião, o noticiário marcou impressionantes 28,1 pontos de média, com picos de 31,5. O motivo para tal audiência foi a novela Vale Tudo, que impulsionou o jornal com a repercussão da cena da suposta morte de Odete Roitman. Naquele dia, a novela das 21h atingiu seu recorde, com 30,9 pontos.
A Concorrência: Streaming Supera a Record
Durante a exibição da despedida de Bonner, a vice-liderança entre os canais de TV aberta ficou com a Record. A emissora marcou 6,03 pontos de média exibindo o Jornal da Record e a novela Mãe.
O SBT ficou em terceiro lugar, registrando 2,88 pontos. A emissora de Silvio Santos exibia seu principal telejornal e a novela A.Mar. Mais abaixo, a Band marcou 1,29 ponto, com a novela Cruel Istambul e o Show da Fé. A TV Cultura fechou o ranking com 0,38 ponto, exibindo o Opinião e o Jornal da Cultura.
No entanto, o verdadeiro concorrente da Globo na faixa horária não foi outro canal aberto. O somatório dos serviços de streaming (como Netflix, Prime Video, Max, entre outros) pontuou 16,19 de média. Esse número coloca o streaming não apenas como o real vice-líder, mas com uma audiência quase três vezes maior que a da Record.
Os canais da televisão por assinatura também tiveram sua fatia, marcando, juntos, 3,90 pontos de média no horário. Os números demonstram a fragmentação do público e explicam por que eventos que antes “paravam o Brasil” hoje não conseguem mais concentrar a audiência da mesma forma.
Com a saída de Bonner, César Tralli assume oficialmente a bancada ao lado de Renata Vasconcellos a partir da próxima segunda-feira, dia 3 de novembro.







