A notícia caiu como uma bomba nos bastidores da televisão na terça, dia 18 de novembro, encerrando um dos capítulos mais intensos da gestão recente do SBT. Rinaldi Faria, o homem forte que assumiu a Superintendência Artística e de Programação em um momento crítico, falou pela primeira vez após deixar o cargo. Sua saída, oficializada após um ano de trabalho árduo e cortes profundos, gerou uma onda de especulações sobre possíveis desentendimentos com a família Abravanel. No entanto, em sua primeira declaração pública, o empresário decidiu abrir o jogo e esclarecer os reais motivos de seu desligamento da função executiva diária.
Rinaldi foi categórico ao definir o encerramento de seu ciclo na emissora da Anhanguera. Longe de confirmar os boatos de uma demissão traumática ou brigas de ego nos corredores, ele afirmou que tudo ocorreu conforme o planejado. “O ciclo de um ano que combinamos se encerrou agora, exatamente como previsto. Não houve demissão, ruptura, crise ou conflito. Apenas o cumprimento de um acordo profissional transparente”, disparou o executivo. Com essa fala, ele tenta colocar um ponto final nas teorias da conspiração que sugeriam um desgaste irreparável com a atual presidência do canal.
Table of Contents
O novo papel: Consultoria de luxo e negociações sigilosas
Embora não ocupe mais a cadeira de superintendente, Rinaldi fez questão de ressaltar que seu vínculo com o SBT não foi totalmente cortado. A estratégia agora muda de figura: ele deixa o operacional, o “chão de fábrica” da televisão, para atuar em uma esfera mais estratégica. “A partir de agora não mais pessoalmente e diariamente, mas permanecerei dando consultoria ao SBT e cuidando de negociações estratégicas e importantíssimas dos principais contratos da companhia”, revelou.
Essa transição para o papel de consultor demonstra que a emissora ainda depende da habilidade de Rinaldi para fechar contas e garantir parcerias lucrativas. Durante sua gestão “in loco”, ele foi responsável por medidas impopulares, mas necessárias, que economizaram milhões e evitaram um colapso financeiro. Manter Rinaldi por perto, ainda que à distância, é uma manobra inteligente de Daniela Beyruti para assegurar que a disciplina fiscal e as boas relações comerciais continuem, sem o desgaste da convivência diária e das pressões artísticas que o cargo anterior exigia.
A relação com Silvio Santos: Amizade acima dos negócios
Um dos pontos mais sensíveis de sua declaração foi a menção direta à sua relação com Silvio Santos e o clã Abravanel. Havia rumores maldosos de que sua gestão “mão de ferro” teria desagradado o fundador ou gerado atritos com as herdeiras. Rinaldi, no entanto, usou as palavras da própria presidente da emissora para blindar sua reputação. “Como a própria Dani já disse: ‘Rinaldi era um dos grandes amigos do meu pai‘. Encontrei o Silvio inúmeras vezes, inclusive em sua casa, e jamais houve qualquer desconforto entre nós”, garantiu.
Essa fala serve para legitimar sua passagem pelo canal. Ao evocar a memória de Silvio Santos e a amizade pessoal que nutriam, Rinaldi reforça que suas atitudes duras enquanto superintendente tiveram o aval da família proprietária. Ele se posiciona não como um funcionário demitido, mas como um parceiro de longa data que foi convocado para uma “missão de guerra” e que, agora, retorna à base após cumprir o dever, mantendo as portas abertas e a amizade intacta.
De volta ao império Patati Patatá e à família
Com o fim da rotina estressante na Anhanguera, Rinaldi Faria anunciou que retomará o controle total de seus próprios empreendimentos. O executivo é a mente brilhante por trás da marca Patati Patatá, um fenômeno de licenciamento, e proprietário da Rede Mais Família. “A partir de agora, retorno ao foco integral nas minhas empresas — o Patati Patatá, a Rede Mais Família e os projetos que sigo construindo com a força do trabalho e com a direção de Deus”, afirmou, sinalizando que seu foco volta a ser a expansão de seu próprio patrimônio.
Além dos negócios, o fator pessoal pesou na decisão de não renovar o contrato de superintendente. Após um ano de dedicação quase exclusiva aos problemas do SBT, Rinaldi expressou o desejo de desacelerar e priorizar a vida pessoal. “Também volto a dedicar mais tempo à minha família: meus 3 filhos, meus 6 netos e minha esposa, Nadia, minha companheira há 33 anos”, concluiu. A saída de Rinaldi marca o fim de uma era de austeridade e deixa o mercado ansioso para ver quais serão os próximos passos da emissora sem seu “general” no comando diário.






