O que deveria ser um mar de rosas para a emissora líder de audiência, a Globo, está se revelando um desafio complexo e preocupante antes mesmo da estreia. O novo programa de Eliana, provisoriamente intitulado “Em Família”, está enfrentando uma rejeição silenciosa, mas ensurdecedora, por parte do mercado publicitário. As cotas de patrocínio, disponibilizadas para comercialização há praticamente dois meses, permanecem “encalhadas”, sem o registro de maiores interessados ou grandes marcas dispostas a investir cifras milionárias no projeto até o momento.
A situação chegou a um ponto tão crítico que a Globo precisou recorrer a estratégias pouco usuais para o seu padrão de negociação. A emissora iniciou uma campanha de publicidade direcionada especificamente para o Instagram, visando chamar a atenção das agências de publicidade e “lembrar” o mercado sobre o produto. Esse movimento de “bater na porta” digitalmente denota um desespero velado, expondo que a força da marca da apresentadora, por si só, não está sendo suficiente para garantir o faturamento esperado nesta nova fase.
O principal obstáculo para a venda das cotas reside na indefinição estratégica da própria emissora. As agências de publicidade relutam em investir em um “cheque em branco”, pois o programa ainda não possui um horário de exibição cravado na grade. Sem saber se a atração irá ao ar antes ou depois do almoço, os anunciantes não conseguem definir o perfil do público-alvo com precisão, o que trava as negociações e gera desconfiança sobre a real aposta do canal no formato.
Além da questão comercial, existe o fantasma da concorrência que assombra os domingos da Globo. O “Domingo Legal”, do SBT, vive uma fase áurea e tem imposto derrotas consecutivas e humilhantes a Luciano Huck no período da tarde. Essa performance avassaladora da concorrência colocou a direção da Globo em alerta máximo. Lançar Eliana no meio desse fogo cruzado sem uma estratégia blindada pode significar queimar a nova estrela logo na largada, repetindo erros de planejamento anteriores.
Diante desse cenário de guerra, a tendência atual nos bastidores é fixar o programa de Eliana no horário do meio-dia. Essa faixa horária serviria como uma “sala de espera” de luxo, tentando alavancar a audiência desde cedo para frear o crescimento do SBT. No entanto, mesmo essa solução é vista com ressalvas, pois altera o hábito do telespectador que consome conteúdo mais jornalístico ou regional nesse horário, exigindo uma reeducação de público que leva tempo para acontecer.
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Jogos Olímpicos de Inverno 2026: A Mudança Radical na Tarde da Globo
Enquanto tenta resolver o problema de seus domingos, a Globo já desenha uma operação de guerra para o início de 2026, focada em outro grande evento esportivo. A emissora fará uma mudança drástica e importante na sua programação vespertina para acomodar os Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados na Itália, nas cidades de Milão e Cortina d’Ampezzo, entre os dias 6 e 22 de fevereiro de 2026.
O pacote comercial enviado ao mercado publicitário nos últimos dias confirma que a grade sofrerá alterações significativas. A competição invernal terá prioridade com transmissões ao vivo na faixa da tarde, especificamente entre 15h30 e 16h45. Essa decisão estratégica coloca em xeque um dos produtos mais tradicionais da casa: a “Sessão da Tarde”. A tendência confirmada é que a sessão de filmes saia do ar em diversos dias para dar lugar às disputas na neve.
A complexidade logística dessa cobertura será imensa, pois o evento coincidirá com o Carnaval de 2026. Durante quatro dias, a Globo terá que dividir sua atenção e sua tela entre a folia brasileira e o gelo italiano. Para garantir a qualidade, a emissora promete uma cobertura robusta, com espaço nos telejornais, uma equipe completa in loco na Itália e uma cobertura ampla e dedicada no SporTV, o canal esportivo do grupo na TV fechada.
A aposta da Globo não é aleatória; ela é baseada em dados concretos de audiência recente. O foco principal das transmissões na TV aberta será a patinação artística. A modalidade foi a recordista de audiência na última edição dos jogos, em 2022, mesmo sendo exibida nas madrugadas. A direção avalia que, trazendo esse conteúdo para a tarde, o potencial de engajamento do público, que aprecia a beleza plástica e a competição do esporte, será multiplicado.
Essa estratégia também carrega um aprendizado histórico amargo. A Globo aposta em um nicho que foi “descoberto” pela Record em 2010. Durante os Jogos de Inverno de Vancouver, no Canadá, a emissora de Edir Macedo investiu pesado nas competições de neve e chegou a liderar a audiência na Grande São Paulo, derrotando a Globo. A Vênus Platinada não quer dar margem para que a história se repita, ocupando esse espaço com autoridade.
Os Jogos de Milão-Cortina 2026 também marcarão uma nova era política no esporte mundial. Estes serão os primeiros jogos sob a gestão de Kirsty Coventry no Comitê Olímpico Internacional (COI). A ex-nadadora do Zimbábue foi eleita presidente da entidade no dia 20 de março de 2025, tornando-se a primeira mulher e a primeira representante do continente africano a assumir o cargo máximo do esporte olímpico, trazendo um novo simbolismo para o evento que a Globo transmitirá.
Por fim, embora a estrutura comercial e logística dos Jogos esteja avançada, a parte artística ainda engatinha. A emissora ainda não definiu a equipe de narração e os comentaristas que comandarão as transmissões. A escolha dessas vozes será fundamental para traduzir esportes pouco comuns ao brasileiro, como o curling e o hóquei, garantindo que a aposta de derrubar a programação da tarde valha a pena em termos de retorno de público.







