A novela sobre os direitos de transmissão das competições mais cobiçadas do continente chegou ao fim nesta sexta-feira (5), definindo o cenário do futebol sul-americano para o próximo ciclo. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) encerrou oficialmente a concorrência e fechou a venda dos direitos da Copa Libertadores da América e da Copa Sul-Americana para o quadriênio que vai de 2027 a 2030. O resultado reafirma a força dos grandes conglomerados de mídia tradicionais, mantendo a Globo e a ESPN como os principais protagonistas das transmissões esportivas na região, mas trazendo mudanças significativas na distribuição dos jogos secundários e nas plataformas digitais.
A negociação, que foi conduzida pela agência FC Diez Media e supervisionada pela consultoria Ernst & Young, movimentou o mercado nas últimas semanas com diversas propostas na mesa. Ao todo, a Conmebol ofereceu ao mercado sete pacotes distintos, abrangendo plataformas abertas e pagas, além de opções multiplataforma e clipes de melhores momentos. O volume de conteúdo é gigantesco, totalizando 314 jogos das competições a cada temporada, o que justifica a cifra bilionária e a disputa acirrada entre os canais de televisão e serviços de streaming.
Para o torcedor brasileiro, a principal notícia é a manutenção da estabilidade na TV aberta, com a TV Globo garantindo a sua soberania na principal competição do continente. A emissora carioca assegurou a exclusividade da Libertadores na televisão aberta, renovando uma parceria histórica que garante visibilidade massiva para o torneio. Além disso, a estratégia digital da Globo foi contemplada, com o projeto GE TV confirmado para exibir os jogos no YouTube por mais quatro temporadas, reforçando a presença da emissora em todas as telas.
Enquanto isso, na televisão fechada, a grande vencedora da rodada de negociações foi, sem dúvida, a Disney. A ESPN não apenas renovou seus direitos, mas expandiu agressivamente seu território, consolidando-se como a “Casa da Conmebol” na TV paga. A emissora manteve o principal pacote da Libertadores, garantindo as escolhas prioritárias dos confrontos, e segurou a exclusividade da Recopa Sul-Americana, o charmoso encontro anual entre os campeões continentais que abre a temporada internacional.
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A Supremacia da ESPN e o Monopólio da Sul-Americana
O grande diferencial deste novo acordo para a ESPN reside na Copa Sul-Americana. Em um movimento ousado de mercado, a empresa comprou os dois pacotes disponíveis para a competição, garantindo exclusividade total do torneio em plataformas pagas. Isso significa que, a partir de 2027, qualquer jogo da Sul-Americana na TV fechada ou no streaming pago estará sob o guarda-chuva da Disney. O novo contrato também inova ao prever a exibição de jogos de ambas as competições — Libertadores e Sul-Americana — no YouTube da ESPN, ampliando o alcance digital da marca.
Essa estratégia de “pacote completo” coloca a ESPN em uma posição de vantagem técnica na hora de definir a grade de programação. A tendência, segundo fontes do mercado, é que a ESPN tenha o primeiro poder de escolha dos jogos (“first pick”), visto que adquiriu os pacotes mais valiosos da licitação. Isso garante que os confrontos de maior apelo, envolvendo os clubes brasileiros de maior torcida, estarão prioritariamente na tela dos canais Disney e em sua plataforma de streaming, o Disney+.
SBT Segue no Jogo e Paramount Perde Força
No cenário da TV aberta, o SBT deve continuar sendo o lar da Copa Sul-Americana. Embora o anúncio oficial da FC Diez Media ainda esteja por vir para confirmar os detalhes finais, é dado como certo entre os profissionais que lidam com a compra de direitos esportivos que a emissora de Silvio Santos renovará o contrato até 2030. A manutenção desse direito é vital para a grade do SBT, que construiu uma audiência fiel nas noites de terça-feira com as transmissões do torneio secundário da Conmebol.
Por outro lado, o serviço de streaming Paramount+ sai desta negociação com uma participação reduzida. A plataforma conseguiu renovar um pacote menor de jogos da Libertadores, garantindo sua presença na principal competição, mas sofreu uma derrota estratégica ao perder os direitos da Copa Sul-Americana. A exclusividade obtida pela ESPN na Sul-Americana retira da Paramount um conteúdo que ajudava a preencher seu catálogo esportivo e a reter assinantes durante as semanas de jogos.
As Derrotas da CazéTV e do Grupo Kalunga
A licitação também foi marcada pelas propostas que não prosperaram, evidenciando a barreira financeira para novos entrantes neste mercado de elite. A CazéTV, fenômeno do streaming digital que vinha acumulando direitos de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, era considerada a principal concorrente na disputa pelos pacotes digitais e abertos. No entanto, o canal do streamer Casimiro Miguel não levou nenhum pacote de direitos para o ciclo 2027-2030, frustrando a expectativa de uma expansão para os torneios continentais de clubes.
Outra tentativa frustrada veio da XSports, um canal esportivo mantido pelo Grupo Kalunga. A empresa chegou a formalizar uma proposta na tentativa de entrar no seleto grupo de detentores de direitos da Conmebol, mas também perdeu a concorrência frente ao poderio financeiro e estrutural dos grupos de mídia já estabelecidos. As empresas perdedoras, assim como as vencedoras, foram avisadas do resultado ao longo desta sexta-feira, encerrando o suspense que pairava sobre o mercado publicitário.
Agora, resta apenas a formalização burocrática dos contratos e o anúncio detalhado por parte da FC Diez Media sobre como será a divisão exata dos jogos. No entanto, o recado do mercado é claro: para o ciclo que se encerra no final da década, a aposta da Conmebol foi na segurança e na potência de distribuição dos parceiros tradicionais, garantindo que a Libertadores e a Sul-Americana continuem sendo os produtos premium da televisão brasileira e sul-americana.







