O domingo em A Fazenda 17 ficará marcado não apenas pela visita histórica de Boninho, mas, principalmente, pelo comportamento tóxico e pela cegueira estratégica que contaminou o chamado “Grupão”. O que assistimos nas últimas horas foi um verdadeiro espetáculo de soberba protagonizado por Duda, Kathy e Mesquita. O trio, embriagado pela própria narrativa, decretou com “certeza absoluta” que Dudu Camargo será o eliminado da noite, transformando a competição em um palco de humilhação antecipada.
Eles não possuem termômetros externos, não têm acesso a enquetes e baseiam suas convicções apenas no eco de suas próprias vozes e no fantasma de eliminações passadas, ignorando que o jogo muda a cada semana. Essa postura, que beira o delírio coletivo, criou um ambiente hostil onde a prudência foi substituída pela zombaria escancarada.
A certeza da eliminação de Dudu é tão enraizada na mente de seus rivais que se tornou o único assunto possível entre eles. Duda, em um momento de pura arrogância, chegou a propor um brinde onde a ausência de Dudu foi celebrada como um fato consumado. Ao perceber que o jornalista não participaria da celebração, ela disparou que ele estava com medo de brindar “porque ele vai sair”.
Mesquita, fazendo coro à soberba da aliada, completou com ironia bíblica dizendo que “haverá sinais”. Eles transformaram a Roça, que deveria ser um momento de tensão e respeito pelo adversário, em uma festa de despedida cruel, onde o “já ganhou” impera. Mal sabem eles que essa atitude costuma ser o prelúdio dos maiores tombos da história dos reality shows, e o público, muitas vezes, age justamente para punir esse excesso de confiança.
No entanto, enquanto a soberba reinava na sala e na cozinha, no quarto e na área externa, a vulnerabilidade humana se fazia presente. Dudu Camargo, o alvo de todo esse escárnio, desabou. Em uma conversa íntima e dolorosa com Saory, ele confessou seu medo paralisante de enfrentar a Roça decisiva.
Diferente de seus oponentes, que se fiam em “máquinas de marketing” e agências de influenciadores, Dudu expôs sua insegurança por não ter redes sociais ativas ou amigos famosos fazendo campanha aqui fora. Ele chorou, preocupado com o fato de ser “péssimo” digitalmente, temendo que sua trajetória no jogo fosse apagada pela força dos algoritmos rivais. Foi um momento raro de honestidade brutal, onde o jogador estratégico deu lugar ao ser humano amedrontado, criando um contraste gritante com a frieza de seus algozes.
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A Baixaria da Higiene: A Guerra da Cueca Descartável
Se o clima estratégico estava pesado, a convivência doméstica desceu aos níveis mais baixos da temporada com a “Guerra da Cueca”. O estopim foi a descoberta, trazida à tona por Saory, de que Mesquita levou para o confinamento cerca de 90 cuecas descartáveis para evitar a “fadiga” de lavá-las. O que poderia ser apenas uma curiosidade sobre a preguiça do peão virou um campo de batalha verbal entre Saory, Kathy e Duda.
A discussão sobre onde essas peças íntimas deveriam ser descartadas rapidamente escalou para ofensas pessoais e baixarias impublicáveis, com Saory sugerindo locais anatômicos nada higiênicos para o descarte das peças de Mesquita.
A briga expôs a hipocrisia que reina na sede. Enquanto o grupo de Duda e Kathy adora apontar o dedo para a falta de higiene alheia, a revelação de que Mesquita prefere usar roupas descartáveis a ter o trabalho de lavar suas próprias peças no tanque soou como um atestado de preguiça e mimo. Saory, com sua língua afiada, não perdoou: “Quem tem dinheiro para comprar 90 cuecas descartáveis só para evitar a fadiga é preguiçoso e rico demais para merecer o prêmio”. A frase ecoou na casa, transformando o “muso” do grupo em motivo de chacota e expondo que, por trás da pose de bom moço, existe alguém que foge das responsabilidades básicas de convivência coletiva.
A troca de farpas atingiu o nível pessoal quando o passado musical das participantes foi trazido à tona. Saory, sem filtro, atacou Duda chamando-a de “ninfeta” e relembrando que sempre cantou “funk de putaria”, numa tentativa de desestabilizar a rival usando preconceitos musicais e morais. A discussão virou um caos generalizado na cozinha, com acusações de “boca-suja” voando para todos os lados.
Kathy, tentando defender o amigo e o grupo, acabou se tornando alvo da própria munição, sendo chamada de fiscal de cueca. É irônico notar que o mesmo grupo que se horrorizou com calcinhas no passado agora protagoniza um barraco homérico por causa de cuecas de papel, provando que a pauta da higiene é apenas uma desculpa para o ódio mútuo.
O Papel de Walério: A Voz da Razão no Caos
No meio desse tiroteio de ofensas e soberba, coube a Walério, surpreendentemente, o papel de voz da razão. Após Mesquita tentar fazer uma “brincadeira” de mau gosto colocando uma cueca descartável na cama de Saory e Dudu para provocar, Walério interveio com uma lucidez rara. Ele alertou o grupo de que eles adoram provocar e “ir para cima”, mas não aguentam o “rajadão” quando a resposta vem. “Vocês não estão brincando, vocês quatro. Então discutem de verdade”, disparou o estilista, jogando na cara dos aliados que aquele tipo de atitude infantil apenas daria munição para os rivais se vitimizarem.
A fala de Walério escancara a dinâmica imatura de Duda, Mesquita e Kathy. Eles operam na lógica do “bate e assopra”, onde se sentem no direito de humilhar e provocar, mas se ofendem mortalmente quando recebem o troco. A atitude de Mesquita com a cueca na cama não foi humor, foi uma tentativa deliberada de desestabilizar o casal rival, uma tática baixa que poderia ter resultado em punições ou expulsões se a reação do outro lado fosse física. Walério, ao frear o ímpeto do amigo, talvez tenha evitado o pior, mas também expôs a fragilidade emocional de um grupo que gosta de bater, mas chora quando apanha.
Essa intervenção também serve para mostrar que, mesmo dentro do “Grupão”, existem rachaduras. Walério, embora alinhado com eles, parece ter uma leitura de jogo um pouco mais apurada sobre os limites da convivência. Enquanto Duda e Kathy vivem em uma bolha de ódio contra Dudu, Walério percebe que certas atitudes podem soar péssimas para o público. Infelizmente, seu aviso entrou por um ouvido e saiu pelo outro, já que a arrogância de Mesquita e Duda parece blindá-los contra qualquer autocrítica neste momento do jogo.
Dudu Camargo: O Medo do Cancelamento e a Força da Trajetória
Voltando ao drama pessoal de Dudu, a conversa com Saory no ofurô e na piscina foi um dos momentos mais profundos da temporada. Ao fazer um balanço de sua trajetória, Dudu percebeu que viveu a “experiência completa” de A Fazenda: foi para a Baia, sofreu punições, foi Fazendeiro quatro vezes, teve embates, teve romance e agora encara a Roça final. No entanto, a sombra do cancelamento digital o assombra. Ele acredita piamente que o jogo é decidido por agências de marketing e número de seguidores, subestimando o poder da narrativa que construiu lá dentro.
Saory tentou, com todas as forças, levantar a moral do parceiro. Ela relembrou que campeões passados venceram “no gogó e no carisma”, sem grandes estruturas aqui fora. “A trajetória, o que você faz aqui, é muito mais importante do que rede social ou algoritmo”, aconselhou a peoa, numa leitura de jogo muito mais precisa do que a de Dudu naquele momento. Ela vê o que ele, cego pelo medo, não consegue enxergar: que ele foi o grande protagonista da edição, o agente do caos e da ordem, o jogador que movimentou as peças quando todos queriam apenas dormir.
A insegurança de Dudu é compreensível, dado o isolamento, mas é infundada para quem assiste. Ele entregou entretenimento, estratégia e conflito. Mesmo seus erros foram cometidos tentando jogar. A comparação que ele faz consigo mesmo, achando-se inferior às “máquinas” dos rivais, é o que o humaniza e pode, ironicamente, ser o fator que lhe garanta a vitória. O público tende a abraçar quem demonstra fraqueza genuína em oposição àqueles que arrotam vitória antes do tempo. Dudu chora porque se importa; Duda e Mesquita riem porque desprezam o processo.
O Delírio do Top 4 e a Obsessão por Eliminar Dudu
A obsessão do grupo em eliminar Dudu atingiu níveis patológicos. Mesquita chegou ao ponto de orientar seus administradores (ADMs) a fazerem um “compilado de traições” de Dudu caso a Roça fosse contra ele, numa tentativa desesperada de queimar o filme do rival. Duda, por sua vez, ensaia discursos de despedida humilhantes, dizendo “Tchau Dudu, vaza Dudu” pelos cantos da casa. Eles criaram uma realidade paralela onde são o “Top 4” indiscutível, formado por Duda, Mesquita, Kathy e Walério, e onde Saory e Fabiano seriam os próximos a sair.
Essa fixação em Dudu os impede de ver os próprios defeitos. Eles acusam Dudu de traição, mas esquecem que a própria união do grupo deles foi forjada no ódio comum e não em afinidades reais. Kathy, que agora posa de melhor amiga de Duda, estava jogando com Carol e Saory até outro dia. A hipocrisia é a cola que mantém esse grupo unido. Eles falam em mérito, mas se esquecem de que Dudu voltou de quatro Roças, sentou no banquinho e voltou, virou Fazendeiro e ditou o ritmo do jogo. O “mérito” que eles reivindicam é apenas a conveniência de estarem em maioria numérica momentânea.
A cegueira é tamanha que eles interpretam a postura de Dudu perante a visita de Boninho como “vergonhosa” e “sem dar uma dentro”, quando na verdade Dudu foi quem guiou a visita, interagiu e gerou conteúdo. Kathy, irrelevante durante meses, criticou a performance de Dudu como apresentador, numa demonstração clara de inveja e falta de noção da realidade. Eles tentam diminuir cada passo do rival porque, no fundo, sabem que ele brilha onde eles são apenas coadjuvantes.
A Expectativa para o Tombo
O cenário está montado para um dos maiores “plot twists” da temporada. A Roça de hoje à noite não é apenas sobre quem sai, mas sobre a destruição da narrativa do “Grupão”. Se a lógica do reality se mantiver, a eliminação de Kathy será a resposta definitiva do público a essa soberba desmedida. Kathy precisa sair primeiro. Ela é a personificação da arrogância sem entrega, a planta que criou espinhos apenas na reta final para tentar ferir o protagonista.
Imagine a cena: Dudu sendo o último a voltar para a sede. O impacto visual dele subindo as escadas enquanto Kathy desce para o esquecimento será o golpe de misericórdia no ego de Duda e Mesquita. Eles ficarão sem chão, sem entender como suas “certezas absolutas” viraram pó. Será o momento em que a ficha cairá: o público vê tudo, inclusive o deboche, a cueca na cama e os brindes maldosos.
A Fazenda 17 ensina, em seus dias finais, que o jogo só acaba quando o apresentador anuncia o resultado. Até lá, a humildade é a melhor estratégia. Dudu, com seu medo e choro, está mais perto da vitória do que Duda com sua taça de espumante e seu riso de escárnio. O Brasil prepara o “rajadão” que Walério previu, mas que ninguém quis escutar. E quando ele vier, não haverá cueca descartável que segure a sujeira emocional que vai transbordar naquele convés.

































