O final de ano nos corredores da Record está longe de ser tranquilo. A emissora da Barra Funda vive momentos de intensa articulação interna que envolvem desde a reformulação de um de seus principais produtos de entretenimento até o planejamento estratégico de longo prazo para o seu departamento de esportes. A notícia que agita o mercado nesta semana é a abertura oficial da disputa pela vaga de Ticiane Pinheiro no comando do matinal “Hoje em Dia”.
A saída da apresentadora, uma das figuras mais carismáticas e identificadas com o formato, deixa um espaço valioso na grade diária da televisão brasileira. O “Hoje em Dia” é uma vitrine cobiçada, tanto pela visibilidade nacional quanto pelo potencial de merchandising. Por isso, a escolha da substituta não é apenas uma decisão artística, mas um movimento estratégico que envolve cifras milionárias e influência nos bastidores.
Não existe, até o momento, qualquer resultado definido ou veredito sobre quem ocupará o posto. O que se tem de concreto nos bastidores é a certeza absoluta de que a cadeira será ocupada por uma mulher, mantendo a dinâmica de apresentação que consagrou o programa ao longo dos anos. Contudo, a indefinição alimenta uma série de especulações e lobby interno.
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A Batalha pelo “Hoje em Dia”: Comercial x Direção
A disputa pela vaga de Ticiane Pinheiro transformou-se em um verdadeiro tabuleiro de xadrez corporativo. Sabe-se que existem várias “campanhas” acontecendo simultaneamente dentro da emissora, vindas de diferentes direções e setores, cada qual defendendo o nome que julga mais adequado para o perfil do programa e para os objetivos da casa para 2026.
Nesse cenário de incertezas, um nome desponta com força total nos corredores: Rafa Brites. A apresentadora e influenciadora é a grande aposta “no escuro” se a decisão depender exclusivamente do departamento comercial. O setor vê em Rafa um potencial de vendas extraordinário, capaz de atrair marcas jovens e renovar o apelo publicitário da atração matinal.
Entretanto, televisão não se faz apenas com vendas. O peso e a preferência de outros setores, como a direção artística e o jornalismo, também contarão muito na decisão final. Há uma queda de braço silenciosa para definir se o critério de escolha será puramente o faturamento ou a química no vídeo e a experiência com o formato de variedades.
Rafa Brites tem a seu favor a comunicação leve e a boa aceitação nas redes sociais, mas terá que vencer a resistência ou a preferência de alas que podem estar defendendo nomes mais “prata da casa” ou com um perfil jornalístico mais aguçado, característica que sempre permeou o “Hoje em Dia”. A definição promete ser arrastada e criteriosa.
O Sonho Europeu: Record de Olho na Champions League
Enquanto o entretenimento ferve com a dança das cadeiras, o departamento de esportes da Record traça planos ambiciosos para o futuro, embora enfrente obstáculos contratuais significativos. O grande objeto de desejo da emissora para consolidar sua grade esportiva é a UEFA Champions League, o maior torneio de clubes do mundo.
A Record tem “penado” para entrar na disputa pelos direitos de transmissão, visando especificamente o ciclo que se inicia em 2027. A dificuldade imediata reside no fato de que o SBT, seu concorrente direto, ainda detém os direitos de transmissão exclusiva na TV aberta por mais uma temporada, o que trava qualquer negociação imediata de curto prazo.
Apesar do bloqueio temporário, a Record não esconde o interesse e monitora de perto a situação. A direção da emissora entende que o potencial financeiro da Champions League é “bastante alto”, justificando um investimento pesado. Diferente de campeonatos estaduais que duram apenas alguns meses, a Champions oferece visibilidade e receita garantida durante quase todo o ano.
Estratégia Financeira e Visibilidade Anual
O interesse da Record na competição europeia vai além do prestígio esportivo; é uma questão de matemática financeira. Por não ser um campeonato sazonal, como os estaduais que a emissora transmitiu nos últimos anos, a Champions League permite que os custos de aquisição dos direitos sejam diluídos com o passar do tempo, tornando a operação mais rentável e segura.
Ter um produto de prateleira como a Champions na grade significa garantir cotas de patrocínio de alto valor agregado e uma audiência qualificada nas tardes de terça e quarta-feira. O SBT colheu frutos importantes com a competição nos últimos anos, e a Record, que vem investindo pesado no futebol brasileiro, quer essa fatia do bolo internacional para completar seu portfólio.
A estratégia da emissora da Barra Funda parece clara: fortalecer o entretenimento com nomes de apelo comercial, como a possível contratação de Rafa Brites, e robustecer o esporte com torneios de longa duração e apelo global. Resta saber se o poder de articulação da Record será suficiente para vencer a concorrência do SBT nos gramados e resolver o impasse interno no palco do “Hoje em Dia”.
O ano de 2026 promete começar com definições cruciais. A vaga de Ticiane Pinheiro não ficará aberta por muito tempo, e a pressão dos anunciantes por um nome forte é imensa. Seja Rafa Brites ou outra candidata, a escolhida terá a missão de manter a relevância de um dos programas mais tradicionais da TV, enquanto a diretoria segue sonhando com os hinos da Champions League para 2027.








