O ator David Cardoso Jr., rosto conhecido do humorístico A Praça É Nossa, do SBT, protagonizou um episódio que culminou em seu afastamento definitivo da emissora para o próximo ano.
Tudo começou após o artista utilizar suas redes sociais para criticar abertamente a alta cúpula do canal de Silvio Santos. O motivo da revolta foi a recepção calorosa dada pela emissora ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante um evento na sede do canal.
A reação da direção do SBT foi rápida e drástica. O que parecia ser apenas um desabafo de um colaborador insatisfeito transformou-se em uma “demissão” pública, expondo as tensões políticas que ainda permeiam o ambiente artístico e midiático no Brasil, especialmente às vésperas de um novo ano.
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O Vídeo da Discórdia: “Vergonha e Decepção”
Nesta terça-feira (16/12), David Cardoso Jr. publicou um vídeo que rapidamente viralizou entre grupos conservadores e fãs do programa. Visivelmente irritado, o ator não poupou palavras para descrever o que sentiu ao ver as autoridades máximas do país sendo recebidas na emissora onde trabalha há mais de uma década.
Segundo o humorista, a palavra que definiu o momento foi “decepção”. Ele classificou a visita como uma “vergonha”, criticando a postura da diretoria em abrir as portas para figuras que, segundo sua visão política, não deveriam ter tal tratamento dentro de uma concessão pública que preza pela família.
O alvo principal de sua ira não foi apenas o presidente da República, mas especificamente o ministro Alexandre de Moraes. David questionou a presença de um magistrado em um evento político-midiático, disparando que Moraes age como o “verdadeiro dono do país”, uma fala que ecoa críticas comuns em alas mais radicais da direita.
O Evento no SBT: Lançamento e Autoridades
Para entender o contexto da fúria do ator, é preciso voltar à semana passada. O SBT organizou um grande evento para o lançamento oficial do canal de notícias SBT News na TV paga e streaming. Para dar peso à cerimônia, a emissora convidou diversas autoridades de diferentes espectros políticos.
Além de Lula e Alexandre de Moraes, estiveram presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). No entanto, foi a imagem de confraternização entre a diretoria do canal e os representantes do governo federal e do judiciário que incomodou profundamente David Cardoso Jr.
Para o ator, receber um presidente poderia até ser aceitável dentro do protocolo institucional, mas a presença de um ministro do STF foi considerada inadmissível. Ele argumentou que Moraes “é ministro, não é político”, e que sua participação no evento desvirtuava a função do cargo que ocupa.
A Resposta Implacável da Emissora
O SBT, conhecido historicamente por evitar polêmicas públicas envolvendo seu elenco, desta vez não deixou barato. Diante da repercussão negativa e do ataque direto à sua direção institucional, o canal emitiu uma nota oficial à coluna de Fabia Oliveira, selando o destino do ator.
A assessoria de comunicação esclareceu o vínculo empregatício de David, informando que ele não é contratado fixo (CLT), mas sim atua como freelancer (cachê por participação). Essa distinção foi crucial para a medida administrativa tomada pela empresa: simplesmente não convocá-lo mais.
“Diante desse cenário, não deverá participar da A Praça É Nossa em 2026″, cravou a nota da emissora. A decisão funciona como uma demissão prática, cortando a fonte de renda e a vitrine do ator no canal, mostrando que a empresa não tolerará insubordinação ou ataques públicos à sua gestão corporativa e relações institucionais.
Críticas à Janja e o Clima de “Família”
No vídeo que causou sua ruína no canal, David Cardoso Jr. também direcionou sua artilharia contra a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Utilizando um trocadilho pejorativo, ele se referiu a ela como “Canja”, demonstrando total desapreço pela esposa do presidente.
O que mais irritou o ator, segundo seu relato, foi o clima de intimidade durante a visita. Ele descreveu a cena como um “encontro de família” ou de “amigos inseparáveis”, criticando a forma como os diretores e funcionários abraçaram as autoridades. Para ele, isso configurou uma postura de “puxa-saco”, algo que ele afirma não ser.
“Eu não bateria palma pro ministro Alexandre de Moraes. Eu não vou bater palma pro Lula. Eu não vou puxar o saco pra ninguém”, declarou ele, reforçando sua posição de independência ideológica, mesmo que isso custasse seu espaço na televisão aberta.
Defesa de Zezé Di Camargo e Convocação à Direita
Aproveitando o momento de desabafo, David Cardoso Jr. saiu em defesa do cantor Zezé Di Camargo. O sertanejo havia se envolvido em outra polêmica gigantesca na segunda-feira (15/12), ao ofender as filhas de Silvio Santos, o que gerou uma onda de críticas contra o músico.
Na contramão da opinião pública, David deu “nota 10” para Zezé, enxergando na atitude do cantor uma coragem que, segundo ele, falta aos artistas conservadores. O humorista fez um apelo para que a classe artística de direita se una e deixe de ter medo de se posicionar.
“Os artistas de bem não se unem, não fazem um show específico para Bolsonaro, não existe”, lamentou o ator. Sua fala reflete um sentimento de isolamento cultural por parte de apoiadores do ex-presidente, que sentem falta de uma mobilização mais organizada da classe artística conservadora contra o atual governo e o judiciário.
Agora, fora do SBT e sem previsão de retorno para a temporada de 2026, David Cardoso Jr. se torna mais um mártir para seus seguidores e um exemplo de como a mistura de política e críticas corporativas pode ser fatal para a carreira na TV aberta. Resta saber se A Praça É Nossa sentirá falta de seu humor ou se o banco da praça já tem um substituto pronto para o próximo ano.






