Nos últimos dias, o mercado foi agitado por rumores envolvendo o cantor Zezé Di Camargo, questões administrativas na RedeTV! e falhas técnicas no jornalismo do SBT. Tudo isso acontece em um pano de fundo onde a própria essência da TV aberta está sendo rediscutida diante da concorrência feroz do streaming, exigindo novas posturas de diretores e artistas.
É natural reconhecer que as novelas, produto clássico da nossa cultura, ainda terão uma vida longa e próspera pela frente. Nesse ponto, não há espaço para discussão alarmista e nem para enxergar fantasmas onde eles não existem. A teledramaturgia continua sendo o carro-chefe de audiência e faturamento, mas o modelo de negócio está mudando, e os executivos já perceberam que não podem depender apenas da ficção para segurar o público em frente à tela.
Porém, a retomada e o aumento substancial do investimento em eventos ao vivo já se mostram como uma das principais apostas para a televisão do futuro. É um movimento estratégico que visa diferenciar a TV aberta das plataformas on demand. O streaming, por mais poderoso que seja com seus catálogos de filmes e séries, não consegue, nem tem potencial técnico ou logístico para trabalhar com o mesmo volume e capacidade de transmissão simultânea que as grandes redes de TV possuem.
O caminho parece claro para os especialistas: o “ao vivo” preserva a urgência da notícia e a experiência coletiva do entretenimento, características ainda exclusivas e insubstituíveis da televisão linear. É como se fosse um aviso batendo na porta das emissoras: ou se adaptam ao tempo real, ou perdem a relevância. E por aí podemos entender e esperar uma grade com mais jornalismo, esporte e grandes reality shows. Bastam a vontade e a capacidade de fazer acontecer.
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A Verdade Sobre o “Boicote” a Zezé Di Camargo
Em meio a essas discussões estruturais, o nome de Zezé Di Camargo dominou as manchetes de fofoca. Nem se sabe ao certo como nasceu essa história ou da cabeça de quem partiu o boato de um boicote generalizado, mas é preciso esclarecer os fatos com precisão. Existiu o problema do Zezé com o SBT? Claro que existiu, motivado por declarações políticas e ataques à família Abravanel. Ele foi proibido de pisar na Anhanguera? Foi sim, e virou persona non grata.
Só que nada disso se estende às outras TVs, como Globo, Record ou Band. É preciso cair na real e saber separar as coisas no mundo corporativo da mídia. As emissoras são concorrentes e não agem como um cartel para punir artistas por desavenças individuais. O fato de Zezé ter fechado as portas no SBT não significa que as outras redes comprarão essa briga. Pelo contrário, a polêmica pode até torná-lo um convidado mais interessante para a concorrência.
Na verdade, a não ser agora o caso específico do SBT e o histórico da RedeTV!, nunca se viu uma TV, de fato, comprar a briga da outra de forma solidária. Nunca se uniram em nada, nem para defender interesses comerciais comuns, quanto mais para vetar um cantor sertanejo de sucesso. E, no caso aí, vamos combinar, nem seria para tanto. Fosse algo criminal ou de extrema gravidade social, talvez houvesse um consenso, mas trata-se apenas de uma rixa pessoal e editorial.
O Fim da Lendária “Lista Negra” da RedeTV!
Falando em vetos, a RedeTV! por muitos anos operou com um sistema que virou lenda nos bastidores: a famosa “lista dos proibidos”. Chegou a existir uma relação oficial, afixada em áreas de produção, com nomes daqueles que não podiam ser convidados para os seus programas sob hipótese alguma. A lista era extensa e passava de 100 personalidades, incluindo artistas, jornalistas e ex-funcionários que saíram de forma litigiosa.
Nomes de peso figuravam nesse “index” da emissora de Osasco. Carolina Dieckmann, Marcelo Rezende, Adriane Galisteu, o próprio Zezé Di Camargo, Xuxa Meneghel e até José Luiz Datena eram apenas alguns dos que tinham a entrada barrada na portaria. A ironia do destino é que Datena, por exemplo, hoje faz parte do elenco da casa, provando que o mundo da TV dá muitas voltas e que mágoas podem ser superadas por interesses comerciais.
Hoje, no entanto, a RedeTV! vive novos tempos e não tem mais essa lista física ou dogmática. A gestão mudou a forma de filtrar seus convidados. Todo e qualquer nome, antes de ser convidado para um programa, agora é submetido à diretora-geral Andrea Dallevo. Cabe a ela aprovar ou não a participação, analisando caso a caso. Funciona exatamente como nos outros lugares, com um crivo editorial e estratégico, sem nada tão escancarado e vingativo como era feito no passado.
Crise de Organização no SBT News
Enquanto o SBT lida com seus vetos artísticos, o seu departamento de jornalismo enfrenta problemas mais técnicos e visíveis ao telespectador. Quem acompanha o canal SBT News ou os telejornais da casa tem notado que falta um pouco mais de organização e cuidado na operação diária. Erros primários estão indo ao ar, comprometendo a credibilidade da informação prestada.
O canal não está tirando os avisos de “ao vivo” quando exibe reprises ou reportagens gravadas, o que confunde o público e pode gerar problemas éticos. Além disso, relógios fora de hora e outros problemas pontuais de caracteres e corte de câmera têm sido frequentes. Esses deslizes técnicos passam uma imagem de amadorismo que não condiz com a história do jornalismo do SBT.
Ainda é preciso consertar esse problema com urgência. Em tempos onde a TV aposta no “ao vivo” como seu grande diferencial contra a internet, a precisão técnica é fundamental. Se a emissora quer competir pela atenção do público que busca informação em tempo real, não pode se dar ao luxo de exibir um relógio errado ou uma tarja mentirosa. O jornalismo exige rigor, e a família Abravanel precisará investir em gestão para alinhar sua operação.








