O mercado de televisão brasileiro mal teve tempo de respirar após as festas de fim de ano. A TV Globo, ciente de que o tempo é dinheiro, não esperou o corpo esfriar e já montou uma proposta robusta para ter Ticiane Pinheiro em seu elenco estelar.
A apresentadora, que encerrou oficialmente seu vínculo contratual com a Record na última quarta-feira, dia 31 de dezembro de 2025, está livre no mercado pela primeira vez em duas décadas. A direção da emissora carioca agiu rápido e deve apresentar suas ideias e cifras para a comunicadora ainda nestes primeiros dias de janeiro, aproveitando sua disponibilidade imediata.
A pressa da Globo tem justificativa. Ticiane não é apenas uma apresentadora carismática; ela é uma máquina de vendas. A principal defensora de sua contratação dentro do grupo é a poderosa área comercial, que vê nela um ativo indispensável para alavancar receitas em um ano que promete ser desafiador para a publicidade na TV aberta.
Com quase 10 milhões de seguidores engajados nas redes sociais, o Grupo Globo tem interesse direto em integrá-la à ViU, seu braço digital focado em influenciadores e publicidade. A estratégia é clara: trazer a força de vendas que Ticiane exibia na Record para dentro do ecossistema global, monetizando sua imagem em múltiplas plataformas.
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A Força Comercial: O “Efeito Ticiane” no Mercado
Durante os quase 10 anos em que esteve à frente do “Hoje em Dia”, Ticiane Pinheiro consolidou-se como um fenômeno comercial. Ao lado de Ana Hickmann, ela era a figura que mais atraía o interesse das marcas para ações de merchandising, garantindo filas de anunciantes e faturamento alto para a emissora da Barra Funda.
A Globo sabe que possui poucas figuras com essa aceitação transversal. Ticiane tem a rara habilidade de dialogar tanto com a classe A, que consome produtos de luxo e estilo de vida, quanto com as classes C e D, que a veem como uma figura acessível, simpática e “gente como a gente”.
Esse perfil “camaleoa” é o sonho de consumo dos diretores da ViU. A ideia é que Ticiane não seja apenas uma apresentadora de programa, mas uma embaixadora de marcas dentro da programação da Globo, utilizando sua credibilidade para vender desde cosméticos populares até serviços bancários e automotivos.
A contratação, portanto, paga-se quase que automaticamente. O mercado publicitário adora Ticiane, e levá-la para a maior vitrine do país é um movimento que deve inflacionar seu passe e gerar receitas imediatas para o plim-plim, cobrindo qualquer investimento feito em seu salário.
O “Modelo Eliana”: TV Aberta e GNT
Em relação ao conteúdo artístico, a Globo não pretende inventar a roda, mas sim replicar uma fórmula de sucesso recente. A proposta desenhada para Ticiane segue o mesmo modelo oferecido para Eliana quando esta migrou para a casa: um projeto de visibilidade na TV aberta e um programa segmentado no GNT.
O canal a cabo do grupo, focado em comportamento e estilo de vida, namora o passe de Ticiane há anos. Não é um interesse recente. A direção do GNT sempre viu nela a “cara” do canal: elegante, despojada e com trânsito livre entre celebridades, o que facilitaria a produção de programas de entrevistas ou reality shows de decoração e moda.
Na TV aberta, especula-se que Ticiane possa assumir formatos de temporada ou integrar o time de apresentadores de programas de variedades matinais ou vespertinos, trazendo leveza e a tal força comercial que a emissora tanto almeja para suas manhãs ou tardes.
Essa dobradinha “Aberta + Cabo” permite que Ticiane mantenha sua relevância popular enquanto explora um lado mais sofisticado e autoral no GNT, satisfazendo tanto o desejo de massa quanto a necessidade de prestígio artístico que muitos comunicadores buscam nessa fase da carreira.
A Mudança para o Rio e o Fator César Tralli
Entretanto, a saída de Ticiane da Record não foi motivada apenas por novas oportunidades de trabalho, mas por uma reorganização familiar de proporções históricas. A apresentadora vai se mudar definitivamente para o Rio de Janeiro a partir deste mês de janeiro, acompanhando seu marido, o jornalista César Tralli.
Tralli vive o momento mais importante de sua carreira profissional. Ele foi o escolhido pela alta cúpula do jornalismo da Globo para assumir a bancada do Jornal Nacional, em substituição a William Bonner. A saída de Bonner, após 29 anos como rosto e voz do principal telejornal do país, marca o fim de uma era.
A promoção de Tralli exigiu que a família fixasse residência na capital fluminense, onde os estúdios do JN estão localizados. Manter Ticiane em São Paulo, trabalhando na Record, enquanto Tralli ancora o jornal no Rio, seria logisticamente inviável e desgastante para o casal e para as filhas.
Assim, Ticiane parte para o Rio com as duas filhas — uma delas fruto do casamento com o âncora — para iniciar essa nova vida. A Globo, astuta, une o útil ao agradável: acolhe a esposa de seu principal jornalista e ganha um talento comercial incomparável, mantendo a “família real” do jornalismo unida e dentro de casa.
O Fim de um Ciclo de 20 Anos na Record
A transferência encerra um ciclo vitorioso de duas décadas. Ticiane Pinheiro trabalhava na Record desde 2005 e construiu lá toda a sua maturação profissional diante das câmeras. Ela chegou à emissora ainda com o estigma de “filha da Garota de Ipanema”, mas saiu como uma das maiores apresentadoras do país.
Sua trajetória na Barra Funda é rica e diversificada. Começou atuando, integrando o elenco da novela “Cidadão Brasileiro” em 2006. Logo depois, protagonizou um dos momentos mais icônicos da TV brasileira no reality show Simple Life: Mudando de Vida (2007), onde mostrou seu lado cômico e desprovido de vaidade.
Sua ascensão como apresentadora foi gradual e consistente. Comandou o Programa da Tarde entre 2012 e 2015, onde provou segurar o vivo com competência, até se fixar no Hoje em Dia a partir de 2015, tornando-se a alma do programa matinal ao lado de seus colegas.
Agora, em 2026, Ticiane Pinheiro se prepara para o maior desafio de sua vida: conquistar o público da Globo e se reinventar no Rio de Janeiro, enquanto o marido assume a cadeira mais pesada do jornalismo brasileiro. Um “power couple” que promete dominar a mídia nos próximos anos.










