O cenário do SBT em 2026 começa com uma confirmação que, embora esperada, expõe uma ferida aberta no mercado de entretenimento: Danilo Gentili segue reinando absoluto. O apresentador do SBT tem data marcada para retornar com edições inéditas do The Noite no dia 2 de fevereiro. Com o caminho livre, sem concorrentes diretos no formato, Gentili consolida-se como o último bastião do late night show na TV aberta nacional, um gênero que outrora foi disputado a tapa pelas grandes emissoras.
A confirmação da volta de Gentili traz à tona uma discussão inevitável sobre a incapacidade das demais redes de televisão de manterem um talk show diário em suas grades. Com exceção do SBT, que bancou o formato e colhe os frutos há mais de uma década, a concorrência parece ter desistido de um produto que, historicamente, oferece um tripé valioso: audiência fiel, prestígio crítico e alto faturamento publicitário. O The Noite tornou-se uma ilha de relevância em um horário onde as outras emissoras apostam em reprises de novelas, filmes enlatados ou infomerciais religiosos.
Para qualquer TV que se preze, o fim de noite é um horário estratégico para repercutir o dia e gerar conversas para o dia seguinte. O que poderia existir de melhor do que um bom talk show, com entrevistas quentes e humor ácido, no panorama atual? Se existir alguma fórmula mágica superior a essa, os diretores de programação estão escondendo tão bem que ninguém consegue enxergar. Data de hoje, fora os telejornais de fim de noite — que cumprem outra função —, não tem mais nada que preste ou que gere engajamento real nas madrugadas da TV aberta, deixando o campo livre para Gentili nadar de braçada.
Essa hegemonia do SBT no humor noturno é um reflexo de uma estratégia de longo prazo que priorizou a liberdade editorial e a identificação com o público jovem. Enquanto a Globo encerrou o Programa do Jô e falhou em emplacar sucessores longevos no mesmo molde, e a Record transformou suas tentativas em programas de auditório genéricos, o SBT manteve a essência do talk show clássico. O resultado é um produto que não apenas lidera em diversos momentos, mas que possui uma cauda longa na internet, com cortes de entrevistas viralizando diariamente e gerando receita digital para a emissora de Silvio Santos.
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A Revolução no SBT News: Duplas e Reforços à Tarde
Enquanto o entretenimento noturno segue estável, o departamento de jornalismo do SBT vive uma ebulição positiva. O canal de notícias, SBT News, prepara mudanças significativas em sua grade e estrutura, impulsionadas pelo sucesso de uma cobertura recente que serviu como divisor de águas. Os ataques à Venezuela, que dominaram o noticiário internacional no início do ano, revelaram a força de um talento da casa: Marcelo Casagrande.
O jornalista comandou a cobertura dos conflitos por 12 horas ininterruptas, sozinho, demonstrando uma capacidade de improviso e tradução simultânea que impressionou a direção e o público. Casagrande segurou o “ao vivo” com brilhantismo, traduzindo conteúdos em tempo real e contextualizando a crise geopolítica sem perder o fôlego. Esse desempenho heroico acendeu um alerta na cúpula da emissora: é preciso investir mais no “hard news” e na capacidade de reação rápida.
Por conta disso, o canal viu a necessidade urgente de reforçar sua programação, com um olhar especial para a faixa da tarde. Esse horário é considerado um dos mais competitivos da TV paga e aberta, onde a briga por cada décimo de audiência é feroz. A estratégia desenhada não envolve cortes, mas sim adições. Nenhum jornal atual será encerrado e a emissora garante que nenhum apresentador do elenco atual será demitido. A palavra de ordem é somar.
A grande novidade será a inclusão de novos apresentadores e a aposta no formato de duplas na bancada. O modelo, que vem funcionando muito bem em outros canais de notícias como a GloboNews e a CNN Brasil, traz dinamismo e permite uma troca de ideias mais fluida durante a apresentação. O SBT News entende que, para crescer, precisa humanizar mais o noticiário e criar química entre seus âncoras, transformando o jornal em uma conversa com o telespectador, e não apenas em uma leitura fria de teleprompter.
Fofocalizando em Alta: A Vitória sobre o Cidade Alerta
Outro motivo de celebração nos corredores da Anhanguera é o desempenho do Fofocalizando. O programa de fofocas, muitas vezes criticado no passado por suas constantes mudanças de elenco e formato, parece ter encontrado seu eixo e vive uma fase de estabilidade e crescimento. A direção do SBT está bem satisfeita com os resultados entregues pela atração vespertina, que se tornou uma peça-chave na grade diária.
Embora o programa não saia do terceiro lugar no horário completo de sua exibição — atrás da Globo e da Record na média geral —, a análise minuto a minuto revela vitórias estratégicas importantes. O Fofocalizando tem conseguido uma façanha: segurar o crescimento da Record no começo do Cidade Alerta. Ao barrar a migração de público para o policialesco concorrente nos seus minutos iniciais, o programa de fofocas protege a grade noturna do SBT e evita que a rival dispare na liderança cedo demais.
Além de incomodar a vice-líder, a atração conseguiu algo fundamental para a saúde financeira do horário: afastar-se definitivamente da Band. Houve momentos em que a briga pelo terceiro lugar era acirrada, mas hoje o SBT navega com uma margem de segurança confortável, consolidando seu público fiel que busca notícias de celebridades e entretenimento leve no meio da tarde.
O clima nos bastidores é de otimismo e torcida. Funcionários e a equipe de produção não escondem o desejo de que o Fofocalizando ganhe mais tempo de arte na nova programação da emissora, prevista para ser desenhada ao longo de 2026. A avaliação é que o programa tem potencial para entregar ainda mais se tiver espaço para desenvolver pautas exclusivas e debates mais longos, aproveitando o carisma de seus apresentadores que finalmente encontraram uma sintonia no ar.
Em resumo, o SBT inicia o ano com três pilares fortalecidos: o humor inteligente de Danilo Gentili garantindo o fim de noite, o jornalismo ganhando musculatura e agilidade com novos talentos como Casagrande, e o entretenimento vespertino cumprindo sua missão tática de segurar a audiência. Se as outras emissoras não se mexerem, a TV de Silvio Santos pode surpreender e abocanhar fatias ainda maiores do mercado em 2026.












