A Rede SBT de Televisão vive mais um capítulo de sua montanha-russa na grade de programação, marcada por decisões abruptas e mudanças de última hora que tentam conter a queda de audiência. O mais recente alvo dessa instabilidade é o remake da novela “A Usurpadora”, que deveria ser uma das grandes apostas para as madrugadas do canal. No entanto, com apenas uma semana de exibição, a emissora decidiu aplicar cortes drásticos na trama mexicana, sinalizando que a estratégia original não surtiu o efeito esperado nos números do Ibope.
Originalmente composta por 25 episódios, a versão moderna do clássico está sendo “retalhada” pela edição do SBT para encerrar seu ciclo com menos da metade do conteúdo original. A previsão é que a história chegue ao fim já na madrugada deste sábado, dia 28, totalizando apenas 10 capítulos exibidos. Fontes internas revelam que a rede está condensando cerca de três capítulos originais em apenas um, em um esforço desesperado para liberar o horário e estancar a rejeição do público que não aderiu ao formato no horário tardio.
Essa movimentação reflete a dificuldade histórica do canal em fidelizar o público nas faixas periféricas da programação. Com o encerramento precoce de “A Usurpadora”, a decisão da alta cúpula até o momento é descontinuar o horário dedicado à dramaturgia nas madrugadas. O espaço deixado pela produção mexicana será ocupado pelo jornalismo, com a ampliação do “SBT Notícias”, buscando um conteúdo mais dinâmico e factual para tentar recuperar a relevância comercial e a atenção dos telespectadores que ainda consomem TV aberta nesse período.
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Troféu Imprensa 2026: Patrícia Abravanel e Celso Portiolli Comandam Mudanças
Apesar das crises na dramaturgia, o SBT prepara novidades para uma de suas marcas mais tradicionais: o Troféu Imprensa. Com gravação agendada para o dia 15 de abril, a premiação deste ano não será apenas uma repetição do que o público está acostumado a ver há décadas. Sob a liderança de Patrícia Abravanel e Celso Portiolli, o formato passará por alterações significativas em sua estrutura, visando modernizar a entrega e atrair uma audiência mais jovem e conectada com as redes sociais.
A grande novidade para a edição de 2026 é a abertura para talentos de outras casas. Embora Patrícia e Celso sigam como os anfitriões principais, o SBT está em conversas avançadas e negociações em curso para convidar contratados de emissoras concorrentes para apresentarem categorias específicas. Essa estratégia de intercâmbio entre redes é vista como um movimento ousado de diplomacia televisiva, algo que quebra a antiga rigidez das exclusividades contratuais e coloca a premiação em um patamar de “festa da TV brasileira”.
Essa renovação no Troféu Imprensa é uma tentativa direta de revitalizar a marca após a ausência de Silvio Santos no comando direto. Ao trazer rostos conhecidos de outros canais, o SBT espera gerar um burburinho midiático sem precedentes, transformando a gravação em um evento de gala que domine os assuntos mais comentados da internet. A ideia é manter o prestígio da estatueta, mas com um ritmo de programa de variedades moderno, focado no entretenimento puro e na celebração conjunta da indústria audiovisual.
O Fim da Dramaturgia na Madrugada e o Retorno do SBT Notícias
A decisão de cancelar a faixa de novelas na madrugada e apostar no “SBT Notícias” não é apenas uma mudança de grade, mas uma confissão de que o entretenimento ficcional não está conseguindo segurar o público no horário. O retorno do jornalismo intensivo nas madrugadas atende a uma demanda de anunciantes que preferem atrelar suas marcas a conteúdos informativos, considerados mais seguros e estáveis em termos de entrega de audiência qualificada para o período.
O desmonte de “A Usurpadora” serviu como um termômetro negativo para a diretoria de programação. A análise interna apontou que o público fiel de novelas mexicanas prefere o formato clássico nas tardes, e que a versão remake, por ser mais curta e densa, não encontrou seu nicho no silêncio da noite. Com isso, o jornalismo volta a ser o pilar de sustentação da emissora entre o final da noite e o início da manhã, oferecendo um giro de notícias que teoricamente exige menos investimento em direitos de imagem do que produções internacionais.
Especialistas em TV afirmam que essa instabilidade constante na grade — o famoso “tira e põe” de programas — acaba prejudicando a imagem do SBT perante o telespectador mais conservador. No entanto, a nova gestão parece disposta a correr esse risco em nome de um ajuste fino que priorize o faturamento imediato. O “SBT Notícias” terá o desafio de ser ágil o suficiente para não deixar o público migrar para os canais de notícias 24 horas da TV paga ou para o streaming, mantendo a tradição do canal de prestar serviço comunitário.
O Futuro de Abril: Reestruturação e Busca por Novos Formatos
Abril promete ser um mês divisor de águas para a emissora da família Abravanel. Além das mudanças na madrugada e das inovações no Troféu Imprensa, o canal estuda novas frentes para o horário nobre. A ideia é que, com a economia gerada pelo corte de produções que não performam, a Band consiga investir em novos formatos de auditório ou reality shows que tragam frescor à programação. A pressão por resultados é grande, especialmente diante do crescimento das plataformas digitais que competem diretamente pelo tempo do brasileiro.
O mercado publicitário acompanha com atenção esses movimentos. A instabilidade pode ser um sinal de alerta, mas também uma oportunidade para novos tipos de merchandising e parcerias. O SBT busca agora um equilíbrio entre a sua essência popular e a necessidade de se tornar tecnologicamente e visualmente mais atraente. A aposta em Patrícia Abravanel e Celso Portiolli como os rostos dessa transição mostra que o canal confia em sua “prata da casa” para navegar nessas águas turbulentas da reestruturação.
Com a data de 15 de abril marcada para a gravação do Troféu Imprensa e o encerramento de “A Usurpadora” neste final de semana, o SBT entra em um modo de “operação total”. O telespectador verá uma emissora tentando se reinventar em tempo real, testando fórmulas e ajustando o foco conforme a resposta do Ibope. Se essas mudanças serão definitivas ou apenas mais um paliativo, só o tempo e os números de audiência dirão, mas uma coisa é certa: o SBT de abril não será o mesmo de março.






