Os executivos e programadores das principais redes de televisão aberta estão enfrentando dias de forte preocupação com o streaming nos bastidores com a aproximação da propaganda eleitoral gratuita. Com início confirmado para o dia 28 de agosto, o horário político traz de volta o temor de uma fuga expressiva de público para as plataformas digitais, repetindo o movimento de queda nos índices de TV que se intensificou no período eleitoral de 2022.
O grande problema para a montagem da grade não se resume apenas aos dois blocos diários e obrigatórios exibidos no horário do almoço e no horário nobre. As emissoras estão sendo obrigadas a se desdobrar internamente para aumentar o volume de intervalos comerciais ao longo de toda a programação, da faixa das 5h até a meia-noite, período em que os reclames dos candidatos precisam obrigatoriamente ir ao ar.
- O fantasma do streaming: Na avaliação de executivos do setor, a enxurrada de propaganda política na TV aberta atuará como um catalisador para acelerar ainda mais o crescimento das plataformas de streaming.
- Números que assustam: O consumo de conteúdo digital já registra índices de audiência superiores à soma dos números de Record e SBT. Em vários dias da semana, as plataformas conseguem, inclusive, superar o total de telespectadores da Globo.
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A Incoerência na Aferição do Ibope
Enquanto a televisão aberta tenta proteger seus índices da concorrência com o digital, o próprio modelo de medição do Ibope se tornou alvo de questionamentos contundentes no mercado. O jornalista Flávio Ricco criticou a metodologia atual do instituto, apontando que a empresa insiste em apresentar os números individualizados de cada canal de TV aberta, mas opta por somar os dados das plataformas de streaming e canais pagos em um único bloco.
Para o colunista, a forma como o Ibope divulga seus relatórios é injusta, incoerente e das mais equivocadas. A principal cobrança gira em torno da transparência dos dados: se o instituto possui condições técnicas de somar os números, significa que tem acesso aos resultados específicos de consumo de cada serviço, como Netflix, Globoplay e Prime Video.
- Falta de clareza: Fica o questionamento do motivo de apenas Globo, Record, SBT e Band terem seus desempenhos diários expostos publicamente, enquanto os números individuais do streaming e da TV por assinatura são ocultados do mercado.
- As distorções no ranking: Não há lógica em relatar que as emissoras abertas perderam para o “streaming” em determinado horário sem identificar qual plataforma foi a verdadeira vencedora da disputa. A divulgação individual, nem que fosse por uma semana ao mês, reduziria leituras erradas sobre o consumo de mídia.
- Inércia das redes: Ricco aponta que as emissoras abertas não estão tomando atitudes concretas para cobrar o instituto e impedir essa e outras distorções no Ibope.
Novelas, Esportes e Jornalismo: Os Acertos e Trocas na Mídia
Apesar do alerta geral com a medição e com o horário político, os dados recentes revelam que produtos consolidados seguem mostrando força nas tabelas de audiência. Na TV aberta, a novela das 21h da Globo, Quem Ama Cuida, superou o seu início mambembe e engrenou de vez nos números. A trama de Walcyr Carrasco chegou aos 25,15 pontos de média no Painel Nacional de Televisão (PNT), alcançando um volume aproximado de 21,9 milhões de brasileiros assistindo simultaneamente ao folhetim.
Na TV por assinatura, o início das sabatinas presidenciais deu um novo fôlego à GloboNews. Com a entrevista do candidato Renan Santos, mediada por Andréia Sadi e Natuza Nery, o jornalístico Estúdio i marcou pico de 0,75 ponto no PNT — uma das melhores marcas do canal nos últimos meses.
- Corte no esporte da Band: Na contramão dos altos investimentos, a Band recuou na grade de sábado. A ampliação do Band Esporte Clube para a faixa das 11h durou apenas duas semanas por questões orçamentárias de bastidores, fazendo o programa voltar a ser exibido somente após o meio-dia.






