A tragédia envolvendo a brasileira Juliana Marins, encontrada morta após uma queda durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, ganha novos e dolorosos capítulos. A família da jovem enfrenta agora dificuldades no translado do corpo para o Brasil, além de desdobramentos na vaquinha online que arrecadou fundos para o alpinista voluntário que auxiliou no resgate.
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Descaso da Emirates no Translado do Corpo de Juliana Marins para o Brasil
Mariana Marins, irmã de Juliana, usou as redes sociais para desabafar sobre o que chamou de “descaso” da companhia aérea Emirates. Segundo Mariana, o translado do corpo de Juliana para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, já estava confirmado, mas a empresa em Bali informou que o “bagageiro do voo ficou lotado”, impedindo o embarque.
“Estamos tentando confirmar o voo que trará Juliana para o Brasil… É descaso do início ao fim. Precisamos da confirmação do voo da Juliana urgente. Precisamos que a Emirates se mexa e traga Juliana pra casa”, clamou a família. Mariana reforçou a indignação, pedindo que o tratamento inadequado com a memória de sua irmã chegue ao fim.
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Vaquinha para Alpinista Voluntário é Cancelada Após Polêmica
A mobilização online para arrecadar fundos para Agam, o alpinista voluntário que participou do resgate do corpo de Juliana, foi cancelada neste domingo (29/6). A vaquinha, que havia acumulado R$ 522 mil, teve seus valores integralmente devolvidos aos doadores.
A decisão veio após questionamentos de internautas sobre uma taxa administrativa de 20% sobre os recursos arrecadados, percentual que a plataforma Voaa, responsável pela arrecadação, afirma ter sido previamente informado. Em comunicado, a Razões para Acreditar e a Voaa explicaram que a taxa reflete um modelo de operação que vai além da simples plataforma, e garantiram a devolução automática dos valores aos meios de pagamento originais nesta segunda-feira, 30 de junho.
Agam, que machucou a perna na missão, planejava dividir o valor com os outros sete voluntários que o ajudaram a descer 590 metros de penhasco sob condições climáticas adversas e com escassez de alimentos. “Na hora que desci, sabia que talvez não tivesse volta. Mas ela não podia ficar lá sozinha”, relatou o alpinista, que chegou a passar a noite ao lado do corpo de Juliana, preso a uma rocha.
Pai de Juliana Culpa Parque e Guia por Negligência
Manoel Marins, pai de Juliana, responsabilizou o parque e o guia turístico que acompanhava sua filha pela morte da jovem. Segundo ele, o protocolo de resgate adotado pelo parque foi “inadequado”, e a Defesa Civil da Indonésia deveria ter sido acionada imediatamente. Manoel acredita que, se os procedimentos corretos tivessem sido seguidos, Juliana ainda estaria viva.
O pai da publicitária carioca também apontou falha grave por parte do guia turístico. Ele alegou que o profissional deixou Juliana sozinha por um curto período para “fumar”, e ao retornar, não a encontrou. A comunicação do guia com a chefia e, posteriormente, com o parque, resultou no acionamento de uma “brigada de primeiros socorros” que, segundo Manoel, não possuía equipamentos nem condições adequadas para o resgate. A Defesa Civil só foi acionada posteriormente, e ao chegar, Juliana já não estava mais no local, suspeita-se que tenha caído cerca de 600 metros na cratera do vulcão.
“Ele [coordenador do parque] demorou a acionar a Defesa Civil. Em momento algum, reconheceu o erro. Em momento algum pediram perdão para nós”, desabafou Manoel. Ele também questionou a certificação do guia, que teria admitido não possuí-la. “Eles não estão nem aí. Não se sentem culpados”, concluiu o pai, em entrevista ao programa Fantástico.






