O SBT está em plena fase de metamorfose, e o palco principal dessa transformação é o horário nobre. Após mais de uma década dedicada com exclusividade à dramaturgia infantil – um nicho que garantiu uma base de fãs fiéis, mas que também limitou seu alcance em outras faixas etárias –, a emissora de Silvio Santos anuncia uma guinada estratégica.
O objetivo ambicioso? Atrair o público adulto com um novo núcleo de séries curtas, que prometem tramas envolventes e, surpreendentemente, uma inspiração direta nos populares doramas.
Essa iniciativa não é apenas uma mudança pontual, mas sim um passo calculado para uma transformação gradual em toda a programação noturna do canal. O SBT parece ter percebido a necessidade de diversificar seu conteúdo e oferecer algo novo para uma audiência que busca histórias mais maduras e complexas.
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“Quem Vai Ficar com Mamãe?”: A Primeira Aposta para 2026
A vanguarda dessa nova era já tem nome e data para começar. A primeira série, batizada de “Quem Vai Ficar com Mamãe?”, já está em fase de produção. As leituras de texto tiveram início na segunda-feira, 30 de junho, sob a batuta de Ricardo Mantoanelli, que comanda a dramaturgia da emissora. A expectativa é que as gravações comecem ainda em julho de 2025, mirando uma estreia ambiciosa para o início de 2026.
O elenco escolhido para essa primeira empreitada reforça o peso da nova aposta. Nomes conhecidos do público, como Lidi Lisboa, Joaquim Lopes e Juliano Laham, foram escalados para a produção. Todos eles trazem em seus currículos passagens por grandes emissoras como Globo e Record, o que adiciona um calibre de reconhecimento e experiência ao projeto.
Além deles, as talentosas atrizes Juliana Knust e Mariana Molina também farão parte da equipe, enriquecendo ainda mais o time. O roteiro, ponto crucial para o sucesso da trama, está nas mãos de Alexandre Teixeira, um roteirista que, curiosamente, já tem experiência com as novelas infantis do canal, o que pode trazer uma perspectiva interessante para a transição de público.
Expansão e Desafios da Nova Estratégia
“Quem Vai Ficar com Mamãe?” é apenas o começo. Conforme informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, o SBT já tem outras sinopses em fase de avaliação. Isso indica que a emissora pretende aquecer o horário nobre com um fluxo contínuo de histórias inéditas, criando um novo hábito no telespectador.
A grande decisão sobre a produção de uma nova novela tradicional em 2026 dependerá, e muito, da audiência que essas primeiras séries curtas conseguirem cativar. É um teste de fogo que definirá os próximos passos da dramaturgia adulta no canal.
Essa mudança de rota surge em um momento em que a emissora enfrentava desafios significativos para atrair o público com suas novelas. Nos últimos anos, mesmo as produções destinadas ao público infantojuvenil, que antes eram um porto seguro, não apresentaram o mesmo brilho de antes.
Exemplos recentes como “A Infância de Romeu e Julieta” (2023) e a recém-lançada “A Caverna Encantada” foram, infelizmente, considerados fracassos de público, indicando que a fórmula anterior já não garantia mais o retorno esperado. Isso reforça a urgência e a necessidade dessa nova aposta no conteúdo adulto e mais dinâmico.
O Digital Mantém o Foco Jovem
Apesar da guinada para o público adulto na TV aberta, o SBT não abandonará sua forte conexão com o público jovem e infantojuvenil. Essa audiência continuará sendo o foco principal no ambiente digital. A série “Refollow”, por exemplo, já foi totalmente gravada e terá sua exibição exclusiva na TV Zyn, um projeto do canal voltado especificamente para jovens no YouTube.
Essa estratégia dual permite que a emissora explore novos mercados na televisão tradicional, enquanto consolida sua presença e influência no universo digital junto ao seu público cativo mais jovem.
Em suma, o SBT embarca em uma jornada ambiciosa e cheia de desafios. A aposta nas séries curtas inspiradas em doramas para o horário nobre adulto é uma tentativa ousada de revitalizar sua grade e atrair uma nova fatia de espectadores, ao mesmo tempo em que mantém sua relevância nas plataformas digitais. O sucesso dessa empreitada pode redesenhar não apenas o perfil de sua audiência, mas também o futuro de sua programação dramática nos próximos anos.










