Uma notícia que vinha sendo especulada nos bastidores da televisão brasileira agora é uma certeza: o SBT não terá mais um departamento próprio de teledramaturgia. A cúpula da emissora fundada por Silvio Santos bateu o martelo e decidiu encerrar as atividades do setor já a partir do próximo mês, mais precisamente no dia 4 de agosto, com o término das gravações da série “Quem Vai Ficar com Mamãe?”.
Os funcionários do departamento já foram avisados da descontinuidade definitiva do núcleo. No entanto, essa decisão não significa o fim das produções de seriados, novelas e outros produtos do gênero no canal, mas sim o início de uma nova e estratégica fase.
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O Anúncio Oficial: Uma Decisão Estratégica
A informação, inicialmente apurada pelo portal TV Pop, revela que a emissora de Silvio Santos está passando por uma profunda reestruturação. O encerramento do departamento de teledramaturgia é uma medida drástica, mas vista como necessária pela nova gestão.
A decisão foi formalizada no início do mês, quando Rinaldi Faria assumiu a superintendência de criação e conteúdo. Braço direito de Daniela Beyruti, Rinaldi defende que o SBT precisará adotar diversas medidas de austeridade para garantir sua sustentabilidade financeira, e o fim da produção interna de dramaturgia é apenas a primeira delas.
Em um comunicado oficial posterior, o SBT confirmou: “O SBT está dando seguimento às ações de reestruturação já previstas anteriormente no departamento de teledramaturgia e novas ações serão anunciadas no momento oportuno.”
O Novo Modelo de Negócios: Terceirização e Parcerias
Com o fim da produção própria, o SBT passará a seguir um modelo de negócios já adotado por outras emissoras, como a Record. A rede deixará de ter um núcleo de dramaturgia interno e passará a servir apenas como exibidor de produtos.
Isso significa que novelas e séries serão produzidas por terceiros, ainda que sob encomenda da própria emissora e de eventuais parceiros. Essa mudança representa uma flexibilização nos custos de produção e uma aposta em parcerias estratégicas para manter o conteúdo de dramaturgia no ar sem o peso de uma estrutura interna robusta.
A Bomba: SBT e Disney Juntos em Novela de 2026
A grande novidade que acompanha essa reestruturação é o anúncio iminente de um acordo de peso: o SBT e a Disney se unirão para a produção de uma novela em 2026. Segundo fontes bem posicionadas, as duas gigantes dividirão os custos e eventuais lucros da produção.
A trama será entregue a uma produtora terceirizada, que utilizará os estúdios do SBT para as gravações. Essa parceria é um marco, pois a Disney demonstra um interesse crescente em turbinar seu serviço de streaming com conteúdos nacionais, e a novela do SBT pode ser uma primeira janela de exibição para a multinacional.
A relação entre SBT e Disney não é nova, mas a natureza dessa nova parceria é diferente. Atualmente, as empresas já colaboram em “A Caverna Encantada”, onde o SBT entrega um produto pronto para a Disney, que apenas sublicencia os capítulos já exibidos na televisão.
Nesse formato, o conglomerado do Mickey Mouse não tem influência na produção. A nova novela de 2026, no entanto, seguirá um modelo de coprodução, semelhante ao que aconteceu com “A Infância de Romeu e Julieta”, que foi realizada em parceria com o Prime Video. Essa mudança indica um envolvimento muito maior da Disney no processo criativo e financeiro.
O Cenário Financeiro e o Fracasso de “A Caverna Encantada”
A decisão de encerrar o departamento de teledramaturgia não é aleatória; ela está diretamente ligada à delicada situação financeira que o SBT atravessa e ao desempenho de suas últimas produções. Embora “A Infância de Romeu e Julieta”, apesar de uma audiência considerada insatisfatória, tenha sido uma produção superavitária para a nova realidade do mercado audiovisual brasileiro, o mesmo não pode ser dito de “A Caverna Encantada”.
O insucesso comercial deste último folhetim, que não conseguiu gerar lucro nem mesmo com o licenciamento de produtos, foi um fator determinante para a decisão da emissora. A cúpula do SBT avaliou que outro fracasso de porte similar poderia ser fatal para as finanças da emissora, que segue enfrentando uma complexa reestruturação. A busca por modelos mais enxutos e parcerias estratégicas visa mitigar os riscos financeiros e garantir a saúde econômica do canal a longo prazo.
Demissões e Reestruturação: O Impacto nos Funcionários
A mudança de modelo, naturalmente, tem um custo humano significativo. Para evitar retaliações de sindicatos, o SBT optou por uma demissão escalonada dos funcionários do núcleo de teledramaturgia. Os primeiros cortes, realizados nesta terça-feira (15) e quarta-feira (16), atingiram colaboradores que atuavam em áreas como cenografia, maquiagem e figurino.
Ariel Moshe, um profissional com mais de 50 anos de carreira e que atuava como diretor de elenco desde a novela “Corações Feridos” (2010, exibida em 2012), foi um dos nomes dispensados nessa primeira leva.
É importante lembrar que, em junho, o site TV Pop já havia antecipado a dispensa de outros 50 colaboradores da área, embora, naquele momento, o encerramento do setor ainda fosse apenas uma hipótese.
A rede, durante o processo de dispensa, sinalizou que o momento não representa o fim das produções de dramaturgia, mas sim um “novo começo”. Há, inclusive, uma promessa de que os colaboradores demitidos serão recomendados para atuar com as produtoras que assumirem os produtos da área.
Essa tentativa de mitigar o impacto das demissões busca oferecer uma perspectiva de continuidade profissional para os talentos que contribuíram para a história da teledramaturgia do SBT.
O Momento Dourado da Dramaturgia Nacional: Da TV Aberta ao Streaming
A teledramaturgia brasileira vive, atualmente, um período de grande efervescência e reconhecimento, com investimentos crescentes e resultados notáveis em diversas plataformas. Na TV aberta, a ficção continua sendo um pilar fundamental, justificando os vultosos investimentos, o alto volume de produção e a forte resposta do mercado comercial.
No entanto, é no universo do streaming que a produção nacional tem ganhado um impulso notável, com plataformas reconhecendo a demanda do público por histórias de alta qualidade e a necessidade de expandir sua exibição, inclusive para a televisão aberta, visando um alcance ainda maior.
O bom momento da dramaturgia brasileira no streaming é inegável, com diversas produções se destacando. “Guerreiros do Sol”, disponível no Globoplay, é um exemplo primoroso. Inspirada no universo de Lampião e Maria Bonita, a série, com texto de George Moura e Sergio Goldenberg, inova ao narrar a história sob a perspectiva de Rosa, personagem interpretada por Isadora Cruz.
No Disney+, “Maria e o Cangaço” oferece uma performance marcante de Isis Valverde, mesmo com uma divulgação mais discreta. A Netflix também contribui significativamente com produções como “DNA do Crime 2”, estrelada por Maeve Jinkings, Thomás Aquino e Letícia Tomazella, que se destaca por múltiplos motivos, assim como “Rensga Hits! 3”.
Esses exemplos demonstram que, seja na TV aberta ou nas plataformas digitais, a produção de dramaturgia nacional atinge um patamar de excelência em volume e qualidade. Isso não apenas reflete a capacidade do Brasil em criar e executar narrativas complexas e envolventes, mas também reforça a relevância do setor audiovisual como um todo.
O Futuro da Dramaturgia no SBT: Um Novo Começo?
O fim do departamento de teledramaturgia do SBT marca o encerramento de uma era de produções que cativaram gerações de brasileiros, especialmente no segmento infanto-juvenil. No entanto, a parceria com a Disney e a adoção de um modelo de terceirização indicam que a emissora não pretende abandonar o gênero.
Pelo contrário, busca uma forma mais eficiente e financeiramente viável de continuar oferecendo conteúdo de ficção. Os entraves burocráticos que ainda impedem a oficialização da parceria com a Disney são vistos como naturais para uma negociação desse porte.
O futuro da dramaturgia no SBT, portanto, será moldado por essas novas alianças e por uma gestão mais focada na otimização de recursos, prometendo um “novo começo” para as novelas e séries do canal.








