SBT e Record, hoje, estão navegando em direções opostas. Enquanto o SBT, sob a gestão de Daniela Beyruti, promove uma verdadeira revolução interna, a Record enfrenta uma crise de audiência e programação que acende um alerta vermelho nos bastidores.
Essa dicotomia de momentos deve se tornar ainda mais evidente no SetExpo 2025, principal evento de tecnologia e mídia da América Latina, que reunirá os principais executivos do setor. O debate sobre o futuro da mídia colocará lado a lado as estratégias de cada canal, expondo quem está ditando o ritmo das mudanças e quem corre para apagar incêndios.
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A Faxina e a Nova Cara do SBT
A gestão de Daniela Beyruti no SBT tem sido marcada por uma reestruturação profunda e, por vezes, implacável. As recentes demissões de diretores de alto escalão, como Vicente Varela (Comercial) e Marluce Cavalcante (Jurídico), são apenas a ponta do iceberg. Nos bastidores, a informação é que a “faxina” está longe de acabar, com outros nomes na mira e investigações em andamento no setor de compliance.
Mas a mudança não se resume a cortes. A emissora está se movimentando para trazer novos talentos e renovar seus quadros. A experiente diretora Leonor Corrêa foi contratada para assumir o comando do “Aqui Agora”, um projeto que busca resgatar a força do jornalismo popular do canal. Ao mesmo tempo, talentos da casa, como Allan Rapp, passam por uma readequação de contrato, migrando para o modelo PJ para liderar novos projetos secretos.
Essa estratégia de enxugar a máquina, investigar problemas internos e, simultaneamente, investir em novos nomes e formatos mostra uma liderança decidida a romper com o passado. O SBT também fez questão de esclarecer ao mercado que não vendeu nenhuma de suas emissoras, mas sim buscou parcerias estratégicas para fortalecer a produção de conteúdo local e aumentar sua relevância regional.
A novela infantil “A Caverna Encantada” já tem data para terminar, encerrando sua jornada com 287 capítulos no dia 5 de setembro, abrindo espaço na grade para as novidades que estão por vir. A mensagem é clara: o SBT está se reorganizando de dentro para fora, preparando o terreno para uma nova era de competitividade.
A Aposta em Boninho e o Futuro da Programação
A maior e mais ousada aposta do SBT para essa nova fase é, sem dúvida, a parceria com a Disney para a produção do “The Voice”. O projeto marca a primeira experiência de Boninho, o todo-poderoso ex-diretor de realities da Globo, fora de sua emissora de origem. O mercado observa atentamente, pois o sucesso dessa empreitada pode abrir portas para Boninho em outros canais, incluindo a própria Record.
Para o SBT, o “The Voice” é mais do que um grande formato; é um teste de fogo. O desempenho do reality será o termômetro que determinará se outros projetos ambiciosos, como a tão falada “Casa do Patrão”, finalmente sairão do papel. A chegada de Boninho representa um selo de qualidade e uma injeção de know-how que pode transformar a produção de entretenimento da casa.
Além dos grandes realities, a emissora planeja retomar a produção de dramaturgia, mas de uma forma diferente. A ideia é começar com séries curtas, testando a receptividade do público e se adaptando às novas formas de consumo de ficção. É um passo cauteloso, mas estratégico, que sinaliza a intenção de voltar a ser um player relevante na produção de novelas e séries.
Essa combinação de um reality show de peso, comandado por um nome incontestável, com um plano de retomada gradual da dramaturgia, posiciona o SBT de forma agressiva no mercado. A emissora mostra que não quer ser apenas uma coadjuvante, mas sim uma protagonista na briga pela preferência do telespectador.
Record em Crise: Buracos na Grade e Queda de Audiência
Enquanto o SBT vive uma ebulição de novos projetos, a Record enfrenta uma fase de grandes dificuldades. O game show “Game dos 100” se consolidou como um fracasso de audiência, criando um buraco na programação e afetando negativamente tudo o que vem depois. A situação é tão crítica que a emissora colocou duas sessões de cinema para tentar estancar a sangria nos números.
O problema, no entanto, se espalha e atinge até mesmo o principal produto da casa no segundo semestre: “A Fazenda 17”. O desempenho ruim do “Game dos 100” gera incertezas sobre como será a edição de domingo do reality. A direção ainda não decidiu se manterá o formato do ano passado ou se apostará em um programa ao vivo, o que impactaria toda a logística de produção, incluindo a gravação da Prova de Fogo.
Como se não bastasse, a audiência da faixa nobre sofreu um baque significativo após o fim da novela turca “Força de Mulher”. A série bíblica que a substituiu não conseguiu segurar o público e perdeu metade da audiência, registrando uma média de apenas 5,4 pontos. Essa queda beneficiou diretamente a concorrência, permitindo que “Vale Tudo”, na Globo, se recuperasse e que o próprio SBT crescesse no horário.
A Record se vê, portanto, em uma encruzilhada. Com um programa fracassado impactando seu principal reality e uma queda brusca de audiência em um horário crucial, a emissora precisa encontrar soluções rápidas e eficazes para não perder ainda mais terreno na acirrada disputa pela vice-liderança.












