A grande aposta do SBT para a sua linha de shows naufragou de forma retumbante. A tão aguardada estreia do The Voice Brasil, marcando a primeira grande empreitada de Boninho fora da TV Globo, foi um fracasso de audiência e não conseguiu sequer fazer cócegas na concorrência. Longe de representar uma ameaça, o reality musical amargou um humilhante terceiro lugar, sendo superado com folga pela Record e registrando a pior performance de toda a sua longa história na televisão brasileira.
Demitido da Globo há quase um ano, Boninho viu seu retorno ser ofuscado por números desanimadores que validaram a decisão de sua antiga emissora de cancelar o formato. A estreia conseguiu a proeza de ter menos público que o Programa do Ratinho, que ocupava a faixa nas semanas anteriores, e não foi páreo para a reta final de A Fazenda 17. O resultado acende um alerta vermelho no SBT e coloca em xeque o futuro de uma de suas mais caras produções.
Em uma noite que deveria ser de celebração, os dados prévios de audiência da Grande São Paulo pintaram um cenário desolador. A atração não apenas falhou em atrair novos espectadores, como também espantou parte do público fiel da emissora. A análise detalhada dos números revela a dimensão do desafio que o SBT e Boninho terão pela frente para tentar salvar a temporada de um vexame ainda maior.
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Os Números da Derrota: 3º Lugar e a Pior Média da História
A estreia da 13ª temporada do The Voice Brasil cravou uma média de apenas 3,75 pontos na Grande São Paulo. Para dar uma dimensão do que isso representa, cada ponto equivale a 199.313 indivíduos, o que significa que o programa foi assistido por uma média de aproximadamente 747 mil pessoas na principal metrópole do país. Esse índice garantiu ao reality a preferência de apenas oito em cada 100 televisores ligados durante sua exibição.
A trajetória da audiência durante o programa revela uma falta de capacidade de reter o público. O pico foi obtido justamente em seu primeiro minuto no ar, às 22h48, quando marcou 4,75 pontos. A partir daí, a tendência foi de queda livre. Em seu pior momento, já na madrugada, à 0h13, o reality registrava meros 3,06 pontos, evidenciando que os espectadores abandonaram a atração ao longo da noite.
Este desempenho é, sem sombra de dúvidas, o pior de toda a história da franquia no Brasil. A marca é insatisfatória até mesmo para os padrões atuais do SBT, que enfrenta uma crise histórica de audiência. Considerando as 12 edições com adultos exibidas na Globo, além das oito temporadas da versão com crianças e duas com idosos, a estreia sob o comando de Boninho no SBT cravou o recorde negativo absoluto do formato.
Engolido pela Fazenda e pela Globo: O Desempenho da Concorrência
Enquanto o The Voice Brasil lutava para manter seu público, a concorrência navegava em águas tranquilas. Durante todo o período de sua exibição, das 22h48 à 0h18, o reality do SBT não conseguiu superar a Record em nenhum minuto. A emissora de Edir Macedo, exibindo a reta final de mais um episódio de A Fazenda 17, consolidou a vice-liderança com uma média de 6,00 pontos, o que equivale a cerca de 1,2 milhão de espectadores.
A liderança isolada, como de costume, ficou com a TV Globo. No confronto direto, a antiga casa de Boninho marcou impressionantes 11,89 pontos de média, totalizando aproximadamente 2,37 milhões de indivíduos. A emissora carioca exibia a grande final da segunda temporada do Estrela da Casa, seguida pela sessão de filmes Tela Quente, uma programação forte que não deu chances para a concorrência.
Completando o ranking das principais emissoras, a Band ficou em um distante quarto lugar. Exibindo o programa Galvão e Amigos e o Jornal da Noite, a emissora marcou 1,07 ponto de média, o que representa cerca de 213 mil espectadores. Os números deixam claro que a estreia do The Voice não conseguiu atrair nem mesmo o público disperso das outras redes.
A Sombra do Ratinho: Uma Comparação Dolorosa com o Antecessor
Talvez o dado mais preocupante para o SBT seja a comparação do The Voice com a atração que o antecedia na mesma faixa. Nas quatro segundas-feiras anteriores, o Programa do Ratinho havia acumulado uma média de 4,7 pontos, mesmo enfrentando diretamente o reality A Fazenda 17. Isso significa que a estreia do reality musical derrubou a audiência da emissora em 20%, perdendo um a cada cinco telespectadores que sintonizavam no canal.
Em números absolutos, Ratinho garantia uma média de 937 mil espectadores, quase 200 mil a mais do que o novo programa de Boninho. A situação é ainda mais grave ao se notar que o The Voice sequer conseguiu manter os números do quadro Dez ou Mil, que era exibido dentro do programa de auditório e que agora foi deslocado para o ingrato embate com a novela Vale Tudo, da Globo.
Essa comparação direta mostra que a aposta em um formato caro e consagrado não apenas falhou em atrair novo público, como também afastou uma parcela significativa da audiência que já era cativa do SBT naquele horário. O programa não conseguiu criar um fato novo relevante o suficiente para justificar a mudança na grade de programação.
Um Investimento Caro para um Retorno Baixo
O fracasso da estreia se torna ainda mais evidente quando se considera o custo de produção. Um formato internacional como o The Voice Brasil exige um investimento muito superior ao de produções internas da emissora. A ironia é que o reality conseguiu a proeza de ter menos público do que três episódios do No Alvo, um programa de entrevistas comandado por uma inteligência artificial e que custava uma fração do valor aos cofres do SBT.
Essa discrepância entre custo e benefício é um sinal de alerta para a gestão do canal. A decisão de reviver um formato que foi cancelado pela Globo justamente por seu “baixo rendimento comercial e de ibope” já era vista como arriscada. Os números da estreia parecem confirmar que a emissora carioca estava correta em sua avaliação: o formato, ao que tudo indica, sofre de um desgaste natural e já não possui o mesmo apelo de antes.
Para o SBT, que já enfrenta uma longa e delicada crise de audiência, apostar em um projeto tão caro com um retorno tão baixo pode ser um erro estratégico difícil de reverter. A emissora agora se vê na obrigação de repensar sua estratégia para a linha de shows, enquanto Boninho enfrenta o primeiro grande revés de sua carreira fora do guarda-chuva da Globo. A cadeira virou, mas, ao que parece, para a audiência errada.










