Nos seus últimos capítulos, o remake de “Vale Tudo” conseguiu resgatar um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira, e da Globo, parando o país com a pergunta que marcou uma geração: “Quem matou Odete Roitman?”. A novela se tornou o assunto principal nas rodas de conversa e nas redes sociais, com todas as atenções voltadas para o desfecho do icônico mistério. O suspense atingiu um nível tão alto que bolsas de apostas foram criadas e o tema ganhou uma cobertura semelhante à das pesquisas eleitorais no “Fantástico”.
A repercussão da trama foi tão significativa que extrapolou a tela da TV. A TV Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba que tem o executivo Boni como acionista, preparou uma ação especial para a noite de sexta-feira em um shopping de São José dos Campos, a partir das 19h. O evento convoca o público a participar da onda e tentar adivinhar o assassino da vilã, demonstrando a força cultural que a história ainda possui.
Do ponto de vista estratégico, a escolha de “Vale Tudo” para um remake foi considerada por muitos como uma das mais acertadas da Globo nos últimos anos. A novela manteve uma audiência bem regular ao longo de sua exibição e gerou uma repercussão que atendeu com sobras às expectativas da emissora. Este foi um sucesso que a Globo precisava para o horário das 9 da noite, podendo servir como um ponto de partida para a recuperação definitiva de sua dramaturgia na faixa mais nobre.
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Fidelidade ou Descaracterização? As Duras Críticas ao Trabalho de Manuela Dias
Apesar do inegável sucesso de público e do buzz gerado, a percepção sobre a qualidade do remake de “Vale Tudo” está longe de ser unânime. Enquanto uma parte do público aponta que o trabalho da autora Manuela Dias manteve obediência e fidelidade ao texto original de Gilberto Braga, uma outra corrente de críticas contesta veementemente essa visão, apontando graves problemas na adaptação.
Diferentemente da visão de fidelidade, a nova versão da novela não foi fiel à obra original, o que gerou insatisfação em diversas frentes. A adaptação recebeu críticas contundentes do viúvo de Gilberto Braga, o que confere um peso significativo à controvérsia. Além disso, nas redes sociais, o público não perdoou e apontou inúmeros furos no roteiro, destacando incongruências na história que não existiam na versão de 1988.
As críticas não se limitaram ao público ou a pessoas próximas ao autor original. Atores que participaram da produção também manifestaram seu descontentamento com os rumos da trama, como a protagonista, Taís Araújo. Essa onda de críticas de múltiplas fontes pinta um quadro complexo sobre a recepção da novela: um sucesso de repercussão que, ao mesmo tempo, falhou em convencer os mais puristas e atentos aos detalhes da obra que a inspirou, levantando um debate sobre os limites e os desafios de se refazer um clássico.
O Futuro Pós-“Vale Tudo”: A Aposta em Nomes Consagrados para Manter a Liderança
Com o fim de “Vale Tudo”, a Globo já tem sua estratégia traçada para manter a audiência do horário nobre em alta. A emissora aposta em uma sequência de trabalhos de dois de seus autores mais renomados e com histórico de grandes sucessos: Aguinaldo Silva e Walcyr Carrasco. A escalação desses dois “medalhões”, um na sequência do outro, é vista como uma jogada segura para dar continuidade à recuperação da faixa das 9.
A escolha por Silva e Carrasco é estratégica, pois ambos são conhecidos por criar novelas de grande apelo popular, com tramas envolventes que costumam prender a atenção do grande público. Suas obras são consideradas pela emissora como detentoras de “selos de segurança e qualidade”, indicando a confiança da Globo de que eles entregarão os resultados esperados e manterão a liderança de audiência com folga.
Outros Destaques da TV: Sucessos Silenciosos, Estreias e Despedidas
Enquanto “Vale Tudo” domina as manchetes, outros programas e novidades também movimentam o cenário televisivo. O “Auto Esporte”, exibido nas manhãs de domingo pela Globo, continua a provar sua força e longevidade. O programa atingiu a marca impressionante de mais de 60 milhões de pessoas em 2025 e, neste ano, registrou sua maior taxa de fidelidade desde a estreia em 2002, com 71% do público se mantendo fiel à atração. O crescimento na média de share nos últimos quatro anos, tanto no Painel Nacional de Televisão quanto em mercados-chave como São Paulo e Rio de Janeiro, consolida o “Auto Esporte” como um sucesso silencioso e consistente da grade.
No humor, o longevo “Vai Que Cola” já tem seu fim planejado. A penúltima temporada, batizada de “O Méier resiste”, estreia no próximo dia 28, às 22h30, no Multishow e Globoplay. A trama mostrará Dona Jô (Catarina Abdalla) sendo pressionada a vender sua famosa pensão. A última temporada, que irá ao ar em 2026, levará o título de “Fama em família”. Ambas as levas finais já foram devidamente gravadas, cada uma com 20 episódios, garantindo uma despedida bem estruturada para os fãs.
Por fim, a apresentadora Angélica retorna com um novo projeto nesta quinta-feira. O programa “Ao vivo” estreia no GNT e no Globoplay, contando com a participação de estrelas como Grazi Massafera e Murilo Benício, além da promessa de um convidado-surpresa. A atração terá o apoio de André Marques no quadro de gastronomia e de Aline Wirley na parte musical. O projeto, no entanto, é exclusivo para as plataformas pagas e não tem previsão de exibição na TV aberta.
Reformulação à Vista: O “Caldeirão com Mion” se Adapta aos Novos Tempos
Outra importante mudança na grade da Globo envolve o “Caldeirão com Mion”. O programa comandado por Marcos Mion passará por uma reformulação profunda, visando se adaptar aos novos hábitos de consumo do público e à concorrência cada vez mais acirrada. Uma das primeiras alterações será no horário: a atração será exibida mais cedo nas tardes de sábado, uma mudança necessária para acomodar a transmissão de jogos do futebol feminino.
Além da troca de horário, o “Caldeirão” enfrentará uma reformulação em seu conteúdo para se tornar mais competitivo. A principal motivação para essa mudança é a crescente relevância das plataformas de streaming, que se tornaram fortes concorrentes pela atenção do espectador nos fins de semana. A Globo entende que, para manter a audiência cativa, é preciso inovar e oferecer um produto que se destaque em meio a tantas opções.
Essa reestruturação pode envolver a criação de novos quadros, uma linguagem mais dinâmica e formatos que incentivem a interação com o público nas redes sociais. A medida reflete um movimento maior da TV aberta para se reinventar e dialogar com uma audiência que hoje tem o poder de escolher o que, quando e onde assistir. A missão de Mion será, mais uma vez, usar seu carisma e criatividade para manter o “Caldeirão” relevante e atraente neste novo cenário.








