A televisão brasileira foi surpreendida nesta terça-feira (18) com uma mudança significativa na alta cúpula do SBT. O empresário Rinaldi Faria, amplamente conhecido por ser o criador da famosa franquia de palhaços Patati Patatá, foi desligado de suas funções na emissora. Ele ocupava o cargo de superintendente artístico e de programação há cerca de um ano e meio, atuando também na criação e produção de conteúdo.
Embora a nota oficial da emissora trate o desligamento como um encerramento de contrato em “comum acordo”, os bastidores contam uma história diferente, marcada por tensões crescentes e disputas de poder. A rescisão ocorre após uma série de problemas internos que tornaram a permanência do executivo insustentável, culminando em sua saída definitiva do quadro de executivos do canal da família Abravanel.
A gestão de Rinaldi foi marcada por tentativas de inovação que, segundo críticos internos, não surtiram o efeito desejado nos números de audiência. A pressão aumentou consideravelmente nos últimos meses, com nomes importantes da casa demonstrando insatisfação com a falta de investimentos e com a direção que a programação estava tomando, gerando um clima de instabilidade difícil de reverter.
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O Conflito com Ratinho e a Guerra de Bastidores
Um dos fatores mais determinantes para a queda de Rinaldi Faria foi o atrito direto com Carlos Massa, o Ratinho, uma das figuras de maior peso e faturamento do SBT. O apresentador vinha se queixando abertamente das mudanças na programação, argumentando que elas não ajudavam a alavancar a audiência da casa e prejudicavam a entrega de resultados.
A tensão entre os dois atingiu níveis críticos quando Rinaldi começou a atuar nos bastidores com um plano ousado: tirar Ratinho da programação diária da emissora a partir de 2026. Nessa guerra de braço e poder, o empresário acabou perdendo, visto que Ratinho possui grande influência comercial e é vital para o caixa da empresa.
Além das disputas futuras, o cotidiano também era motivo de discórdia. Ratinho demonstrou grande descontentamento ao ser informado em cima da hora sobre ajustes no horário de sua atração. A falta de comunicação prévia e o desrespeito percebido por comunicadores que entregam altos resultados pesaram decisivamente contra a continuidade do trabalho de Rinaldi.
A “Grade Voadora” e o Fracasso na Audiência
Outro ponto crítico da gestão de Rinaldi foi a instabilidade na grade de programação. Entre junho e setembro, o SBT realizou sete mudanças na grade, a maioria delas concentrada nos fins de tarde, sem obter resultados práticos positivos. Essa estratégia relembrou a antiga tática de “grade voadora” utilizada por Silvio Santos, que gerava confusão no público.
A escalação do infantil Bom Dia & Cia, comandada pela trupe de palhaços liderada por Rinaldi, foi um dos alvos de críticas de Ratinho e de outros setores da emissora. A atração amargou índices preocupantes, marcando apenas 1 ponto de audiência na Grande São Paulo, o que evidenciava a desconexão das estratégias do executivo com o desejo do telespectador atual.
Medalhões da emissora e contratados insatisfeitos alertaram Daniela Beyruti, atual presidente do SBT, sobre os riscos dessa instabilidade. O argumento era que as mudanças constantes eram vistas como algo negativo para o mercado publicitário, dificultando a venda de espaços comerciais e a fidelização do público em um momento já delicado para a TV aberta.
Acusações de Favorecimento e o Caso Igor Faria
Além dos problemas de audiência e relacionamento, a gestão de Rinaldi enfrentou críticas relacionadas a decisões que envolviam sua própria família. O executivo vinha tentando emplacar seu filho, Igor Faria, como apresentador na grade da emissora, o que gerou desconforto nos bastidores.
Por determinação direta de seu pai, Igor passou a ter um espaço dentro do SBT Podnight, faixa da programação que exibe podcasts nas madrugadas. O programa comandado por ele, intitulado Seja Luz, registrou a pior audiência entre todos os podcasts exibidos pela emissora, levantando questionamentos sobre a meritocracia das escolhas artísticas.
A insistência em promover o filho não parou por aí. Por ordem de Rinaldi, Igor foi escalado como apresentador no horário nobre do Teleton, a maratona beneficente mais importante da emissora, realizada no início do mês. Essa superexposição, contrastada com os baixos resultados de audiência, contribuiu para o desgaste da imagem do executivo perante a equipe e a direção.
A Versão Oficial: Daniela Beyruti Nega Brigas
Apesar do cenário turbulento relatado nos bastidores, a versão oficial apresentada pela presidência do SBT tenta minimizar as polêmicas. Em contato com o colunista Flávio Ricco, Daniela Beyruti negou veementemente que a saída de Rinaldi tenha sido motivada por brigas ou desentendimentos com o elenco.
Daniela afirmou textualmente que “Celso Portiolli, César Filho e Ratinho nem sabiam que o contrato do Rinaldi estava acabando”. A executiva classificou as notícias sobre conflitos como “maldosas” e reforçou sua gratidão pelo trabalho do empresário, afirmando que ele “fez muito para o SBT” e a ajudou significativamente durante o último ano.
O próprio Rinaldi Faria, ao ser contatado, corroborou essa versão, alegando que desde o início havia combinado com Daniela que dedicaria apenas um ano de sua vida à emissora, movido por gratidão e amor à empresa. Segundo ele, as informações sobre atritos e disputas de poder “não procedem” e sua saída segue o cronograma que havia sido verbalmente acordado.
O Futuro da Programação do SBT
Com a saída de Rinaldi, a nota oficial do SBT informou que a reestruturação da área artística será conduzida diretamente pela Presidência da emissora. Isso coloca Daniela Beyruti ainda mais no centro das decisões estratégicas, reforçando o compromisso da empresa em manter o avanço na jornada de transformação e inovação, mas agora sem a figura do consultor.
A notícia da demissão gerou reações diversas nos corredores da Anhanguera. Segundo relatos, houve uma certa “comemoração” por parte de alguns funcionários após a divulgação do comunicado, além de diversos comentários nas redes sociais sobre a mudança de comando. O clima agora é de expectativa sobre os próximos passos da emissora para recuperar a audiência perdida.
O desafio de estabilizar a grade e reconquistar a confiança do mercado publicitário permanece. O episódio serve como um alerta sobre a complexidade de gerir uma gigante da comunicação, onde interesses comerciais, artísticos e pessoais muitas vezes colidem, exigindo pulso firme para manter o navio na rota certa.






