A televisão brasileira vive um momento de reviravolta surpreendente nas noites de segunda-feira. A 13ª temporada do The Voice Brasil, agora exibida pelo SBT, contrariou todas as previsões pessimistas e se consolidou como o maior acerto da emissora no ano. Sob o comando carismático de Tiago Leifert e a direção geral de J.B. de Oliveira, o Boninho, o reality show musical não apenas sobreviveu à mudança de canal, como revitalizou a grade da rede da família Abravanel.
Desde a sua estreia na nova casa, o programa já alcançou a impressionante marca de 29 milhões de telespectadores em todo o território nacional, considerando apenas a transmissão na TV aberta. Esse número valida a estratégia ousada de resgatar um formato que parecia desgastado na concorrente, provando que a combinação entre uma boa produção e nomes de peso ainda tem força para atrair a massa, mesmo em um cenário de fragmentação de audiência.
O impacto positivo é sentido diretamente nos números consolidados. O desempenho da atração impulsionou significativamente os índices da faixa das 22h45, um horário historicamente difícil para o SBT. Segundo dados do Painel Nacional de Televisão (PNT), o reality registrou uma média geral de 4 pontos. Embora possa parecer modesto em comparação aos tempos áureos da TV, esse número representa um crescimento robusto em relação à programação anterior, ocupada pelo programa No Alvo, que amargava 3 pontos de média.
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O pesadelo da Record: Vitória sobre ‘A Fazenda 17’
O dado mais celebrado nos corredores da Anhanguera, no entanto, é a vitória estratégica sobre a concorrência direta. O The Voice Brasil tem conseguido superar A Fazenda 17, o principal produto da Record nesta época do ano, em praças fundamentais para o mercado publicitário. A disputa, que antes parecia ganha para o reality rural, tornou-se um campo de batalha onde o SBT tem levado a melhor em diversas capitais.
Durante a fase crucial das audições às cegas, iniciada na estreia em 6 de outubro, o SBT garantiu a vice-liderança isolada em cidades como Belém e Fortaleza. O público dessas regiões abraçou a nova roupagem do programa, preferindo as cadeiras giratórias às polêmicas de convivência dos peões da emissora vizinha. Essa migração de público demonstra um cansaço de parte da audiência com o formato de confinamento e uma busca por entretenimento mais leve e familiar.
O destaque absoluto dessa “guerra de audiência” aconteceu em Curitiba. Na capital paranaense, a vantagem do The Voice foi humilhante para a concorrência: o musical marcou 5 pontos de média contra apenas 1 ponto da emissora rival. Essa diferença abissal de 88% é um feito raro na televisão atual e reforça que, quando o produto é bem executado, o telespectador não hesita em mudar de canal, independentemente do hábito anterior.
Fenômeno Multiplataforma: Liderança no Disney+
A estratégia do SBT não se limitou apenas à televisão linear. A parceria com a Disney provou ser um golaço comercial e de engajamento. O The Voice Brasil não é apenas um sucesso na TV aberta; ele se tornou o produto mais consumido de todo o catálogo do Disney+, plataforma de streaming que exibe o programa simultaneamente. Isso coloca o reality nacional à frente de franquias globais como Marvel e Star Wars dentro do serviço no Brasil.
Essa performance no streaming indica que o programa conseguiu rejuvenescer sua base de fãs e conversar com um público que não necessariamente possui o hábito de ligar a TV no horário nobre. A convergência de mídias ampliou o alcance da marca The Voice, transformando as noites de segunda-feira em um evento que repercute tanto na sala de estar quanto nas redes sociais e dispositivos móveis.
Em São Paulo, a principal praça para o mercado publicitário do país, os resultados também são animadores. A atração registrou picos acima de 5 pontos, tornando-se a maior audiência do horário nobre da emissora às segundas-feiras. Para o SBT, que vinha enfrentando uma “situação de barril” com índices declinantes e falta de relevância, ter um produto que briga de igual para igual com as grandes redes é um alívio institucional e financeiro.
O “Toque de Midas” de Boninho e Leifert
O sucesso da empreitada passa obrigatoriamente pela reunião da dupla Boninho e Tiago Leifert. A química entre o diretor e o apresentador, testada e aprovada durante anos no Big Brother Brasil, foi transportada com sucesso para o palco do SBT. Leifert trouxe de volta a condução ágil e emocionada que marcou sua passagem pelo formato, enquanto Boninho imprimiu um ritmo de edição que prende o espectador, eliminando a “barriga” que muitas vezes prejudica competições musicais.
Com o encerramento previsto para a última semana de 2025, a atual edição já é considerada um case de sucesso. O retorno financeiro, impulsionado por cotas de patrocínio valorizadas pela audiência qualificada e pela parceria com a Disney, trouxe um fôlego novo para o caixa da emissora. O SBT provou que é possível fazer televisão de alta qualidade técnica e artística, deixando para trás a imagem de “primo pobre” na disputa pelos grandes formatos internacionais.
O acerto na estratégia de resgatar a competição musical confirma que a TV aberta ainda tem muito poder de fogo. Ao apostar na qualidade e na nostalgia, o SBT não apenas estancou a sangria de audiência no horário, mas também construiu uma ponte sólida para o futuro, mostrando que 2026 pode ser um ano de ainda mais crescimento se a emissora mantiver o padrão de excelência estabelecido por esta temporada histórica do The Voice Brasil.








