A concorrência pelos direitos da Conmebol Libertadores e da Copa Sul-Americana para o ciclo de 2027 a 2030, que parecia caminhar para um desfecho previsível, sofreu uma reviravolta dramática. A XSports, canal esportivo mantido pelo gigante Grupo Kalunga, deixou de ser considerada uma “azarão” para se tornar a protagonista que pode tirar o principal torneio do continente das mãos das emissoras tradicionais.
A entrada agressiva do canal na disputa balançou as estruturas das negociações. Segundo informações exclusivas de bastidores, a quantia oferecida pela XSports pelos direitos da Libertadores é considerada “alta” e, segundo fontes bem posicionadas, supera a proposta colocada na mesa pela TV Globo para o pacote de quatro temporadas. Esse movimento financeiro robusto obrigou a Conmebol e a agência FC Diez Media a reconsiderarem o cronograma, avaliando agora a realização de um inesperado “terceiro round” de lances finais.
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O trunfo da XSports: Sinal aberto e dinheiro na mesa
O que torna a proposta da XSports viável e perigosa para as concorrentes é sua estrutura híbrida de distribuição. Diferente de canais estritamente fechados ou plataformas de streaming puras, a emissora do Grupo Kalunga possui presença garantida nas operadoras de TV por assinatura e, crucialmente, detém sinal terrestre em UHF. Em São Paulo, principal praça do país, o canal ocupa o número 32, frequência histórica que abrigou a antiga MTV Brasil.
Além da capital paulista, o sinal da emissora chega a outras metrópoles estratégicas como Rio de Janeiro, Salvador, Belém e Manaus. Essa capilaridade permite que a XSports dispute tanto os pacotes de TV Aberta quanto os de Plataformas Pagas. A emissora já possui um histórico positivo recente com a entidade sul-americana: transmitiu com sucesso a Libertadores Feminina deste ano, vencida pelo Corinthians, alcançando o quarto lugar na audiência e superando canais consolidados como Band e RedeTV!.
O “apagão” da Conmebol e a irritação do mercado
Apesar da movimentação financeira intensa, o processo de licitação tem sido marcado por críticas severas quanto à sua condução. Há um sentimento generalizado de “descaso” por parte da Conmebol e da agência FC Diez Media. O mercado trabalha no escuro desde o dia 10, data limite para a entrega dos envelopes, sem qualquer satisfação oficial sobre os próximos passos. A expectativa de um anúncio na última quinta-feira (20) foi frustrada, gerando ansiedade e irritação nos executivos de TV.
A falta de transparência levanta dúvidas se o atraso é fruto de incapacidade operacional ou de uma estratégia deliberada para inflacionar ainda mais os valores. Hoje, os detentores dos direitos vivem em um “mundo dos sonhos”, onde ditam as regras sem muito respeito pelos parceiros, cogitando estender a disputa para um terceiro turno apenas para maximizar lucros. A consultoria Ernst & Young, que supervisiona o processo, tem o desafio de manter a lisura em meio a esse leilão caótico onde SBT, CazéTV, Disney e Paramount também fizeram suas apostas.
A Era dos Microdramas: Globo e Streaming apostam tudo
Enquanto o futebol ferve, a teledramaturgia brasileira abre uma nova frente de batalha: as novelas verticais. A TV Globo, em parceria com a produtora Formata, deu sinal verde para o autor Ricardo Hofstetter desenvolver uma segunda trama pensada exclusivamente para o consumo em smartphones. O investimento confirma que o formato “microdrama” deixou de ser uma experiência para se tornar uma linha de produção fixa na estratégia digital da emissora.
A primeira aposta desse gênero, “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, tem estreia marcada para o dia 12 de dezembro nas redes sociais e traz o cantor sertanejo Gustavo Mioto como protagonista, buscando atrair o público jovem. Paralelamente, a plataforma de streaming Reelshort, referência mundial no formato vertical, contra-ataca com a estreia de um trabalho do autor Gustavo Reiz, em coprodução com a Zohar Cinema e direção de Roberta Richard, aquecendo a disputa por quem domina a tela do celular.
Bastidores: Visitas políticas e a “lanterna” do jornalismo
Nos corredores da Record, a presença de Sikêra Jr. causou burburinho, mas fontes asseguram que não há interesse comercial ou artístico na contratação do apresentador. Acompanhado de uma equipe de TV, ele circulou pelos gabinetes e visitou o Templo de Salomão, em uma agenda que parece estar estritamente ligada a articulações para as próximas eleições, e não a um retorno à televisão nacional pela emissora da Barra Funda. Cogita-se apenas participações pontuais em programas da casa.
Já na Band, o clima é de otimismo irônico com a iminente estreia do SBT News. A direção da BandNews, que historicamente amarga a última posição de audiência entre os canais de notícias da TV Paga, vê na chegada do canal de Silvio Santos a chance de deixar a “lanterna”. A avaliação interna na Band é cética: ninguém acredita que o novo canal de notícias, com sua grade baseada em reprises nos fins de semana, consiga superar a média mensal de 0,2 pontos, servindo de “escudo” para os baixos índices da concorrente do Morumbi.







