A parceria comercial entre a Record e a Disney para o lançamento do reality show “A Casa do Patrão” ganhou novos contornos estratégicos nesta semana. Diferente das especulações iniciais que apontavam uma estreia isolada, a emissora da Barra Funda definiu um calendário agressivo de realities shows para 2026, criando uma “linha de produção” de entretenimento contínua. O planejamento visa ocupar a grade com formatos de confinamento logo após o término do Big Brother Brasil, mantendo o público aquecido durante todo o ano com uma sequência de estreias de peso.
O cronograma oficial ajustado aponta que a Record não deixará a audiência respirar após o fim do reality da concorrente. A partir de abril, logo na sequência do término do BBB, a emissora colocará no ar uma nova temporada do Power Couple Brasil. A disputa de casais ficará no ar até julho, servindo como uma “ponte” de luxo para o grande lançamento de Boninho. Imediatamente após a final do Power Couple, em julho, estreia “A Casa do Patrão”, o aguardado formato de Boninho em parceria com a Disney, que dominará a grade até setembro.
Essa manobra de agendamento, colocando o Power Couple (abril a julho) antes de A Casa do Patrão (julho a setembro), revela uma tática de ocupação de território. A ideia é capturar os órfãos do reality global com a dinâmica explosiva dos casais e, em seguida, entregar a novidade do formato inédito de Boninho, criando uma fidelização de audiência que culminará, invariavelmente, na estreia de A Fazenda 18 em setembro. Será, efetivamente, um ano inteiro de reality shows no ar, exigindo fôlego da produção e do público.
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A Casa do Patrão: Dinâmica de Classes e Produção em Itapecerica
O projeto “A Casa do Patrão”, que marca a estreia de Boninho fora da Globo e sua primeira colaboração com a Disney, já está com seu pacote comercial na rua. Sem limite de cotas, a atração promete ser uma das mais ricas da história da emissora.
A produção será centralizada na sede de Itapecerica da Serra, local já consagrado por abrigar A Fazenda. A estrutura será adaptada para refletir a hierarquia social proposta pelo novo jogo, otimizando os custos logísticos da emissora, porém, não usará a sede onde o Power Couple e A Fazenda são gravados. A estrutura de A Casa do Patrão usará a estrutura deixada por A Grande Conquista, que tinha uma mecânica semelhante a proposta por Boninho.
A dinâmica do programa aposta na tensão de classes, um tema recorrente e eficaz em realities. A hierarquia será rígida: haverá a figura do “Patrão”, que detém o poder e o conforto, cercado pelos “amigos do patrão”, que desfrutam de privilégios. Na base da pirâmide estarão os “empregados”, que deverão servir aos superiores enquanto lutam para inverter a lógica do jogo e conquistar o prêmio em dinheiro. A atração será diária, mantendo a narrativa de novela da vida real que o brasileiro adora.
Nos bastidores, a sintonia é total. Boninho tem mantido reuniões frequentes em São Paulo com Alarico Naves, principal executivo comercial da Record, desenhando as estratégias de venda e conteúdo. A única peça que falta nesse tabuleiro é o apresentador. O pacote comercial indica que o nome ainda não foi definido, com Record e Disney buscando um perfil que transite bem entre a TV aberta e o streaming, agradando a gregos e troianos.
Fim das Invenções: Domingos com Filmes Consagrados
Enquanto prepara sua artilharia pesada para os realities diários, a Record decidiu adotar uma postura mais conservadora e segura para as tardes de domingo. Após diversas tentativas frustradas de emplacar programas de auditório e até versões do Power Couple vespertino que não performaram bem, a alta cúpula entendeu que a solução pode ser mais simples e barata.
A emissora iniciou um movimento de mercado para reforçar seu catálogo de filmes. A estratégia é turbinar as três sessões de cinema que o canal mantém: as tardes de sábado, as noites de sábado e, principalmente, as tardes de domingo. A avaliação é que grandes sucessos de bilheteria oferecem uma retenção de audiência estável e um custo-benefício muito superior à produção de programas de auditório que lutam para sair do traço contra o futebol e os programas consolidados da concorrência. Assim, 2026 na Record será o ano dos realities durante a semana e dos blockbusters no domingo.









