A noite desta segunda-feira, dia 8 de dezembro, marcou o fim abrupto e polêmico dos planos de Rayane Figliuzzi para o Carnaval 2026. A influenciadora digital e ex-participante de A Fazenda, que vivia a expectativa de estrear como musa da tradicional Unidos de Vila Isabel, foi desligada do cargo pela diretoria da agremiação. Embora a justificativa inicial aponte para questões de agenda, o verdadeiro pivô da demissão foi um escândalo de racismo envolvendo uma funcionária de Rayane contra sua ex-assessora de imprensa, Juliana Palmer, ocorrido durante um jantar desastroso em São Paulo.
A decisão da escola de samba foi comunicada oficialmente através das redes sociais, colocando um ponto final nas especulações que já circulavam desde o último sábado. A nota oficial da Vila Isabel, embora diplomática ao citar a “impossibilidade de cumprimento das agendas”, não deixou de tocar na ferida aberta do preconceito. A agremiação, que levará para a Avenida a história de Heitor dos Prazeres e a riqueza da cultura africana, viu-se em uma posição insustentável ao manter em seu quadro de musas alguém cujo entorno estava envolvido em um ato de discriminação racial tão grave.
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A Nota Oficial e a Mensagem Contra o Preconceito
O comunicado da Unidos de Vila Isabel foi cirúrgico e contundente. Assinado pela presidência, o texto afirma que o posto de musa exige uma “dedicação integral” que a influenciadora não demonstrou ter, uma vez que ela sequer havia comparecido aos ensaios na quadra desde que deixou o confinamento do reality show. No entanto, o trecho mais impactante da nota é aquele que reafirma os valores da escola, servindo como uma resposta direta ao episódio racista: “A agremiação repudia qualquer ato de preconceito e declara que a tolerância a comportamentos discriminatórios não será praticada ou aceita no seio da comunidade”.
Para reforçar a gravidade da situação e o posicionamento da escola, a nota trouxe uma citação direta do Patrono da agremiação, o Capitão Guimarães. A frase “Preconceito é burrice; quem o pratica deixa de ser humano para se tornar uma coisa sem valor” ecoou como uma sentença definitiva sobre o caso. A decisão final estava justamente nas mãos do Capitão, pai do presidente Luiz Guimarães, que optou por cortar o mal pela raiz para não manchar o enredo da escola, que é uma celebração da negritude e da resistência cultural.
Belo Tenta Intervir, Mas Fracassa
Nos bastidores, a situação gerou um verdadeiro caos e uma tentativa desesperada de contenção de danos por parte do cantor Belo. O pagodeiro, namorado de Rayane, tentou usar sua influência e prestígio no mundo do samba para reverter a demissão. Segundo informações apuradas, a ex-peoa, sentindo seu posto ameaçado após a repercussão do caso, pediu que Belo oferecesse um show gratuito na quadra da Vila Isabel no dia de sua posse como musa. A oferta seria uma moeda de troca para tentar suavizar a ausência dela nos ensaios e abafar o escândalo.
No entanto, a gravidade das acusações de racismo pesou muito mais do que qualquer benefício que a presença de Belo poderia trazer. A diretoria da Vila Isabel entendeu que associar a imagem da escola a um episódio de injúria racial, especialmente em um ano com um enredo tão emblemático, seria um erro estratégico e moral imperdoável. A recusa da escola em aceitar a “permuta” mostra que a instituição priorizou seus valores históricos em detrimento do engajamento midiático ou de favores artísticos, deixando Rayane e Belo sem saída.
O Jantar do Caos: Ofensas, Bebida e Racismo
O estopim para toda essa crise foi um jantar que deveria ser uma celebração, mas terminou em caso de polícia. O casal estava em um restaurante japonês em São Paulo, acompanhado de amigos e da equipe de Rayane. A tensão começou quando Rayane, visivelmente alterada após algumas doses de bebida e sentindo-se pressionada após sua saída de A Fazenda, não reagiu bem a um conselho profissional. Belo e a assessora Juliana Palmer sugeriram que ela iniciasse aulas de samba e frequentasse a quadra para evitar críticas do público e da imprensa especializada.
Rayane, sentindo-se cobrada, caiu no choro e se retirou para o banheiro acompanhada de uma amiga apresentadora. Foi nesse momento que a situação na mesa escalou para a violência. A secretária pessoal de Rayane tomou as dores da patroa e iniciou uma discussão acalorada com Juliana Palmer. O que era um debate profissional transformou-se em crime quando a secretária insultou a jornalista chamando-a de “macaca”. Além da ofensa verbal racista, a agressora ainda jogou bebida na vítima quando esta tentava se retirar do local para evitar mais humilhações.
O Silêncio de Rayane e a Ruptura com a Assessoria
A reação — ou a falta dela — por parte de Rayane Figliuzzi foi crucial para o desfecho negativo de sua carreira no carnaval. Uma semana após o ocorrido, a influenciadora não se pronunciou publicamente para condenar a atitude de sua funcionária ou prestar solidariedade à vítima. Sua única defesa, até o momento, foi alegar que “não estava na mesa” na hora das ofensas, uma justificativa considerada fraca diante da gravidade do ato cometido por alguém de sua estrita confiança e sob sua responsabilidade direta naquele ambiente.
A postura de Rayane custou caro não apenas no carnaval, mas também em sua gestão de carreira. A Palmer Assessoria de Comunicação, empresa da vítima Juliana Palmer, anunciou o rompimento imediato do contrato com a influenciadora. Em nota, a agência citou que o desligamento ocorreu “em razão de circunstâncias recentes que contrariaram valores essenciais desta empresa”. O caso agora segue na esfera criminal, com dois boletins de ocorrência registrados por injúria racial, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, prometendo ainda muitos desdobramentos judiciais para os envolvidos.









