Os bastidores da TV Globo estão em ebulição com uma série de definições e rupturas que prometem moldar a programação de 2026. A notícia mais impactante da semana envolve um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira: Antonio Fagundes. O veterano, que era a grande aposta para protagonizar a próxima novela das nove, “Quem Ama Cuida”, desistiu oficialmente do projeto. A decisão caiu como um balde de água fria na equipe do autor Walcyr Carrasco e da diretora Amora Mautner, que já contavam com o “sim” do ator para um dos papéis centrais da trama.
O rompimento das negociações não foi repentino, mas fruto de um impasse duplo que se tornou insustentável. Primeiramente, houve a questão financeira: Fagundes e a emissora não chegaram a um consenso sobre os valores para que ele integrasse a produção. Em tempos de contratos por obra, o acerto financeiro tornou-se uma barreira intransponível. Além disso, a agenda sagrada do ator com o teatro falou mais alto. Fagundes tem uma regra rígida de gravar apenas de segunda a quarta-feira, dedicando o restante da semana aos palcos e viagens.
A Globo, visando a otimização dos trabalhos e a logística complexa de uma novela das nove, tentou negociar para que ele gravasse pelo menos às quintas-feiras. A recusa do ator em abrir mão de sua rotina teatral foi o golpe final na negociação. Agora, Amora Mautner, que retoma a parceria de sucesso com Walcyr após “A Dona do Pedaço” e “Verdades Secretas 2”, corre contra o tempo para encontrar um substituto à altura para viver Artur Brandão, um personagem crucial que movimenta toda a engrenagem do folhetim.
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O Personagem que Fagundes Rejeitou e a Trama de Vingança
A perda de Antonio Fagundes é significativa devido ao peso dramático do personagem Artur Brandão. Na trama de “Quem Ama Cuida”, Artur seria um milionário que se apaixona perdidamente por Adriana, uma jovem cuidadora interpretada por Letícia Colin. O arco do personagem é trágico e fundamental: ele seria assassinado misteriosamente na noite em que anunciaria seu casamento com a jovem, desencadeando todo o conflito principal da história.
A morte de Artur Brandão serve como o estopim para a desgraça da protagonista. Adriana acaba sendo condenada injustamente pelo crime, vítima de uma armação, e passa seis anos na cadeia. A vilã da história, que será vivida pela talentosa Isabel Teixeira, promete ser uma pedra no sapato da mocinha. Ao sair da prisão, Adriana contará apenas com a ajuda do idealista Pedro, filho do advogado que a condenou, para buscar vingança contra aqueles que destruíram sua vida.
Essa não é a primeira vez que Fagundes e a Globo não falam a mesma língua recentemente. Em outubro, a coluna já havia antecipado as negociações, mas o desfecho repete o cenário do ano passado, quando o ator recusou um convite para a série “Pablo e Luisão”, de Paulo Vieira, também por conflitos de agenda. Por enquanto, o público terá que se contentar em ver o astro nas reprises de “Rainha da Sucata” e “Terra Nostra”, enquanto a Globo busca um novo milionário para morrer na ficção.
A Verdade Sobre Eliana: Geninho Simonetti Segue no Comando
Enquanto a novela das nove enfrenta turbulências de elenco, o novo dominical de Eliana, “Em Família”, traz uma mensagem de estabilidade para acalmar o mercado e os fãs. Ao contrário dos boatos que circularam sobre possíveis demissões ou trocas de comando, a verdade é uma só: não existe saída nem entrada de diretor no projeto. Geninho Simonetti continua firme e forte em suas funções, liderando tanto a direção geral quanto a artística do programa que estreará no próximo ano.
A confirmação de Geninho à frente do projeto dissipa as nuvens de incerteza que pairavam sobre a produção. Ele tem sido o braço direito na concepção do formato desde o início e segue com total respaldo para tocar o barco. A Globo aposta na sintonia entre a apresentadora e o diretor para construir um programa sólido e competitivo para as tardes de domingo, um dos horários mais disputados da televisão brasileira.
Além da estreia na TV aberta, 2026 será um ano de trabalho dobrado e muita exposição para a loira. Eliana vai seguir no comando do “Saia Justa”, no GNT. A avaliação interna é positiva, e muito provavelmente todo o time atual do programa do canal a cabo será mantido. Essa estratégia de manter Eliana em duas frentes reforça o status de estrela que ela possui dentro do grupo, transitando com facilidade entre o auditório popular e o debate qualificado da TV paga.
Susana Vieira e a Conexão com Aguinaldo Silva
Outra novidade que está sendo tratada sob sigilo absoluto nos corredores da Globo é a possível participação de Susana Vieira na novela “Três Graças”. Recentemente homenageada na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, a veterana teve seu nome cogitado para uma participação especial que promete abalar as estruturas da trama. A negociação está sendo feita com cuidado, visando celebrar a carreira da atriz em um papel de destaque.
Curiosamente, quem acompanha essa movimentação de longe, mas com muito interesse, é o autor Aguinaldo Silva. O novelista precisou viajar para Portugal para resolver questões pessoais e de negócios, logo após fechar os detalhes da entrada de Viviane Araújo na mesma novela. Mesmo do outro lado do oceano, Aguinaldo monitora a possibilidade de ter Susana Vieira em seu texto novamente. Vale lembrar que a parceria entre os dois em “Senhora do Destino” resultou em um dos maiores sucessos da história da TV, com a icônica Maria do Carmo.
Para completar o pacote de inovações, a Globo está expandindo seus horizontes digitais. A emissora enxerga um potencial gigantesco nas novelas verticais, formato voltado especificamente para redes sociais e consumo rápido em smartphones. A aposta é tão alta que, além de produzir conteúdos originais com elenco da casa, a empresa também investirá em trabalhos internacionais nesse formato, buscando capturar a atenção do público jovem que consome dramaturgia pelo celular.
O Tombo na Audiência: TV Aberta Sangra em 2025
Os cortes não acontecem por acaso; eles são reflexo direto de uma realidade dura nos números de audiência. O balanço de 2025 traz dados preocupantes para todas as emissoras, mas confirma a tendência de queda da líder. A Globo fechará o ano com uma perda de 2% de sua audiência em comparação com 2024, estacionando em uma média de aproximadamente 10 pontos. Embora ainda mantenha a liderança isolada, a erosão contínua de sua base de telespectadores acende o alerta vermelho para o mercado publicitário e para os investidores.
No entanto, a crise não é exclusividade da Globo; o cenário é de terra arrasada na TV aberta. A Record, vice-líder, amarga uma média de 3,9 pontos, representando uma queda de 3%. O SBT, em terceiro lugar, caiu 2% em relação a 2024, fechando com 2,9 pontos. A situação é ainda mais dramática para as emissoras menores: a TV Cultura sofreu um colapso de 23% em seus índices, seguida pela Band, que despencou 18% e segura apenas 1,1 ponto de média. A RedeTV! fecha a lista com traço de 0,3 ponto, uma queda de 13%. Os números mostram que o público está migrando massivamente para outras plataformas, exigindo uma reinvenção urgente do modelo de televisão.








