O calendário esportivo e televisivo de 2026 começou oficialmente nesta sexta-feira, dia 2 de janeiro para a Record. Enquanto muitos brasileiros ainda se recuperam das festividades de Réveillon, a bola já volta a rolar nos gramados com o início da tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior. No entanto, este ano traz uma novidade significativa nos bastidores da mídia: a mudança de casa das transmissões.
A Record assume o protagonismo na cobertura do maior torneio de base do mundo, marcando um novo capítulo em sua estratégia esportiva. Se antes o público estava acostumado a acompanhar apenas flashes ou jogos esporádicos na concorrência, a emissora da Barra Funda promete uma revolução na forma de entregar o conteúdo, tratando a “Copinha” como um produto premium de sua grade de verão.
A novidade não se restringe apenas à TV aberta. A estratégia do grupo é multiplataforma, integrando a cobertura com o streaming através do RecordPlus e boletins constantes na Record News. Isso demonstra um apetite voraz da emissora em consolidar sua marca no território esportivo, desafiando o monopólio histórico que existia sobre o futebol no início do ano.
Para os torcedores, isso significa mais opções e uma cobertura mais democrática. A Copinha é conhecida por revelar os futuros craques da Seleção Brasileira, e a Record aposta que dar visibilidade a esses jogos desde a primeira fase atrairá uma audiência fiel e apaixonada, carente de futebol ao vivo após o fim da temporada profissional de 2025.
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O Fim da Hegemonia Global na Copinha
É importante destacar a mudança de paradigma que essa transmissão representa. Historicamente, a TV Globo manteve os direitos da Copa São Paulo, mas sua entrega ao telespectador era limitada. A emissora carioca, por questões de grade e estratégia comercial, costumava exibir ao vivo apenas a grande final, tradicionalmente jogada no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro.
O restante do campeonato ficava restrito aos canais fechados (SporTV). A Record, percebendo essa lacuna no mercado de TV aberta, decidiu investir pesado. A promessa é de um trabalho muito mais abrangente, levando jogos da fase de grupos e do mata-mata para o grande público, sem a necessidade de uma assinatura de TV paga.
Essa movimentação força o mercado a se adaptar. Com a Record exibindo os jogos, a competição ganha novos narradores, novos comentaristas e uma nova linguagem, possivelmente mais popular e acessível. A “Record Plus” (o ecossistema digital da emissora) será fundamental para capturar o público jovem que consome futebol pelo celular.
O dia 2 de janeiro de 2026, portanto, não marca apenas o início de um torneio, mas o início de uma batalha por audiência onde o futebol de base é a arma principal. A emissora quer provar que tem capacidade técnica e editorial para cobrir grandes eventos esportivos com a mesma competência de sua principal rival.
Record News: A Promessa de uma Nova Era em 2026
Enquanto a bola rola, os bastidores do jornalismo da Record também estão em ebulição. O ano de 2026 chega com a promessa de mudanças drásticas e necessárias para a Record News. O canal de notícias, que foi pioneiro na TV aberta brasileira no segmento, precisa se reinventar diante de um cenário cada vez mais competitivo e fragmentado.
A direção da emissora reconhece que o mercado mudou. Com a consolidação da GloboNews, o crescimento da BandNews e, mais recentemente, a entrada agressiva do SBT News e da Jovem Pan no jogo, não há mais espaço para amadorismo ou grades de programação repetitivas. A concorrência elevou a régua da qualidade e da agilidade.
Fontes internas indicam que a montagem de uma grade mais competitiva é a prioridade número um para o primeiro semestre. Isso deve envolver a contratação de novos âncoras, maior investimento em tecnologia de transmissão ao vivo e uma redução significativa de conteúdo gravado (“enlatados”) durante o horário nobre da informação.
A expectativa é que a “Nova Record News” seja mais analítica e menos refém do factual policialesco, buscando atingir um público formador de opinião que hoje migrou para a concorrência. As mudanças prometidas são enormes e devem ser implementadas gradualmente logo após este período de festas, visando posicionar o canal como uma alternativa robusta de informação 24 horas.
O Sucesso Comercial de “A Fazenda” e o Novo Reality
No entretenimento, o clima é de celebração e planejamento estratégico. Um levantamento interno realizado pela alta cúpula da Record apontou que a última edição de “A Fazenda”, encerrada em dezembro de 2025, foi a melhor dos últimos tempos. O reality show rural superou as expectativas mais otimistas em todos os aspectos cruciais para a sobrevivência do formato.
Tanto em audiência quanto em faturamento, o programa mostrou que ainda tem fôlego. O sucesso comercial é o combustível que a emissora precisava para continuar investindo no gênero. Marcas importantes retornaram aos intervalos comerciais e o engajamento nas redes sociais provou que o formato, quando bem escalado, ainda mobiliza o país.
Aproveitando essa maré positiva, a Record já desenhou sua grade de realities para 2026 com precisão cirúrgica. A grande aposta para o primeiro semestre é o inédito “A Casa do Patrão”. A estratégia de lançamento é ousada: a estreia vai acontecer na semana imediatamente seguinte à final do “Big Brother Brasil” na Globo.
O objetivo é claro: capturar os “órfãos de reality”. Assim que o público ficar sem o BBB, a Record oferecerá uma nova opção de confinamento e convivência, tentando evitar a dispersão da audiência. “A Casa do Patrão” chega com a responsabilidade de manter os números em alta e provar que a emissora sabe fazer reality show além da vida na roça.
A Volta de “Aeroporto” e a Parceria com o Streaming
Para completar o pacote de novidades deste início de ano, a produção de conteúdo documental também ganha destaque. Após uma pequena pausa para as festas de fim de ano, os trabalhos da oitava temporada da série “Aeroporto” serão retomados imediatamente. O formato consolidou-se como um dos maiores sucessos do gênero “docu-reality” no Brasil.
A atração, que mostra os bastidores das operações policiais e de fiscalização nos maiores terminais do país, é um fenômeno de audiência tanto na TV aberta quanto no streaming. A renovação para a oitava temporada confirma o interesse inesgotável do público pelas histórias de fronteira, tráfico e dramas de passageiros.
A exibição da nova temporada já está confirmada na plataforma Max (antiga HBO Max), fruto de uma parceria de conteúdo bem-sucedida entre a Record e a Warner Bros. Discovery. Essa sinergia permite que o produto tenha uma vida útil longa e alcance públicos diferentes, rentabilizando a produção em múltiplas janelas.
Além do streaming, a exibição na TV aberta pela Record é dada como certa, provavelmente ocupando as noites de segunda ou quarta-feira. Com futebol, jornalismo renovado, realities em alta e documentários de sucesso, a Record sinaliza ao mercado que 2026 não será um ano de acomodação, mas de ataque em todas as frentes.










