No SBT, a situação não é diferente neste mês de janeiro. A emissora de Silvio Santos vive um momento de definição crucial para a sua grade de programação de 2026, com projetos ambiciosos que ainda lutam para sair do papel e decisões executivas que dependem do retorno de sua liderança principal. Entre sonhos de novos programas esportivos e a realidade de lidar com o sucesso da concorrência, o canal traça suas linhas para os próximos meses.
Apesar da movimentação nos corredores e do desejo de renovação, o cenário atual na Anhanguera é de estagnação temporária. Grandes projetos anunciados no final do ano passado ainda não ganharam a tração necessária para se tornarem realidade imediata. A emissora trabalha com cautela, analisando o mercado e as possibilidades comerciais antes de dar o sinal verde para produções que podem alterar significativamente a dinâmica de sua audiência, especialmente na disputada faixa do almoço.
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O Projeto Esportivo: Um Sonho Ainda “Só no Papel”
Um dos principais tópicos de discussão nos bastidores do SBT envolve a criação de um novo programa esportivo diário. A intenção de lançar essa atração foi anunciada ainda em novembro do ano passado, gerando expectativa entre os fãs de esporte e o mercado de mídia. A ideia central seria ocupar a faixa da hora do almoço, um horário historicamente competitivo e que exige conteúdo ágil e de forte apelo popular para bater de frente com os telejornais e programas esportivos das emissoras rivais.
No entanto, a realidade de janeiro mostra que a situação se mantém a mesma de meses atrás: o projeto existe, mas nada avançou concretamente a respeito até agora. O que era para ser uma novidade vibrante para o início da temporada 2026 continua sendo apenas um desejo “só no papel”. A falta de movimentação prática para a montagem de equipe, cenário e formato indica que há entraves — sejam eles financeiros ou estratégicos — que impedem a execução imediata desse plano.
Essa demora em tirar o projeto do campo das ideias pode ser frustrante para a equipe de esportes da casa, que vê no horário do almoço uma vitrine essencial. A estagnação sugere que a emissora ainda está calculando os riscos de investir em uma nova produção diária sem ter todas as garantias de retorno ou de estabilidade na grade, mantendo o status de incerteza que paira sobre a programação vespertina.
A Incógnita Benjamin Back e a Liderança do Projeto
Centralizada na discussão sobre o novo programa esportivo está a figura de Benjamin Back, o Benja. O apresentador, conhecido por seu estilo irreverente e popular, foi o nome anunciado para comandar essa nova atração. Sua presença seria, em tese, o grande chamariz para atrair audiência e dar uma identidade forte ao produto desde o primeiro dia. Contudo, a certeza sobre sua participação parece ter se dissolvido com o passar das semanas.
Atualmente, não há nem muita certeza se Benjamin Back deseja continuar na casa para liderar esse projeto. Essa dúvida adiciona uma camada extra de complexidade ao planejamento. Se o principal nome atrelado ao formato não estiver garantido ou motivado, todo o conceito do programa pode precisar ser revisto. A possível hesitação de Benja pode estar ligada à própria demora na aprovação do projeto ou a outras propostas de mercado, criando um impasse que o SBT precisará resolver com urgência se quiser manter o plano original.
A ausência de uma confirmação sólida sobre o apresentador deixa o departamento de esportes em um limbo. Sem o âncora definido, fica difícil vender o peixe para o mercado e formatar o tom da atração. O SBT, portanto, precisa não apenas aprovar o programa, mas também assegurar que seu talento principal esteja alinhado com os objetivos da emissora para 2026.
O Fator Comercial: De Olho na Copa do Mundo
Se a parte artística e operacional caminha a passos lentos, o setor financeiro tem pressa e motivos claros para defender a estreia do programa. A ideia de contar com essa nova atração esportiva é defendida principalmente pelo departamento comercial da emissora. Para os executivos de vendas, ter um produto diário focado em esportes na hora do almoço é uma ferramenta estratégica vital para o ano de 2026.
A motivação tem nome e sobrenome: Copa do Mundo. O evento mundial é o maior motor de receitas publicitárias do planeta, e o SBT entende que precisa expandir suas “entregas comerciais” para aproveitar essa onda. O programa é visto como mais uma maneira eficaz de sensibilizar novos anunciantes que buscam associar suas marcas ao universo do futebol e da competição, mesmo fora dos horários de transmissão dos jogos.
O departamento comercial sabe que vender cotas de patrocínio fica muito mais fácil quando há uma grade de programação que respira o tema do mundial. Por isso, a pressão interna para que o programa saia do papel vem, em grande parte, de quem precisa fechar as contas e trazer dinheiro novo para a emissora. A visão é pragmática: sem produto, não há venda; e sem venda, perde-se a oportunidade única que o ano de Copa oferece.
Compasso de Espera: A Volta de Daniela Beyruti
Apesar das pressões comerciais e das especulações artísticas, o SBT vive um momento de paralisia decisória típica do mês de janeiro. A diretriz atual é clara: nada será decidido, muito menos anunciado, neste primeiro mês do ano. O canal opera em um “compasso de espera”, aguardando o retorno das férias de sua liderança máxima para bater o martelo sobre os rumos de 2026.
Todas as decisões mais importantes, inclusive aquelas referentes às mudanças na nova grade e ao destino do programa esportivo, só serão tomadas na volta de Daniela Beyruti. A executiva, que assumiu o comando com a missão de revitalizar a emissora, é a peça-chave para destravar as pautas. Até fevereiro, quando está previsto o seu retorno, os departamentos seguem operando no modo de manutenção, sem autonomia para grandes rupturas ou lançamentos.
Essa centralização das decisões em Daniela demonstra a importância de sua gestão na atual fase do SBT. É ela quem tem dado a palavra final sobre contratações, demissões e reformulações. Portanto, qualquer rumor que surja antes de fevereiro deve ser tratado com cautela, pois sem o aval da “filha número 3”, nada de estrutural deve mudar na Anhanguera.
A Cobertura do BBB 26: Parcimônia e Mudança de Postura
Enquanto resolve suas questões internas, o SBT também precisa lidar com o “elefante na sala” da televisão brasileira: o Big Brother Brasil 26. Historicamente, a relação da emissora com o reality show da concorrente oscilou entre o aproveitamento total e a negação. Para 2026, a ordem interna é o equilíbrio. Existe uma orientação clara para todos os programas da casa — com destaque especial para o “Fofocalizando”, que vive de notícias de celebridades.
A diretriz é a parcimônia: não exagerar na cobertura do BBB 26. Isso não significa, contudo, uma censura. Não há proibição de se falar sobre o reality global; pode-se falar, mas com moderação. A ideia é não transformar a grade do SBT em uma linha auxiliar da concorrência, mas também não ignorar o assunto mais comentado do país, o que poderia alienar a audiência que busca repercussão.
Essa postura moderada representa uma vitória de uma ala mais pragmática dentro da emissora. Sabe-se que, num passado até recente, teve quem no SBT se esforçasse para que os programas da casa ignorassem completamente o “Big Brother”, fingindo que ele não existia. Essa corrente radical, no entanto, foi voto vencido. Prevaleceu o entendimento de que o reality gera fluxo de interesse e que, se bem dosado, pode render audiência sem comprometer a identidade do canal. O SBT de 2026, portanto, será uma emissora que reconhece o sucesso alheio, mas foca, acima de tudo, em tentar resolver seus próprios impasses para voltar a crescer.







