Luciana Gimenez, um dos nomes mais consolidados e icônicos da RedeTV!, está com um pé fora da emissora e muito próxima de assinar um contrato milionário com a Band. As negociações, que vinham ocorrendo nos bastidores sob total sigilo, avançaram significativamente nas últimas semanas, colocando a emissora do Morumbi como a favorita absoluta para ser a nova casa da apresentadora.
Embora o martelo ainda não tenha sido batido oficialmente, fontes seguras indicam que a decisão final será anunciada logo após as festividades do Carnaval, período que tradicionalmente marca o início do ano letivo para as grandes produções televisivas. A disputa pelo passe de Gimenez não foi solitária; o SBT também entrou forte na briga, tentando levar a comunicadora para a Anhanguera. No entanto, a estratégia desenhada pela Band tocou em pontos cruciais para a carreira de Luciana, superando a oferta da concorrente tanto em termos financeiros quanto em liberdade artística.
A possível saída de Luciana Gimenez da RedeTV! marca o fim de uma era, mas a sua chegada à Band simboliza uma aposta agressiva da emissora da família Saad em entretenimento de auditório ao vivo. A Band, que nos últimos anos oscilou entre o esporte e o jornalismo como carros-chefes, busca agora uma figura feminina forte, capaz de atrair anunciantes e repercussão imediata nas redes sociais, características que Gimenez carrega consigo há mais de duas décadas. A negociação envolve cifras importantes e promessas de um status de estrela principal na grade noturna.
Contudo, nem tudo são flores nessa transição. A chegada de uma estrela desse calibre exige ajustes complexos na grade de programação, algo que a direção da Band está quebrando a cabeça para resolver. O desejo de ter Luciana é real e intenso, mas ele colide frontalmente com outros planos estratégicos da emissora para 2026. A seguir, detalhamos os bastidores dessa disputa entre Band e SBT, os motivos que fizeram a balança pesar para o Morumbi e o dilema da grade que pode cancelar novelas para dar espaço ao brilho de Gimenez.
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A Proposta da Band: Autoralidade e o DNA do Superpop
O grande diferencial que colocou a Band na liderança dessa corrida não foi apenas o dinheiro, embora a proposta financeira tenha sido, de fato, superior à do SBT. O que realmente brilhou aos olhos de Luciana Gimenez foi a promessa de liberdade editorial e a manutenção de sua identidade televisiva. Na Band, a proposta colocada na mesa garante que ela terá um programa autoral, moldado exatamente à sua imagem e semelhança, preservando o formato que a consagrou no comando do “Superpop”.
Para um apresentador com o tempo de estrada de Gimenez, ter um programa autoral é muito mais valioso do que apenas preencher um horário. A Band entendeu que o público de Luciana quer vê-la fazendo o que sabe fazer de melhor: debates acalorados, entrevistas polêmicas, pautas de comportamento e aquele toque de glamour e espontaneidade que são sua marca registrada. A emissora do Morumbi ofereceu a estrutura para que ela replique a dinâmica de sucesso que manteve a RedeTV! relevante por tantos anos, mas agora com uma abrangência e uma qualidade técnica superior.
Diferente de tentar enquadrar a apresentadora em formatos comprados ou engessados, a Band aposta no carisma natural de Luciana. A ideia é criar uma atração noturna, possivelmente diária ou com múltiplas inserções semanais, onde ela tenha autonomia para ditar as pautas e o ritmo do show. Essa valorização do “produto Luciana Gimenez” foi decisiva. Ela não será apenas mais uma peça na engrenagem; ela será a dona do show, algo que satisfaz tanto o ego artístico quanto as necessidades comerciais de seus patrocinadores fiéis.
Financeiramente, a Band também foi mais agressiva. Sabendo do potencial de faturamento que Gimenez traz consigo — ela é uma das apresentadoras que mais vende merchandising na televisão brasileira —, a emissora fez uma proposta salarial e de participação em lucros que superou o teto oferecido pelo canal de Silvio Santos. A combinação de dinheiro no bolso com a satisfação de manter seu estilo de apresentação fez com que a proposta do Morumbi se tornasse, praticamente, irrecusável diante das opções apresentadas pela concorrência.
O Projeto do SBT: Sabadou e a Falta de Identidade
Do outro lado da mesa de negociações estava o SBT, que também enxerga em Luciana Gimenez um potencial enorme de audiência. No entanto, a abordagem da emissora da Anhanguera foi considerada menos atraente pela apresentadora e sua equipe. O plano do SBT envolvia colocar Luciana à frente de projetos já existentes na grade ou formatos fechados, retirando dela a característica autoral que tanto preza. Um dos programas cogitados para ela assumir seria o “Sabadou”, ou outros projetos de temporada que a emissora costuma rodar.
Para Luciana, assumir um programa como o “Sabadou” ou qualquer outro formato pré-formatado significaria uma regressão em termos de liberdade criativa. Ela deixaria de ser a criadora de conteúdo e passaria a ser apenas uma condutora de quadros, algo que limita sua espontaneidade, que é justamente seu maior trunfo. A cultura do SBT, muitas vezes focada em formatos familiares e rígidos, não casou com o estilo mais “pimenta” e imprevisível que Luciana gosta de imprimir em suas atrações.
Além disso, entrar em um projeto já existente carrega o peso da comparação com apresentadores anteriores e a dificuldade de imprimir uma nova marca em algo que já tem “cara” de outro dono. Gimenez construiu sua carreira sendo a cara do “Superpop”; ela é a identidade do programa. A proposta do SBT, ao sugerir que ela se encaixasse na grade ao invés de a grade se adaptar a ela, soou menos prestigiada do que o tapete vermelho estendido pela Band.
Essa divergência de visões sobre como aproveitar o talento da apresentadora foi o fiel da balança. Enquanto o SBT oferecia estabilidade em uma grade consolidada, a Band oferecia protagonismo e autoria. Somado ao fato de que a proposta financeira da Anhanguera ficou abaixo da apresentada pelo Morumbi, a decisão de Luciana em inclinar-se para a Band tornou-se uma consequência natural de quem busca novos desafios sem perder a própria essência.
O Dilema da Grade da Band: Novelas ou Luciana?
Apesar do otimismo e da preferência de Luciana Gimenez pela Band, existe um obstáculo técnico e estratégico que precisa ser resolvido antes da assinatura do contrato: o horário. A grade da Band é conhecida por ser muito bem loteada, com horários vendidos para igrejas, programas esportivos consolidados e o jornalismo. Atualmente, a emissora enfrenta um dilema interno sobre onde encaixar essa nova superprodução sem prejudicar outros pilares de audiência.
O plano original da diretoria da Band para o horário nobre envolvia a criação de uma segunda faixa de novelas. A emissora tem um histórico de sucesso com tramas turcas e portuguesas, que costumam fidelizar um público cativo e elevar a média da noite. A ideia era expandir esse segmento, criando um fluxo contínuo de teledramaturgia para competir com as novelas da Globo e da Record. No entanto, a chegada de Luciana Gimenez bagunça completamente esse planejamento, pois ambos os projetos disputam a mesma faixa horária nobre.
Agora, a alta cúpula da Band se vê diante de uma escolha de Sofia: manter o projeto da segunda faixa de novelas, que garante uma audiência estável mas moderada, ou abortar completamente a ideia da teledramaturgia para abrigar o programa de auditório de Luciana Gimenez. A segunda opção parece estar ganhando força, visto que um programa de auditório ao vivo tem um potencial de faturamento publicitário (merchandising testemunhal) infinitamente superior ao de uma novela enlatada.
Se a Band optar por Luciana, o projeto das novelas será engavetado ou drasticamente reduzido. A emissora precisará redesenhar sua estratégia de prime time, apostando que o barulho e a repercussão de Gimenez trarão mais resultados do que a fidelidade das novelas. É uma aposta arriscada, mas que demonstra o quanto a emissora está disposta a investir para ter a apresentadora em seu elenco. O espaço precisa ser criado, e tudo indica que a dramaturgia será a sacrificada em prol do entretenimento de variedades.
A Decisão Pós-Carnaval e o Novo Cenário da TV
Com as cartas na mesa, o cenário está desenhado para um desfecho logo após a quarta-feira de cinzas. A estratégia de Luciana Gimenez de segurar a decisão até depois do Carnaval é inteligente, permitindo que as emissoras ajustem suas ofertas e resolvam seus problemas internos — como o dilema da grade da Band — sem a pressão imediata de uma estreia. Esse tempo extra também serve para que a apresentadora prepare sua saída da RedeTV! de forma organizada, encerrando um ciclo histórico.
A expectativa do mercado publicitário é alta. A ida de Luciana para a Band pode revitalizar a faixa noturna da emissora, atraindo marcas que hoje investem pesado em influenciadores digitais e na concorrência. Para a Band, ter Gimenez é um atestado de força e vitalidade, mostrando que o canal está vivo na briga pela vice-liderança ou pelo terceiro lugar consolidado em horários estratégicos.
Para o telespectador, a mudança promete oxigenar a programação. Ver Luciana Gimenez em um novo cenário, com nova direção e novos recursos, mas mantendo a essência polêmica e divertida do “Superpop”, é um atrativo poderoso. Resta agora aguardar o fim da folia para que o contrato seja assinado e a Band possa, finalmente, anunciar sua nova estrela, possivelmente decretando o fim, ao menos temporário, de suas pretensões de expandir as novelas em favor do brilho de uma das maiores apresentadoras do país.







