O mundo da televisão brasileira nos entrega diariamente um verdadeiro espetáculo de contrastes, onde a maturidade de alguns profissionais esbarra frontalmente no amadorismo e na falta de responsabilidade de outros. Neste final de semana, o público acompanhou duas situações completamente opostas envolvendo o passado e o presente do SBT. De um lado, a apresentadora Eliana celebrou um marco histórico em sua carreira com extrema classe e elegância, ignorando completamente as alfinetadas que sofreu. Do outro, a direção do canal de Silvio Santos demonstrou que está prestes a abrir uma verdadeira “lavanderia industrial” de tanto pano que vem passando para atitudes preconceituosas de seus contratados, especialmente do apresentador Ratinho.
Enquanto a nova contratada da Globo mostrava como se constrói um legado inabalável na televisão, a gestão de Daniela Beyruti escancarou uma fraqueza perigosa ao lidar com crises de imagem e declarações problemáticas ao vivo.
Table of Contents
O Silêncio Elegante de Eliana e a Polêmica com Carol Lekker
Nesta sexta-feira, Eliana publicou um vídeo emocionante em suas redes sociais para celebrar um feito raríssimo na televisão brasileira: ela completou exatos 21 anos de trajetória ininterrupta no comando de programas dominicais. A data é um marco que consolida o seu nome no panteão das maiores comunicadoras do país.
Em seu discurso, a apresentadora relembrou a relação íntima que construiu com o público ao longo de mais de duas décadas.
- Conexão familiar: Eliana destacou que o domingo sempre teve um significado “mágico” para ela, transformando-se em uma ponte direta de conexão entre a sua casa e a sala de estar de milhares de famílias brasileiras durante o almoço especial do fim de semana.
- Trajetória nas três emissoras: Ela fez questão de ressaltar que passou por três grandes emissoras ao longo desse período (Record, SBT e, agora, Globo), afirmando ter sido acolhida com profundo carinho e respeito em todas elas, crescendo junto com o seu público em cada uma dessas etapas.
O que mais chamou a atenção, no entanto, foi o que Eliana não disse. O vídeo comemorativo foi publicado poucos dias após a apresentadora Carol Lekker, do Fofocalizando (SBT), debochar e tecer duras críticas aos índices de audiência e ao desempenho do Em Família, novo programa de Eliana na Globo. O comentário gerou tanto mal-estar que Lekker foi afastada do programa por dois dias e precisou pedir desculpas ao vivo quando retornou. Eliana, com a maturidade de quem sabe o seu lugar na indústria, optou pelo silêncio elegante. Ela simplesmente ignorou a existência da polêmica, não citou nomes, não rebateu as críticas e focou apenas em celebrar a sua história.
SBT e a “Lavanderia Industrial” de Passar Pano para Ratinho
Se Eliana deu uma aula de como gerenciar a própria imagem e fugir de barracos desnecessários, a direção do SBT fez exatamente o oposto ao lidar com o comportamento de seus veteranos. A emissora se viu no centro de intensas cobranças após o apresentador Ratinho disparar falas de cunho homofóbico e colocar o cantor Tiago Piquilo em uma situação de profundo constrangimento e exposição desnecessária em rede nacional.
A atitude deplorável não passou despercebida pela mídia especializada. O jornalista Fefito utilizou o seu espaço para gravar um vídeo contundente, reclamando do episódio e cobrando um posicionamento firme e atitudes práticas da emissora diante do preconceito escancarado no palco de um de seus principais programas.
- A desculpa esfarrapada: Em vez de emitir uma nota de repúdio ou exigir uma retratação pública do apresentador, a vice-presidente do SBT, Daniela Beyruti, resolveu responder ao jornalista com uma passada de pano monumental.
- Conversa de bastidor: Daniela justificou que Ratinho “não fez por mal”, usou a velha desculpa de que ele é de “outra época” e afirmou que iria conversar com o apresentador no particular para resolver a situação.
A Necessidade de Retratação Pública e o Fim das Muletas
A resposta de Daniela Beyruti foi considerada deplorável e gerou revolta em quem espera um mínimo de responsabilidade social das emissoras de TV aberta. Usar o argumento de que uma pessoa mais velha “não fez por mal” ou que “é de outro tempo” para justificar homofobia em 2026 é usar uma muleta argumentativa que já não se sustenta mais na sociedade atual.
O SBT precisa entender urgentemente que atitudes problemáticas não se resolvem com tapinhas nas costas ou conversas amigáveis nos corredores e camarins da Anhanguera.
- O palco do crime é o palco da retratação: O que Ratinho fez ocorreu na frente das câmeras, com o microfone ligado, sendo transmitido para milhões de brasileiros em rede nacional. Portanto, a repreensão, a correção e o pedido de desculpas precisam obrigatoriamente acontecer no mesmo espaço, com o microfone ligado e de frente para o público.
- Consequências reais: Mudanças de cultura dentro de uma empresa não vêm acompanhadas apenas de conversas de bastidores. Se a atitude não for visível e não houver consequências práticas, a desculpa se torna apenas um ensaio barato para abafar a crise. E de desculpas ensaiadas e panos passados, o telespectador brasileiro já está exausto.










