A disputa por audiência fora do eixo Globo-Record-SBT revela um cenário catastrófico e de sobrevivência extrema na televisão brasileira. De um lado, a RedeTV! atinge níveis históricos de rejeição de público, amargando números que flertam com o traço absoluto. Do outro, a Band consegue se manter na quarta colocação, mas paga um preço altíssimo por isso: ceder o controle de sua própria grade e audiência para manter grandes nomes no elenco, correndo o risco de canibalizar os seus próprios produtos jornalísticos.
O raio-x desse submundo da TV escancara falhas graves de planejamento estratégico e uma profunda falta de respeito com o telespectador.
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A HUMILHAÇÃO HISTÓRICA DA REDETV! NO RIO DE JANEIRO
O sinal de alerta não está mais apenas piscando na RedeTV!; ele já explodiu. A situação da emissora paulista no Rio de Janeiro, uma das praças publicitárias mais importantes do país, está em queda livre e atingiu contornos de humilhação. No fechamento dos dados de agosto, a emissora de Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho foi apenas a sétima escolha dos telespectadores cariocas, registrando um pífio 0,19 ponto de média.
O vexame se consolida ao observarmos quem está na frente. Além de perder, naturalmente, para Globo (12,41), Record (3,40), SBT (2,05) e Band (0,50), a RedeTV! conseguiu a proeza de ser derrotada por dois canais disponíveis exclusivamente na TV por assinatura: o Globoplay Novelas (0,34) e o canal de esportes SporTV (0,23). A humilhação foi tão profunda que, por muito pouco, a rede aberta não foi superada pelo canal fechado AXN, que marcou 0,18 ponto.
O LOOP INFINITO E O DESPREZO PELO PÚBLICO
A explicação para essa fuga em massa de telespectadores reside diretamente na tela. O público fluminense (e brasileiro) simplesmente não suporta mais a falta de investimento e o amadorismo da programação de final de semana.
As constantes e inexplicáveis mudanças na grade espantam qualquer tentativa de fidelização. O maior símbolo dessa decadência é o pitoresco programa A Hora do Zap. A atração, baseada em clipes da internet, foi exibida inacreditáveis 17 vezes apenas no primeiro sábado e domingo do mês. A tática de utilizar um “loop infinito” com os mesmos vídeos repetidos à exaustão há meses prova que a emissora jogou a toalha na disputa por qualidade, afastando até mesmo os espectadores mais saudosistas.
BAND REFÉM: A LIBERDADE DE LEO DIAS E O FANTASMA DE FAUSTÃO
Enquanto a RedeTV! afunda, a Band ostenta seus 0,50 pontos no Rio de Janeiro e a quarta posição nacional, mas os bastidores revelam uma emissora que topa qualquer negócio para reter seus talentos. O caso do colunista Leo Dias é o maior exemplo de como a direção da Band cedeu o controle. Diferente do SBT, que barrou as divulgações excessivas de Rodrigo Bocardi, a emissora do Morumbi deu total e irrestrita liberdade para Dias promover a sua “LeoDias TV” na internet.
O resultado prático é uma sabotagem interna: o jornalista frequentemente convida os telespectadores a migrarem para o seu canal no YouTube logo após o encerramento do Melhor da Tarde, movimento que “rouba” ativamente o público que deveria ser entregue para o Brasil Urgente.
Essa postura permissiva da Band não é inédita e reflete o trauma de apostas mal calculadas no passado recente. A emissora ainda carrega a cicatriz do fracasso monumental que foi a contratação de Fausto Silva. Após tirar o apresentador da Globo, o Faustão na Band nunca decolou, amargou o quarto lugar, sofreu cortes brutais e saiu do ar, deixando um rombo na programação. O mercado observa atentamente: até que ponto vale a pena entregar a chave da emissora nas mãos de um talento correndo o risco de destruir a própria grade de programação?




