O SBT vive dias de alta voltagem e decisões drásticas nos bastidores. Na incansável busca para equilibrar o faturamento comercial e a audiência, a direção do SBT está provando que não tem medo de recalcular a rota com a bola rolando, mesmo que isso envolva barrar privilégios de grandes contratações, jogar a toalha em coberturas políticas importantes e abrir o cofre para peitar a TV Globo em negociações milionárias.
O epicentro do atual terremoto atinge diretamente o final de tarde da emissora. O telejornal SBT Cidades, comandado por Rodrigo Bocardi e Erica Reis, passou por uma limpa agressiva apenas um mês após a sua estreia oficial. A alta cúpula do canal decidiu dar um basta e cortou o acordo que permitia a divulgação da “BocaTV”, o projeto multiplataforma de jornalismo independente pertencente ao próprio Bocardi.
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O BASTIDOR DA CRISE COM BOCARDI: FATURAMENTO E AUTOPROMOÇÃO
A decisão de remover o QR code da tela e extinguir as chamadas para as redes sociais do âncora foi motivada por um claro diagnóstico interno: a autopromoção estava passando do ponto. O SBT emitiu uma nota oficial polida, afirmando que a parceria entre o apresentador e a emissora segue “bem-sucedida” e que a mudança ocorreu em “comum acordo”, repactuando os termos para que os projetos sigam de forma independente.
Contudo, a realidade dos corredores é bem mais tensa. O clima já gera faíscas porque, além da frustração com o corte de sua marca pessoal, há uma profunda insatisfação da direção com o desempenho comercial do telejornal. A rede tinha a expectativa de que o peso do nome de Bocardi atrairia marcas diferenciadas, mas o projeto estreou com um faturamento baixo e falhou até mesmo em conservar os anunciantes que já investiam em formatos extintos da casa, como o Tá na Hora e o clássico Aqui Agora. A situação se assemelha aos atritos passados que a emissora teve com Leo Dias e Luiz Bacci, provando que o SBT não hesita em mudar as regras do jogo quando se sente prejudicado.
JORNALISMO EM BAIXA: CANCELAMENTO DO DEBATE
A crise no departamento de jornalismo não se restringiu ao final de tarde. O SBT também decidiu recuar e cancelou definitivamente a realização do seu debate com os presidenciáveis, que estava agendado para a noite da próxima segunda-feira, dia 14. A decisão foi tomada por pura desmotivação após as ausências confirmadas de nomes fortes da disputa, como Lula e Flávio Bolsonaro.
Curiosamente, a lacuna deixada pela TV aberta foi rapidamente preenchida pelo mercado digital. O canal MathiasTV, comandado pelo apresentador Paulo Mathias na internet, assumiu imediatamente a data e o horário (às 21h) para promover o encontro entre os políticos. Até o fechamento das agendas, candidatos como Renan Santos e Ronaldo Caiado já haviam confirmado presença na transmissão digital, evidenciando uma perda de prestígio e de protagonismo da emissora no cenário político atual.
APOSTA NA JUVENTUDE E A GUERRA PELA COPA DO BRASIL
Se o hard news enfrenta turbulências, a área de esportes e o entretenimento buscam saídas para manter a emissora relevante. Uma iniciativa que tem arrancado elogios da crítica especializada é a aposta em Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano para comandar o programa Sessão +SBT Show nas tardes de sábado. A escolha da dupla é vista como um movimento essencial e acertado para dar oportunidades a novos valores e tentar resgatar o público mais jovem, uma parcela da audiência quase esquecida pela TV aberta nos últimos tempos.
O grande tiro de misericórdia do SBT, no entanto, mira os gramados. A emissora está disposta a abrir os cofres e se colocou como a única rede de TV aberta a disputar diretamente com a Globo os direitos de transmissão da Copa do Brasil a partir do ano que vem. Com a Record de fora da jogada, o mercado aguarda com ansiedade o resultado da licitação, que será divulgado no evento de sorteio das semifinais na CBF. A guerra nos bastidores mostra que o SBT pode estar cortando gastos e privilégios de um lado, mas guarda sua verdadeira munição para a paixão nacional.




