A teledramaturgia da TV Globo vive um momento de pura ebulição com as reviravoltas eletrizantes de “Quem Ama Cuida”. Enquanto o folhetim sofre nos bastidores com decisões questionáveis da direção da emissora — que incluem horários flutuantes ao longo da semana e cortes drásticos que deixam capítulos com míseros quinze minutos às quartas-feiras, transformando o acompanhamento da grade em um verdadeiro teste de paciência para o telespectador —, a história principal engata a quinta marcha para entregar um dos momentos mais aguardados pelo público. O centésimo capítulo, que vai ao ar nesta sexta-feira (11), chega como um verdadeiro divisor de águas, implodindo alianças antigas, destruindo vilões e abrindo caminho para uma sequência avassaladora de acertos de contas arquitetados pela protagonista Adriana, vivida por Leticia Colin.
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A DERROCADA DE ULISSES EM QUEM AMA CUIDA
A derrocada de Ulisses, personagem de Alexandre Borges, é o grande motor dessa virada monumental. O cerco começa a se fechar quando Fábia, interpretada por Flávia Alessandra, segue uma pista certeira plantada estrategicamente pela fisioterapeuta e flagra o próprio marido entregue aos vícios em um cassino clandestino. A decepção se transforma em revolta imediata quando ela descobre da pior maneira possível que Pilar, vivida por Isabel Teixeira, utiliza sem nenhum pudor a compulsão do irmão por jogos como ferramenta de manipulação e controle.
Pressionado contra a parede e sem saída, o jogador compulsivo é obrigado a confessar que perdeu sua posição e não é mais sócio da prestigiada joalheria da família. As consequências dessa revelação são instantâneas e brutais: Fábia decide cortar o mal pela raiz, recusa-se a dividir qualquer centavo obtido com a venda da participação na empresa, zera a conta conjunta que mantinha com o marido, bloqueia todos os cartões de crédito e o expulsa de casa sem olhar para trás.
O castigo do ex-ricaço ganha novos contornos dramáticos no sábado, quando Pilar, demonstrando total frieza familiar, se recusa categoricamente a abrigá-lo em sua residência e limita-se a jogar em suas mãos apenas a chave da antiga casa que pertencia aos pais deles. Para coroar essa fase de humilhações públicas, a vida amorosa de Ulisses ganha um tempero dramático inusitado quando Lyris, interpretada por Pri Helena, confessa diretamente a Adriana que está perdidamente apaixonada pelo rapaz em ruínas
A CONDENAÇÃO DE ADEMIR
Paralelamente à queda de Ulisses, a fúria implacável de Adriana atinge com força máxima o segundo grande alvo de sua lista de justiça: Ademir, vivido por Dan Stulbach. O cerco judicial contra o assediador ganha ares dramáticos quando Suely, interpretada por Julia Stockler, bate o pé e avisa a Pedro, papel de Chay Suede, que manterá firme o seu depoimento incriminatório contra o réu, superando o medo inicial de sofrer retaliações. Nem mesmo o apoio de Carmita, vivida por Deborah Evelyn, que se oferece para testemunhar a favor do criminalista, consegue salvar a pele do vilão. Sem saída e acuado, Ademir decide arriscar tudo e fazer a própria defesa perante o tribunal, mas acaba recebendo uma condenação implacável. Transtornado com a derrota e tomado por uma fúria incontrolável logo após o encerramento da audiência, ele parte para cima do próprio filho com extrema violência, desferindo um soco em Pedro.
A vitória judicial e moral tem um sabor indescritível para Adriana, que faz questão de visitar o inimigo declarado diretamente na cadeia para saborear o momento e revelar friamente que foi a grande arquiteta de sua derrocada, incluindo o incentivo para que Suely levasse a denúncia adiante. No entanto, a estratégia friamente calculada e cada vez mais agressiva da protagonista começa a levantar sérias suspeitas. Ainda durante o centésimo capítulo, Pedro, já com a pulga atrás da orelha, confronta diretamente Adriana com perguntas incisivas, querendo saber se foi ela quem armou o flagrante que expôs Fábia no cassino clandestino.
O ATAQUE AO IMPÉRIO BRANDÃO
Enquanto lida com as desconfianças de aliados, Adriana desfere o golpe mais audacioso de sua vingança direto no coração do império dos Brandão. A participação societária que antes pertencia a Ulisses foi comprada totalmente em segredo pela protagonista, que utilizou Nancy, interpretada por Jeniffer Nascimento, como sua testa de ferro e representante legal. O grande ápice dessa manobra ocorre durante uma luxuosa exposição em homenagem a Arthur, vivido por Antonio Fagundes, momento em que Adriana se revela publicamente como a nova e poderosa sócia da empresa, deixando Pilar completamente em choque ao perceber que há uma inimiga infiltrada operando nas sombras.
ADRIANA SERÁ INOCENTADA, MAS MISTÉRIO DA MORTE CONTINUA COM A VOLTA DE HEITOR
E quando tudo parecia caminhar para o triunfo definitivo da justiça com relação ao passado da heroína, o tabuleiro sofre uma reviravolta digna de suspense policial. César, interpretado por Rainer Cadete, consegue adquirir de Adélia, vivida por Juliana Guimarães, os dossiês e arquivos confidenciais deixados pelo perito Dalto. Ao destrinchar o material técnico lado a lado com Bia, papel de Maria Ribeiro, ele localiza os relatórios periciais originais referentes à morte de Arthur, provas irrefutáveis que comprovam preto no branco que Adriana foi condenada injustamente por um crime que nunca cometeu.
Munido das provas, César articula um encontro formal acompanhado de advogado para revelar a novidade à ex-detenta, que comparece ao lado de Pedro. Contudo, a revelação da inocência não pacifica a trama; pelo contrário, abre espaço para o retorno cinematográfico de Heitor, interpretado por Renato Góes. Francesca, vivida por Nathalia Dill, revela a Otoniel, papel de Tony Ramos, que Heitor está vivo no exterior. Decidido a descobrir por conta própria quem foi o verdadeiro assassino do pai ao constatar que a mulher presa era inocente, o herdeiro desembarca no Brasil de forma totalmente oculta, hospeda-se em um hotel anônimo e dá início à sua própria investigação paralela antes mesmo de reaparecer para a família Brandão



