Alerta Vermelho na Record: A Fazenda Atola no Ibope e Sofre com Fuga de Patrocinadores
Os corredores da Record em Itapecerica da Serra e na Barra Funda vivem dias de pura tensão e apreensão comercial. O maior e mais caro produto de entretenimento da emissora, A Fazenda 18, estreou com a dura missão de apagar a imagem arranhada deixada pelo fracasso do recente reality Casa do Patrão. No entanto, o começo da atração rural ligou um alerta vermelho gigantesco tanto na audiência quanto no faturamento. Na sua noite de estreia, o programa entregou números considerados satisfatórios apenas para a nova realidade da TV, cravando 5,6 pontos de média, com picos de 6,6 e 13,2% de share na Grande São Paulo, o que garantiu a vice-liderança.
O verdadeiro desastre, no entanto, ocorreu na segunda noite de exibição. O reality show simplesmente atolou no ibope e despencou para míseros 3,55 pontos de média no Painel Nacional de Televisão (PNT), que mede a audiência nas 15 principais regiões metropolitanas do país. O número catastrófico empurrou a Record para um amargo terceiro lugar, perdendo feio para o SBT, que alcançou 3,84 pontos impulsionado pela dobradinha entre a Copa Sul-Americana e o Programa do Ratinho. Essa crise de público reflete diretamente no caixa da emissora: em outros tempos, A Fazenda estreava com todas as suas cotas de patrocínio completamente vendidas, mas, diante da forte retração do mercado, o programa conta no momento com apenas três patrocinadoras oficiais: McDonald’s, Dark Lab e BYD.
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Os Prós e Contras: Elenco de “Ex-Chiquititas” e Dinâmicas Confusas
O mercado já analisa friamente o que está dando certo e o que está afundando a nova temporada do reality sob o comando de Rodrigo Carelli. Entre os pontos positivos aprovados pelo público, destaca-se a nova mecânica de entrada dos peões, que foi muito mais elegante, acelerada e menos arrastada que nos anos anteriores. A dinâmica de apontamento logo no primeiro dia também foi elogiada por quebrar a monotonia inicial, assim como a decisão de ter mais dias de exibição ao vivo, deixando apenas dois dias gravados na semana.
Por outro lado, as falhas na execução e na escalação estão cobrando um preço altíssimo. A introdução dos chamados “visitantes” pecou pela total falta de explicação, deixando no público a sensação de que faltava algo, sendo considerada uma dinâmica muito inferior à clássica “Casa de Vidro” do concorrente Big Brother Brasil. Porém, a maior enxurrada de críticas vai para a escalação do elenco principal: a produção abusou do número de “ex-Chiquititas” e de personalidades rotuladas como “ex-alguma coisa”, passando a nítida impressão de que juntaram qualquer pessoa disposta a participar. A maior parte do público tem tido enorme dificuldade para identificar quem são essas pessoas e de onde elas vieram, o que prejudica severamente o engajamento.
O Pânico no Jornalismo e a Vitória Irônica das Manhãs
Saindo do entretenimento para o jornalismo, o cenário não é menos tenso. A Record montou uma superestrutura para a cobertura das eleições: o estúdio está pronto, a sala de imprensa está quase finalizada e o credenciamento de profissionais já começou. O problema é que paira uma enorme incerteza sobre a realização dos debates. A expectativa é de esvaziamento: na próxima segunda-feira, no debate dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas não deve comparecer. O pessimismo também toma conta da emissora para o debate presidencial marcado para o domingo, dia 27, ameaçando jogar no lixo todo o investimento logístico da rede.
Ironicamente, a única grande vitória da Record TV neste momento não vem de superproduções ou coberturas milionárias, mas sim das madrugadas. Os programas religiosos da emissora estão impondo derrotas consecutivas ao Hora 1, da TV Globo, em cidades importantes do país. A força da programação da Igreja tem ajudado a derrubar os índices do telejornal global na Grande São Paulo para abaixo dos 4 pontos, empurrando a emissora líder para a pior audiência da sua história na faixa matutina.






