A Guerra dos Números: Emissoras de Londrina se Revoltam Contra o Ibope
Os bastidores da medição de audiência no Brasil estão pegando fogo, e o foco da atual crise está fora do eixo Rio-São Paulo. As emissoras de TV da região de Londrina, importante polo no interior do estado do Paraná, entraram em uma verdadeira guerra declarada contra o tradicional instituto Ibope. O imenso mal-estar corporativo teve início nas últimas semanas, logo após a empresa de medição solicitar de forma oficial que os canais locais simplesmente desconsiderassem os resultados da última pesquisa semestral realizada na praça.
A justificativa técnica apresentada pela medidora para essa anulação repentina foi a constatação de uma suposta “inconsistência na coleta dos dados”. O grande problema que gerou a ira das emissoras é que esses números invalidados chegaram a ser enviados para as televisões antes de sumirem de forma misteriosa e rápida dos sistemas internos. Os dados dessa pesquisa descartada traziam um cenário surpreendente e animador para algumas redes: apontavam o jornalístico “Tribuna da Massa”, exibido pela Rede Massa (afiliada local do SBT), na cobiçada liderança isolada de audiência, enquanto o tradicional e forte “Balanço Geral” da RIC (afiliada da Record) amargava um atípico quarto lugar na preferência do público paranaense.
Para tentar solucionar o impasse de imediato, o instituto orientou os executivos de televisão a voltarem a considerar como válidos e atuais os resultados da última pesquisa de 2025. O detalhe é que esses números antigos mostram a RPC (afiliada da Rede Globo) como a líder isolada e absoluta em absolutamente todos os horários da grade. Tentando apaziguar os ânimos exaltados nos bastidores, a medidora prometeu aos executivos das redes que irá rodar uma nova pesquisa na cidade de forma totalmente gratuita como compensação pelo erro, mas até o presente momento não cravou uma data exata para que esse novo levantamento de campo aconteça.
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A Ameaça dos Vídeos Curtos e o Novo Hábito de Consumo
Enquanto as afiliadas brigam por cada décimo de ponto no Ibope, a televisão aberta como um todo enfrenta um desafio estrutural muito mais complexo, silencioso e avassalador: a mudança radical e acelerada nos hábitos de consumo de vídeo da população. Uma recente e detalhada pesquisa divulgada pelo braço corporativo Kwai for Business acendeu um gigantesco alerta vermelho nas mesas das diretorias de programação ao revelar que exatos 50% dos entrevistados já passam mais de três horas por dia consumindo exclusivamente vídeos curtos nas telas dos celulares.
Esse novo padrão de consumo audiovisual acontece de maneira extremamente fragmentada ao longo de toda a rotina, encaixando-se perfeitamente durante a realização de tarefas domésticas, ganhando tração no período noturno e atingindo o seu pico de atenção concentrada principalmente minutos antes de o usuário dormir. Os dados consolidados mostram ainda que os vídeos com duração máxima de até um minuto são o formato absoluto na preferência de 31% dos participantes do estudo. Para os analistas e especialistas de mídia, essa é uma mudança de rota importantíssima que a televisão tradicional não pode mais se dar ao luxo de ignorar solenemente.
Ficou claro que a disputa mercadológica deixou de ser apenas uma batalha de grade entre as emissoras convencionais no controle remoto. Hoje, a TV aberta concorre ativamente pela atenção, pelos olhos e pelo escasso tempo do seu público contra um universo digital infinito que cabe na palma da mão em qualquer intervalo do dia. Como caminho de sobrevivência e adaptação, os especialistas sugerem que as redes tradicionais invistam na criação de formatos nativos para essas plataformas. Uma das ideias ventiladas seria a Globo criar uma espécie de “Vídeo Show” exclusivo para as redes sociais, com edições caprichadas, cortes dinâmicos de suas novelas e notícias e com apresentação própria, o que inevitavelmente abriria as portas para um novo e altamente vantajoso campo de exploração comercial e venda de patrocínios.
O Futuro da TV por Assinatura e a Dança das Cadeiras na ABTA
No universo da televisão fechada, o momento também é de reavaliação de rotas e intensa troca de comandos estratégicos. Durante a realização do badalado evento +TV Fórum, promovido de forma conjunta pelas plataformas Tela Viva e Teletime, o mercado foi oficialmente comunicado sobre uma troca histórica de cadeiras nas lideranças do setor. O executivo Jonas Antunes foi anunciado para assumir a presidência da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). Ele terá a dura missão de substituir Oscar Simões, que esteve à frente da poderosa associação durante os últimos 14 anos de operações.
O maior, mais claro e mais urgente desafio para a nova gestão da ABTA será elaborar estratégias eficazes para interromper ou ao menos frear a acelerada queda no número de assinantes na base nacional da TV paga. Contudo, apesar do cenário de retração nos pacotes físicos e da fuga do público para o streaming, há um sólido entendimento institucional no mercado de que as transformações digitais seguirão existindo, mas que o formato de TV por assinatura nunca acabará de forma definitiva. Durante o evento, líderes e executivos de gigantes do mercado, como Claro, Samsung, Roku e a própria Rede Globo, fizeram questão de destacar a importância contínua e vital do setor, reforçando que, hoje em dia, as operações a cabo evoluíram muito além da entrega de canais tradicionais, agregando diversas novas formas de transmissão via internet e integração de aplicativos.
Expansão Regional: Zahran Compra Jaime Câmara e Agita o Mercado
Fechando o nosso raio-x pelas grandes movimentações dos bastidores da mídia corporativa, o mercado brasileiro acompanhou a consolidação de um negócio de altíssimo impacto financeiro na região Centro-Oeste. O poderoso Grupo Zahran, que historicamente já controla com mãos de ferro as afiliadas da TV Globo nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, abriu os cofres e efetuou a compra de absolutamente todas as operações que pertenciam ao tradicional Grupo Jaime Câmara no estado de Goiás.
Essa aquisição monumental e milionária não se restringe apenas à concessão de televisão. Ela engloba a estrutura completa de comunicação da empresa, o que significa que o Grupo Zahran passa a administrar também toda a rede de rádios, os jornais impressos de circulação e os diversos portais de notícias locais. O negócio sacudiu os bastidores e gerou uma enorme expectativa em todo o mercado publicitário goiano, especialmente porque a capital Goiânia é reconhecida nacionalmente por ser uma praça muito dura e extremamente competitiva, onde os produtos da Record e do SBT possuem uma força impressionante de audiência e batem de frente diariamente contra a liderança da TV Globo.
Por fim, no nicho de compras televisivas, uma veterana está voltando à ativa. Vivi Romanelli, rosto inesquecível que marcou a história do setor com os seus trabalhos eletrizantes no extinto Shoptime e passagens por Band e RedeTV!, está retornando com tudo ao formato de vendas de produtos ao vivo. A grande diferença é que agora ela é a mais nova e promissora aposta da plataforma TV Connect, voltando o seu reconhecido talento comercial especificamente para o mercado dos Estados Unidos.




