O Mico do Fundo Verde, o Motel de “Avenida Brasil 2” e o Futebol Feminino nas Seis
Os corredores dos Estúdios Globo vivem dias de contrastes absolutos, misturando o alívio de grandes sucessos de audiência com situações de puro amadorismo nos bastidores. O setor de teledramaturgia da emissora está a todo vapor planejando os próximos anos da sua grade, mas precisa lidar com as críticas afiadas do público e da imprensa sobre a execução de suas tramas atuais. Entre o resgate de clássicos intocáveis e a quebra de tabus em tramas de época, sobrou espaço para uma boa dose de preguiça na produção.
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O Sucesso e a Preguiça Inexplicável em “Por Você”
A faixa das 19h finalmente respira aliviada. A novela Por Você estreou com força total e já conseguiu o milagre de espantar o fantasma do fracasso deixado pela sua problemática antecessora, Coração Acelerado. Os números do Painel Nacional de Televisão (PNT) são animadores: em seu segundo capítulo, o folhetim cravou a impressionante marca de 21,59 pontos de média, alcançando mais de 18,3 milhões de telespectadores por minuto. Com esse desempenho, a trama já se consolidou como a 3ª maior audiência de toda a televisão, ficando atrás apenas do Jornal Nacional e da novela das 21h, Quem Ama Cuida.
No entanto, toda essa glória nos números não blindou a produção de virar a grande piada da semana. A Globo divulgou um vídeo de bastidores que expôs uma crise de “preguicite” aguda da equipe. Na gravação, a atriz Sheron Menezzes, que vive a protagonista Bela, aparece atuando na frente de um imenso chroma key (fundo verde falso) para simular uma simples paisagem do Rio de Janeiro ao fundo. O grande mico que revoltou a crítica especializada é que a novela inteira já é gravada dentro da própria cidade do Rio de Janeiro. Como apontaram os colunistas, para resolver o cenário, bastava a equipe literalmente abrir a janela do estúdio, mas preferiram uma economia exagerada e desnecessária de efeitos visuais.
Para piorar o clima nos bastidores, a novela também foi alvo de críticas pelo desperdício de talentos clássicos. A atriz Cristina Mullins, grande estrela da casa nos anos 1980 e 1990, fez uma participação nos primeiros capítulos como a empregada Dulce. Em vez de valorizar o retorno da veterana, a direção deu pouquíssimo destaque a ela em cena e sequer a mencionou nos materiais de divulgação, desperdiçando a chance de atrair o público pela nostalgia.
Milícia, Periguetes e o Lucrativo Motel do Divino
Saindo das gafes das 19h e olhando para o cobiçado horário nobre, a expectativa do mercado publicitário é gigantesca para o mês de janeiro. É quando a icônica Avenida Brasil 2 fará sua estreia, substituindo Quem Ama Cuida. Como já sabemos, Carminha (Adriana Esteves) vai aproveitar o luto da família após a morte de Monalisa (Heloisa Périssé) para dar o bote, mas a continuação escrita por João Emanuel Carneiro vai muito além do núcleo principal e promete expandir os horizontes (e os crimes) do bairro fictício.
O Divino Futebol Clube ganhará um destaque brutal na nova narrativa, com o ex-jogador Tufão (Murilo Benício) dividindo as atenções com um novo e poderoso personagem: o dirigente Espiridião, que será interpretado pelo veterano Ernani Moraes. Além de comandar os gramados, Espiridião será o dono de um negócio extremamente próspero e movimentado no coração do bairro: um motel. O local promete ser o novo grande palco de fofocas, traições e encontros secretos da novela.
A direção artística de Ricardo Waddington fez questão de manter a espinha dorsal do fenômeno de 2012, garantindo o retorno de Débora Falabella, Cauã Reymond, Marcos Caruso, Eliane Giardini, Leticia Isnard e Karol Lannes (a inesquecível Ágata). Mas o sangue novo do elenco é o que promete incendiar o bairro: Mel Maia foi escalada para viver uma autêntica periguete que vai causar no Divino, enquanto o ator Thomás Aquino terá o seu núcleo diretamente envolvido com os negócios perigosos da milícia carioca, trazendo um tom mais pesado e realista à continuação. Nomes fortíssimos como Jéssica Ellen e Thalita Carauta também completam o time de reforços.
A Quebra de Tabus em 1940: Futebol Feminino nas Seis
Enquanto o horário nobre aposta no futebol contemporâneo e no submundo do Rio, a faixa das 18h está preparando uma viagem no tempo para quebrar antigos tabus. A emissora já está desenvolvendo a todo vapor uma nova trama de época, escrita pelas autoras Carla Faour e Julia Spadaccini, com previsão de estreia para junho de 2027 (logo após as exibições dos folhetins A Nobreza do Amor e Lá na Minha Terra).
O título da produção ainda está sendo debatido nos corredores, com a emissora dividida entre as opções Dias de Glória e Tempos de Glória. O grande diferencial dessa aposta será a sua ambientação na conservadora década de 1940. A história vai acompanhar a saga de uma protagonista feminina à frente do seu tempo, cujo maior sonho é se tornar jogadora de futebol em uma época em que o esporte era violentamente proibido para as mulheres, prometendo fortes debates sobre empoderamento e preconceito.








