As tardes de sábado da televisão brasileira nunca mais serão as mesmas. Em um movimento drástico e arriscado, a direção do SBT decidiu alterar a sua grade de programação e colocar um ponto final em uma de suas sessões mais tradicionais. A mudança, no entanto, esconde uma estratégia de guerra muito bem calculada pela alta cúpula da emissora da Anhanguera para tentar sufocar a Record às vésperas da estreia do reality show A Fazenda.
Table of Contents
O Fim do “Cinema em Casa” e a Filosofia de Silvio Santos
A partir deste sábado (29), o SBT tira oficialmente do ar a sessão de filmes Cinema em Casa, que vinha sendo exibida há três anos. Com essa atitude, a emissora marca um fato histórico e curioso: torna-se a primeira entre as quatro maiores redes de TV aberta do país a não possuir mais um espaço regular para a exibição de longas-metragens em sua grade de programação.
Nos bastidores, a decisão expõe um forte contraste com a filosofia do saudoso Silvio Santos. Quando o caixa do canal estava no azul, o patrão sempre se preocupava em investir e aumentar despesas comprando grandes pacotes de filmes, sendo totalmente contra abaixar o salário dos artistas. Hoje, a nova direção faz exatamente o oposto para cortar custos, optando por extinguir os filmes e apostar em soluções caseiras e mais baratas.
A Promoção do “Sessão +SBT Show”
O substituto dos filmes já está definido: o programa Sessão +SBT Show, que deixa de ser um especial noturno e ganha status de atração fixa nas tardes de sábado, com três horas de duração (das 15h às 18h). Sob o comando de Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano, a atração apostará todas as suas fichas na nostalgia, resgatando acervos históricos do canal, homenageando ícones como Hebe Camargo e o próprio Silvio Santos, além de promover brincadeiras e distribuição de prêmios com a plateia ao vivo.
A promoção do programa não foi por acaso. O especial noturno virou um fenômeno de audiência e custo-benefício. Em agosto, chegou a ser o programa mais visto de toda a grade do SBT, marcando 3,3 pontos na Grande São Paulo e superando atrações inéditas e caras, como o Bake Off Brasil (2,8) e o Programa do João (2,8). Sendo construído com material de arquivo, o custo de produção é baixíssimo, o que agradou em cheio a diretoria.
A Arma Secreta Contra “A Fazenda”
Colocar três horas de nostalgia nas tardes de sábado é a principal arma do SBT para uma guerra que tem data marcada: 14 de setembro. A emissora quer aproveitar o mês de transição complicada na grade da Record para tentar “roubar” pontos preciosos de audiência das novelas Iludida e Reis.
O objetivo final é atrair o público e enfraquecer a concorrência antes da estreia da nova temporada de A Fazenda. Como a expectativa do mercado é que o reality rural já sofra com uma audiência menor do que no ano passado, o SBT decidiu intensificar essa queda com uma concorrência feroz e nostálgica aos finais de semana.
O Ibope e a Comemoração Precipitada
Enquanto o SBT planeja o futuro, alguns diretores ainda tropeçam no presente. Recentemente, um problema de medição do Ibope (semelhante ao que ocorreu na Copa do Mundo) gerou um “show de horrores” nos números de realtime. O erro “premiou” a Globo, que viu a sua audiência dobrar magicamente assim que a transmissão do show de Gusttavo Lima terminou.
Nesse mesmo cenário de dados instáveis, o diretor do Programa do João chegou a comemorar nas redes sociais uma aproximação inédita com a Globo. A empolgação, no entanto, deve durar pouco, já que o programa costuma perder para as pregações evangélicas da Record e os dados consolidados do Ibope mostrarão uma realidade bem diferente do realtime comemorado.



