O Exagero Policialesco, o Domínio da Globo e a Barreira Eleitoral: O Momento Delicado do SBT
A televisão aberta brasileira está prestes a enfrentar um de seus maiores testes de sobrevivência do ano, e o SBT encontra-se bem no olho do furacão. Enquanto a emissora lida com o desafio de reter o público diante de uma programação pesada e da forte concorrência, um fator externo ameaça frear de vez a sua principal estratégia de reação no Ibope diário.
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A Grade Escancarada e o Peso do “Arsenal” da Globo
Um dos principais pontos de atenção nos bastidores da emissora paulista é a linha editorial adotada em parte de sua programação. Assim como a Record, o SBT tem sido alvo de duras críticas por manter a sua grade escancarada para o noticiário estritamente policial, transformando as tardes e inícios de noite em uma exaustiva sucessão de tragédias. A crítica aponta que a rede possui profissionais capazes e um departamento de jornalismo estruturado para entregar algo com mais qualidade.
No entanto, por mais que a crítica seja totalmente válida, existe um fator de mercado cruel que explica essa apelação: a concorrência desleal no entretenimento. Quando emissoras como o SBT tentam investir em um jornalismo mais leve e focado em variedades, a audiência acaba invariavelmente caindo no colo da Globo. A emissora carioca possui um enorme arsenal artístico — com um elenco estrelado, recursos infinitos e produções de peso — que nenhuma outra rede dispõe. Sem esse “poder de fogo” para rechear revistas eletrônicas, o SBT acaba recorrendo ao mundo cão e ao imediatismo policial para tentar segurar os números.
Ainda assim, a avaliação interna e do mercado é que, tragédia por tragédia, chega uma hora em que o próprio telespectador pede intervalo. A insistência nessas doses tão elevadas não contribui para a construção de uma televisão comercialmente mais atrativa a longo prazo.
O Pesadelo do Horário Eleitoral e o “Rage Quit”
Como se não bastasse o desafio de equilibrar o conteúdo contra gigantes, o SBT e toda a TV aberta se preparam para um verdadeiro baque: o Horário Eleitoral Gratuito. O grande temor dos executivos é que a alta rejeição à política polarizada provoque um dano irreversível de audiência, fenômeno comparado ao “rage quit” dos videogames — quando o jogador abandona o jogo por raiva. O medo é que o público fuja para o streaming para escapar da propaganda e simplesmente não retorne.
Para o SBT, o cenário é classificado como crítico. O bloco de propaganda política exibido no início da noite atinge em cheio e de forma devastadora a faixa horária em que a emissora costuma iniciar a sua grande reação diária no Ibope. É exatamente nesse horário que o canal tradicionalmente toma o terceiro lugar da Band e engrena um crescimento sólido até alcançar a vice-liderança no fim da noite. Essa interrupção obrigatória ergue uma barreira perigosa em um momento bastante delicado para a rede, que tem sido a voz mais firme na defesa institucional da TV aberta.
O Respiro com Campanhas Institucionais
Tentando suavizar a imagem institucional e agregar valor à marca em meio ao noticiário pesado, o SBT também está investindo em conscientização social. Uma das novidades positivas na tela da emissora é o lançamento de uma forte campanha institucional contra o feminicídio. A iniciativa é um trabalho desenvolvido por Alê Souza e promete ser apenas o começo, já que o canal confirmou que existem outras campanhas de utilidade pública a caminho.




