A televisão brasileira está testemunhando, em tempo real, uma das maiores transformações de consumo de mídia de sua história. A hegemonia que antes era considerada absoluta e inquestionável pelas grandes emissoras de TV aberta está ruindo diante de um novo e poderoso inimigo: as plataformas de vídeo sob demanda. O FaroPop mergulhou nos dados mais recentes para mostrar como o controle remoto do brasileiro mudou de dono.
Um levantamento inédito e revelador, feito com base nos rigorosos números de audiência aferidos pelo Ibope e obtido com exclusividade pelo portal TV Pop com fontes do mercado, acendeu o sinal de alerta máximo nas diretorias das redes tradicionais. Os dados sinalizam de forma assustadora que os serviços de streaming já superam a performance da toda-poderosa TV Globo em mais da metade das capitais que compõem o cobiçado Painel Nacional de Televisão (PNT).
Table of Contents
O AVANÇO IMPLACÁVEL DO STREAMING PELO BRASIL
A pesquisa, que considerou os índices colhidos ao longo de todos os 30 dias do mês de junho, mostra um cenário de terra arrasada para as afiliadas da Globo em praças estratégicas do país. A líder de audiência deixou de ser a primeira escolha do público e foi derrotada pelas plataformas digitais em oito importantes capitais:
- Porto Alegre: Onde a programação é transmitida pela RBS TV, os streamings marcaram 12,1 pontos contra 10,8 da emissora aberta.
- Fortaleza: A TV Verdes Mares viu o streaming liderar com 10,8 contra os seus 9,8 pontos.
- Curitiba: A RPC foi superada, anotando 10,0 pontos contra 10,5 das plataformas sob demanda.
- Brasília: A filial da rede carioca no Distrito Federal marcou 9,4 contra 10,4 dos streamings.
- Vitória: A TV Gazeta registrou 8,2 pontos, perdendo feio para os 11,0 do streaming.
- Manaus: A Rede Amazônica ficou com 10,8 contra os 11,4 pontos das plataformas digitais.
- Florianópolis: A NSC TV fechou com 10,0 pontos, enquanto a soma do streaming chegou a 12,0.
- Campinas: A situação mais dramática para a Globo ocorre no interior paulista. A EPTV sofreu a maior desvantagem nacional, ficando impressionantes 2,3 pontos atrás das plataformas de conteúdo (12,2 a 9,9).
O levantamento também destaca um fenômeno regional fortíssimo: a região Sul do Brasil é a única do país onde os serviços de streaming possuem 100% de aproveitamento e invencibilidade em vitórias diretas contra a Globo nas capitais aferidas. Além disso, em praças complexas como Campinas e Florianópolis, os demais canais de TV aberta sequer conseguem superar o somatório de audiência da TV por assinatura.
A AGONIA SILENCIOSA DA TV POR ASSINATURA
Se a TV aberta chora, a TV paga agoniza. O levantamento de junho evidencia o enfraquecimento generalizado do modelo de televisão por assinatura, que sofre com a perda contínua de clientes.
Com cada vez menos assinantes pagantes, os canais fechados já acumulam índices deprimentes, registrando médias mensais inferiores a 1 ponto em Belém e nas três capitais pesquisadas na região Nordeste. O pior desempenho nacional da TV paga foi constatado em Recife, onde marcou mísero 0,5 ponto de média — um número tão baixo que sequer consegue bater a TV Tribuna, a afiliada local da Band na capital pernambucana. O único respiro do setor ocorreu no Rio de Janeiro, onde a TV por assinatura registrou sua melhor performance no país, com 3,3 pontos.
OS ALTOS E BAIXOS E A RESILIÊNCIA DA GLOBO NO PNT
Além de mostrar a guerra contra o streaming, a pesquisa detalha as melhores e piores praças das emissoras tradicionais, revelando uma forte oscilação de público:
- Globo: O Rio de Janeiro continua sendo a grande fortaleza da emissora, detentora da melhor audiência nacional da rede com imbatíveis 13,0 pontos de média. A lanterninha da Globo foi ocupada pela TV Gazeta, de Vitória, com 8,2 pontos.
- Record: Encontrou o seu oásis em Goiânia, onde registra seu maior ibope nacional (3,9 pontos), enquanto Belém se revelou a pior capital para a rede (1,4 ponto).
- SBT: Respira no topo do ranking graças aos 3,5 pontos da TV Jangadeiro, em Fortaleza. O pesadelo da rede acontece na VTV (Campinas) e na TV Norte (Pará), ambas com críticos 1,4 ponto.
- Band e RedeTV!: A Band registrou sua audiência mais alta em São Paulo (0,9 ponto) e a pior em Goiânia (0,2). A RedeTV! também teve seu melhor índice em São Paulo (0,3 ponto), marcando traço absoluto de audiência (0,0) em Belém, Goiânia e Salvador.
No balanço geral do Painel Nacional de Televisão (PNT), a guerra mostra números impressionantes e uma média nacional que aponta uma diferença de apenas 0,7 pontos separando o streaming da liderança absoluta no Ibope. A soma das plataformas de vídeo sob demanda já alcança a marca de 10,3 pontos de média nacional, colando no primeiro lugar.
Apesar dessa aproximação perigosa e de ter sido superada de forma contundente em diversos cenários regionais, cabe ressaltar a notável resiliência da Globo no cenário nacional. A emissora segue liderando o ranking do PNT com 11,0 pontos e se mantém como o grande pilar da TV aberta no país. Atrás dessa guerra de gigantes pela ponta, figuram bem mais distantes a Record (3,0), o SBT (2,3), a TV por assinatura (2,0), a Band (0,6) e a RedeTV! (0,2).
Cenário Sub-10 está se consolidando na TV brasileira.
A quebra da barreira dos 10 pontos na média mensal, antes restrita a canais menores ou a faixas horárias marginais, já atinge o centro da estratégia da TV linear brasileira:
- Globo no limite de um dígito: Como mostram os dados consolidados do Kantar Ibope compilados pelo TV Pop, a principal rede do país já opera abaixo dos 10 pontos de média mensal em capitais estratégicas como Vitória (8,2), Goiânia (8,5), Brasília (9,4), Fortaleza (9,8) e Campinas (9,9). No Painel Nacional de Televisão (PNT), a média da emissora fechou em 11,0 pontos, colada na linha divisória.
- Streaming assumindo a dianteira: O consumo sob demanda já ultrapassa a Globo em 8 das 15 praças aferidas no PNT (incluindo todas as capitais do Sul, Brasília, Manaus e Campinas), registrando médias que variam de 10,4 a 12,2 pontos.
- Esmagamento da concorrência direta: As concorrentes imediatas (Record e SBT) operam consistentemente na faixa de 1,4 a 3,9 pontos, disputando fatias cada vez menores do share linear.
- Colapso da TV Paga: O segmento por assinatura, que já chegou a ser uma força relevante na medição, opera com menos de 1,0 ponto no Nordeste e Belém, chegando ao piso de 0,5 ponto no Recife.
O movimento reflete uma fragmentação estrutural: a TV aberta passa a depender exclusivamente de eventos ao vivo (esporte, jornalismo factual e grandes coberturas) para sustentar picos de dois dígitos, enquanto o consumo linear contínuo se estabiliza em patamares historicamente baixos.





