O CLIMA INTERNO NO EXECUTIVO DA GLOBO: A QUEDA DOS GIGANTES
A emissora carioca está promovendo uma das maiores e mais sangrentas reestruturações de sua alta cúpula. O clima nos bastidores é de guerra declarada, a ponto de o evento ter ganhado o apelido interno de “Casamento Vermelho”, uma alusão direta ao brutal episódio da série Game of Thrones. O atual presidente do grupo, Paulo Marinho, foi o responsável por chancelar as saídas de executivos de altíssimo escalão que, até então, pareciam intocáveis na estrutura da empresa.
A primeira cabeça de peso a rolar foi a de Manuel Belmar, que atuava na prática como um vice-presidente, comandando áreas como produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura. Belmar virou o alvo principal do conselho após o gigantesco fracasso estratégico envolvendo a Copa do Mundo de 2026. Ao abrir mão da exclusividade absoluta do torneio para tentar reduzir custos operacionais, a Globo virou coadjuvante e entregou um espaço valioso de bandeja, permitindo a ascensão do SBT e da CazéTV.
Como se não bastasse o erro incalculável no esporte, a gestão de Belmar à frente do Globoplay foi o estopim para a sua queda. Apesar de o executivo ter anunciado um equilíbrio de contas no ano passado, os balanços mais recentes revelaram que o faturamento do streaming estagnou e a operação pode ter voltado ao vermelho. O grande culpado? Um acordo comercial desastroso fechado com a Claro. No negócio, a operadora passou a oferecer o Globoplay de graça aos seus assinantes; em troca, a Globo receberia um percentual das vendas de novas assinaturas domésticas de banda larga e pacotes de TV paga. O problema estrutural que Belmar ignorou é que o número de assinantes da Claro não está crescendo. Sem novos clientes na operadora, a receita da emissora também não aumenta, paralisando o crescimento do streaming de forma assustadora.
Table of Contents
O ERRO FATAL COM DANIELA LIMA E O TIRO NO PÉ DA GLOBONEWS
O massacre corporativo também atingiu Manuel Falcão, Diretor de Marca e Comunicação desde 2020. Falcão foi dispensado sob fortes críticas por excesso de gastos milionários com influenciadores digitais e pelo inegável desgaste na relação da emissora com a imprensa. Além disso, estudos e relatórios internos comprovaram que a “saúde” da marca Globo sofreu baques severos nos últimos anos, impulsionados pela emergência de uma forte legião de haters vindos de setores conservadores.
É exatamente no desespero para estancar essa crise de imagem que a emissora cometeu o seu maior suicídio editorial. O símbolo máximo dessa sucessão de decisões atabalhoadas foi a demissão da jornalista Daniela Lima em 2025. Contratada a peso de ouro após deixar a CNN Brasil, Daniela chegou como o grande nome da renovação da GloboNews. Com um perfil de voz mais moderada à esquerda, ela trazia na bagagem um trânsito invejável em Brasília, ostentando fontes diretas com ministros, políticos e autoridades do alto escalão.
O problema começou quando a direção da Globo encomendou uma pesquisa de perfil do público brasileiro e constatou que o público consumindo televisão estava se tornando cada vez mais conservador. Em uma tentativa desesperada de ceder e agradar a essa fatia da audiência, a cúpula decidiu rifar Daniela Lima. O erro estratégico foi colossal: ao tentar se moldar a um público conservador que, naturalmente, já possui uma forte rejeição histórica e orgânica contra a emissora, a GloboNews afastou o seu próprio telespectador fiel.
Sem o ritmo frenético, os furos de reportagem e a leitura de cenário afiada que Daniela imprimia, o canal de notícias perdeu o protagonismo em pleno ano eleitoral. A relevância derreteu a olhos vistos, levando o canal a amargar momentos humilhantes de traço na audiência e entregando a liderança do debate público de bandeja para a concorrência.
QUEM VENCE O JOGO DOS TRONOS DA TV?
Apesar de Manuel Falcão ter uma forte relação de amizade com Paulo Marinho, a demissão do diretor de comunicação escancara que o presidente da Globo sobrevive a essa disputa, mas sai dela politicamente muito enfraquecido. As ordens definitivas para o “Casamento Vermelho” vieram de cima, orquestradas diretamente pelo Conselho de Administração, que é comandado por Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho.
O conselho tomou essas atitudes drásticas baseado em relatórios demolidores produzidos por Carlos Henrique Schroder, ex-diretor-geral que voltou ao grupo com força total e assumiu a posição de grande arquiteto dessa guilhotina corporativa. A limpa não deve parar por aí e o mercado já especula que ainda deve atingir outros figurões da casa, como Pedro Garcia (responsável pelos direitos esportivos) e Paulo Tonet Camargo (vice-presidente de relações institucionais).




