A HUMILHAÇÃO HISTÓRICA DO JORNAL NACIONAL E A CRISE DE CONFIANÇA NO IBOPE
O mercado televisivo brasileiro acordou em estado de choque com os números preliminares de audiência divulgados neste final de semana. O Jornal Nacional, o principal, mais longevo e mais relevante telejornal do país, registrou no sábado (5) o que vem sendo classificado como uma humilhação sem precedentes na história da televisão aberta. Segundo a coleta prévia do Ibope, o instituto que detém o monopólio da aferição de performance televisiva no Brasil, o noticiário comandado na ocasião por Márcio Bonfim e Aline Midlej amargou o seu pior desempenho em impressionantes 57 anos de exibição.
Na Grande São Paulo, que é a principal praça referencial para os investimentos do mercado publicitário, o carro-chefe do jornalismo da Globo marcou apenas 11,00 pontos de média. Esse índice catastrófico equivale a uma sintonia de apenas 18,30% dos televisores ligados no horário. Para se ter uma ideia do tamanho do desastre, em seu pior momento, o jornalístico chegou a registrar míseros 9,99 pontos, caindo para a assustadora casa de um único dígito em pleno horário nobre. O pico de telespectadores, atingido apenas no primeiro minuto da edição, não passou de 12,66 pontos.
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O MASSACRE DO STREAMING E A FUGA INEXPLICÁVEL DE PÚBLICO
Os dados obtidos com fontes do mercado revelam uma realidade dura para a TV aberta: o Jornal Nacional foi literalmente soterrado pelas plataformas sob demanda. O conjunto de serviços de streaming pontuou estrondosos 20,35 pontos na faixa das 20h55 às 21h46, escancarando que o público da Globo simplesmente desligou da emissora e migrou para a internet.
A queda é tão brutal que os analistas a consideram praticamente incompreensível. Na comparação direta com os últimos quatro sábados, o principal telejornal do país viu 44% de seus telespectadores desaparecerem sem nenhuma explicação lógica ou condicional externa. Não houve nenhuma alteração na grade das emissoras concorrentes, os streamings não lançaram nenhum evento de potencial atípico e os canais por assinatura seguiram sua programação normal. No ranking geral da faixa, a TV por assinatura ficou como a terceira escolha do público, com 4,43 pontos, superando a Record, com 4,02, e o SBT, com 3,04.
REVOLTA NOS BASTIDORES: EXECUTIVOS EXIGEM RESPOSTAS DO IBOPE
A performance, considerada fora da realidade para um jornal de tamanha importância e alcance, chamou a atenção até mesmo de executivos da concorrência. A indignação com os números fornecidos pelo Ibope foi verbalizada por Murilo Fraga, diretor Artístico e de Programação do SBT, que ironizou abertamente a medição em suas redes sociais. “Aguardem um pedido de desculpas na terça-feira por parte do instituto. Ou já viram o principal telejornal do país dando 10 pontos em SP? É só 100% de margem de erro. Inacreditável!!!”, disparou o executivo.
A desconfiança de Fraga tem fundamento em um histórico recente de falhas. Nos últimos meses, o instituto já cometeu erros considerados grotescos na aferição de audiência de outras redes. O SBT já foi prejudicado por uma suposta “incapacidade técnica” do medidor em discernir áudios simultâneos, a Band viu seus índices despencarem de forma ilógica da noite para o dia, e a RedeTV! também já questionou os resultados entregues pela empresa.
O DILEMA DA TV ABERTA: FALHA GROTESCA OU FIM DE UMA ERA?
A situação coloca o Ibope em uma verdadeira sinuca de bico e em xeque com o mercado anunciante. Afinal, é muito difícil olhar para o número atribuído ao Jornal Nacional em um momento em que o Brasil vive dias de intensa movimentação política e São Paulo enfrenta os efeitos das chuvas — fatores que historicamente alavancam o consumo de notícias na televisão —, e achar que 11 pontos é um reflexo normal da sociedade.
O mercado agora aguarda a consolidação dos números na manhã de terça-feira (8). Se a medição estiver realmente errada, o Ibope será obrigado a explicar publicamente o fenômeno e tentar recuperar sua fiabilidade, que já se encontra em frangalhos junto às maiores redes de televisão. Contudo, se esses números se confirmarem como corretos, o problema deixa de ser do instituto e passa a ser existencial para a própria televisão aberta. Se um telejornal do tamanho do Jornal Nacional perde mais da metade de seu público para o streaming em um dia chuvoso e com pautas quentes, significa que as emissoras precisam repensar seriamente, e de forma urgente, todo o seu modelo de negócio e de jornalismo.





