O Facão da Globo, Caos no Jornalismo e o Retorno de Avenida Brasil
A TV Globo está vivendo uma semana de extremos absolutos. De um lado, a teledramaturgia acelera o passo para resgatar fenômenos do passado e garantir o faturamento no streaming; do outro, o departamento de jornalismo enfrenta uma das maiores desorganizações de sua história recente às vésperas de uma cobertura eleitoral decisiva. Entre tesouradas em novelas clássicas e incertezas em debates, os bastidores do canal carioca estão pegando fogo.
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A Tesoura do Cancelamento em Roque Santeiro
O departamento de programação da Globo decidiu não arriscar com a patrulha da internet. A reprise do histórico sucesso Roque Santeiro, que retorna à grade no dia 5 de outubro, vai passar por um verdadeiro abatedouro na ilha de edição. A emissora planeja limar nada menos que 69 capítulos da obra original de Dias Gomes e Aguinaldo Silva.
O facão da direção tem endereço certo: cortar tramas e passagens que a emissora avalia serem “antiquadas” ou inadequadas para os dias de hoje, o que inclui várias sequências da icônica boate Sexus, comandada pela personagem de Yoná Magalhães. Contudo, a Globo deixou uma carta na manga. Nos corredores da emissora, já se sabe que, se a audiência explodir — repetindo o fenômeno comercial que foi a reprise de Tieta —, a direção pode recuar, engavetar a tesoura e passar a exibir a novela praticamente na íntegra. É a tática de testar a temperatura do público antes de mergulhar de cabeça.
Caos na GloboNews e a Tensão no Grande Debate
Enquanto a dramaturgia corta o passado, o jornalismo sofre para organizar o presente. A GloboNews nunca esteve tão bagunçada e imprevisível. A megaoperação para a cobertura das eleições virou uma verdadeira gincana interna de desorganização. O noticiário GloboNews Mais, que havia sido anunciado com pompa e circunstância para ser transferido e transmitido do Rio de Janeiro, acabou ficando em São Paulo mesmo.
Para piorar o clima nos bastidores, a grade de programação especial para o domingo eleitoral já foi alterada quatro vezes em poucos dias, enlouquecendo a equipe técnica e, principalmente, os responsáveis pelas redes sociais, que precisaram refazer as artes de divulgação incansavelmente.
A cereja desse bolo de tensão está no grande debate da TV aberta, na própria Globo. O cenário é de expectativa máxima. Flávio Bolsonaro chegou a confirmar presença no embate de domingo, mas fontes fortíssimas de bastidores garantem que a participação ainda pode ser cancelada de última hora. A decisão final depende de um verdadeiro xadrez estratégico atrelado à confirmação de Lula e aos movimentos de Romeu Zema. A emissora trabalha com os planos A e B engatilhados, ciente de que tudo pode mudar em questão de segundos.
A Volta do Divino e o Sucesso de Cauã Reymond
Para aliviar a tensão do jornalismo, o clima é de euforia nos Estúdios Globo. A movimentação é intensa na cidade cenográfica para dar vida a Avenida Brasil 2. A emissora não está poupando esforços e já trabalha na atualização minuciosa de cenários icônicos que marcaram Bangu e Madureira, reconstruindo os detalhes do inesquecível bairro do Divino e da luxuosa mansão de Tufão (Murilo Benício).
O streaming também tem motivos para comemorar. O Globoplay segue colhendo os frutos de suas apostas. Cauã Reymond já tem reuniões agendadas para os próximos dias para bater o martelo sobre a segunda temporada da série Jogada de Risco. Como os resultados da primeira temporada seguem excelentes no catálogo, a Globo quer acelerar os processos para não perder o engajamento do público.





