O Vexame Histórico da TV Aberta: Globo Foge de Debate e É Esmagada Pela Internet
A Globo acaba de sofrer o maior nocaute de sua história em coberturas políticas. Faltando apenas três dias para o primeiro turno das eleições, a TV Globo jogou a toalha, cancelou o tradicional debate presidencial nos 45 minutos do segundo tempo e deixou o eleitor a ver navios. A emissora, que sempre teve o poder de ditar os rumos das campanhas e decidir eleições na reta final, foi engolida por uma guerra de liminares judiciais e pela força avassaladora da internet, que provou não precisar mais dos estúdios do Jardim Botânico para fazer barulho.
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Chuva de Liminares e a Fuga para a Novela
O que era para ser o ápice da corrida eleitoral virou um verdadeiro circo jurídico. A Globo se viu encurralada por uma enxurrada de decisões de última hora. O Supremo Tribunal Federal (STF), com Gilmar Mendes, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com Kassio Nunes Marques, forçaram a entrada de candidatos de partidos nanicos, como Renan Santos e Romeu Zema, no estúdio. Para piorar a dor de cabeça da direção, a ministra Stella Aranha atendeu a um pedido do PT e proibiu a emissora de deixar um púlpito vazio para Lula ou de permitir que os adversários fizessem perguntas direcionadas ao candidato ausente.
Com a desistência de Flávio Bolsonaro e o estúdio já montado esperando Ronaldo Caiado e Augusto Cury, a Globo entrou em pânico. Alegando “insegurança jurídica” e “interferência indevida na liberdade de imprensa”, a direção tomou a atitude que muitos críticos classificaram como covarde: cancelou tudo. Em vez do confronto de ideias, o público que sintonizou na emissora às 21h30 deu de cara com um capítulo inédito da novela Quem Ama Cuida.
A Crítica do Mercado e o Prejuízo do Eleitor
Nos bastidores e na imprensa especializada, a atitude da emissora e dos políticos foi duramente rechaçada. O colunista Flávio Ricco definiu a situação como uma verdadeira “bagunça” e o retrato de uma nova e triste era da política brasileira.
O debate, que sempre foi a arena onde o candidato sai do conforto da propaganda eleitoral e é obrigado a mostrar quem realmente é diante do contraditório, virou mera conveniência de campanha. Ao lavar as mãos e cancelar o encontro, a emissora ajudou a privar o eleitor de um dos poucos momentos cruciais para a comparação de propostas. Uma derrota amarga para a democracia televisiva que imperava desde 1989.
O Fenômeno do Flow: A Internet Humilha a TV
Mas a verdadeira humilhação da noite não foi a exibição de uma novela no lugar do debate, e sim o que acontecia simultaneamente no YouTube. Enquanto a Globo batia em retirada, o presidente Lula, que já havia recusado o convite da emissora, sentou-se na cadeira do Flow Podcast para uma entrevista de quase duas horas com Igor Coelho. Sem a concorrência da TV aberta, a internet engoliu a audiência.
Os números são assustadores para os diretores de TV: a live atingiu a marca histórica de 1,65 milhão de espectadores simultâneos, com uma média de 1,5 milhão ao longo da transmissão. Lula bateu o próprio recorde estabelecido no canal em 2022. Para se ter uma ideia do tamanho desse furacão, a transmissão não esportiva foi a mais vista do YouTube mundial na última semana, perdendo apenas para partidas de futebol de seleções. O recado está dado: a TV aberta perdeu o monopólio do debate público, e a internet agora é quem dá as cartas no Brasil.





