Escândalo nos bastidores: conversas vazadas com ex-banqueiro colocam CEO de impressos e digitais da Globo na corda bamba
A alta cúpula do Grupo Globo vive horas de forte tensão com a iminente e explosiva divulgação de mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre Frederic Kachar, CEO da Editora Globo, InfoGlobo e Globo Condé Nast, e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As revelações trazem à tona um emaranhado que envolve discussões sobre a linha editorial do conglomerado, negociações de vantagens pessoais e relatos de festas privadas exclusivas.
A gravidade do material exposto coloca o executivo diretamente no alvo do rigoroso departamento de compliance da emissora, que veda categoricamente o uso do cargo para obtenção de benefícios indevidos ou conflito de interesses.
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Ingerência editorial: reclamações sobre Malu Gaspar e promessa de intervenção
Entre os trechos mais delicados das conversas apreendidas na investigação policial estão as cobranças feitas pelo ex-banqueiro sobre a cobertura jornalística do jornal O Globo. Incomodado com reportagens publicadas pela colunista Malu Gaspar a respeito de processos por operações fraudulentas envolvendo o Banco Master, Vorcaro pressionou diretamente o diretor do conglomerado.
Nas mensagens, o empresário classificou as matérias como “sacanagem” e afirmou que a postura da colunista diminuía o jornalismo da empresa. Em vez de impor uma barreira institucional em defesa da independência da redação, o executivo adotou um tom apaziguador:
- Tentativa de apaziguar: Kachar justificou que o estilo da jornalista era “subjetivo” e que ela agia da mesma forma com outros alvos, classificando a insistência do amigo como “cansativa e desnecessária”.
- Promessa de conversa: Diante das queixas contínuas de Vorcaro, que alegava estar sendo pintado como membro de organização criminosa, o CEO afirmou diretamente ao ex-banqueiro: “Vou falar com ela”.
A postura de discutir o trabalho de uma das principais colunistas de política e economia do país com o próprio investigado acendeu o sinal vermelho dentro da cúpula de jornalismo da casa.
Festas ‘sem celular’, Baile da Vogue e comento sobre talentos da casa
Além do alinhamento editorial, o material da Polícia Federal detalha uma relação de intimidade que extrapolava os limites profissionais. Os diálogos mostram o executivo negociando convites para o disputado Baile da Vogue e relatando presença em festas privadas “sem risco e sem celular” promovidas pelo ex-banqueiro em hotéis de luxo em São Paulo.
As conversas revelam ainda bastidores e comentários inadequados envolvendo figuras públicas e contratadas do grupo:
Em tom informal, o executivo comentava sobre a presença de atrizes e apresentadoras em eventos da empresa, tecia considerações sobre a vida pessoal de contratadas e celebrava noitadas ao lado do empresário. Em um dos episódios, Kachar chega a chamar Vorcaro de “ídolo” e “mito” após o banqueiro relatar festas privadas com modelos estrangeiras enquanto mantinha familiares no quarto ao lado.
As mensagens registram ainda momentos em que Vorcaro pedia contatos de outros altos executivos da estrutura de investimentos do conglomerado, evidenciando o uso do acesso privilegiado fornecido pelo diretor.
Compliance acionado e desligamento iminente na alta cúpula
A reação interna na Globo foi imediata assim que o teor do material chegou ao conhecimento dos acionistas e da diretoria de governança. As diretrizes do código de ética da empresa são explícitas ao proibir que ocupantes de cargos de liderança utilizem sua posição para influenciar decisões em benefício próprio ou de terceiros.
A avaliação de bastidores indica que a permanência de Frederic Kachar no comando da Editora Globo e da InfoGlobo tornou-se insustentável. A emissora aguarda apenas a publicação formal das conversas por veículos de imprensa para confirmar o desligamento do gestor, buscando conter os danos à imagem de suas publicações e à credibilidade do seu jornalismo.



