A novela das nove da TV Globo continua provando a sua força não apenas com os mistérios envolvendo assassinatos e heranças milionárias, mas também com a sua imensa capacidade de gerar debates profundos na sociedade brasileira. Em “Quem Ama Cuida”, os autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto decidiram apostar em uma narrativa extremamente sensível e já estão colhendo os frutos do forte engajamento do público. A trama traz agora um novo e importante olhar sobre a homossexualidade na televisão, e a força das redes sociais já começou a influenciar diretamente os rumos que a história vai tomar nos próximos meses. O FaroPop acompanha de perto essa evolução e destrincha os bastidores desse núcleo que promete emocionar o Brasil.
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O FENÔMENO MALIPE E A DESCOBERTA DE MAU MAU NA NOVELA DA GLOBO
Muito antes de os personagens sequer terem a chance de se encontrar de forma mais íntima e romântica na tela, o público já havia escolhido os seus favoritos e iniciado uma torcida fervorosa por Mau Mau, interpretado com maestria por João Victor Gonçalves, e Felipe, vivido por Pietro Antonelli. Essa comoção virtual deu origem ao casal carinhosamente apelidado de “Malipe”, o que acabou obrigando os autores a atenderem aos apelos de quem aguardava ansiosamente por esse romance muito antes de ele acontecer de fato. No atual momento da história, o jovem Mau Mau demonstra um afeto visível e um grande encantamento pelo rapaz, enquanto Felipe, até aqui, age apenas como um excelente e atencioso amigo.
Esse comportamento de Mau Mau é profundamente motivado pelo complexo entendimento de sua própria sexualidade, pela admiração genuína diante da beleza do outro e, principalmente, por uma busca desesperada por aceitação. Até então, o jovem florista nunca havia tido a real possibilidade de ser quem ele verdadeiramente é longe da presença de sua irmã. No entanto, o acolhimento constante que recebe do filho de Fábia, personagem de Flávia Alessandra, faz com que ele comece a vislumbrar novas possibilidades para o seu coração, ainda que Felipe seja visto por todos os personagens como um homem hétero até o presente momento.
A REDE DE APOIO E O PESO DO PRECONCEITO FAMILIAR
A jornada de descoberta e amadurecimento do rapaz esbarra em um obstáculo doloroso e cruel dentro de sua própria casa: o conservadorismo cego e o preconceito. Os autores aproveitam de forma muito inteligente a atual configuração familiar do personagem para promover um debate que é pouco comum na ficção diária até os dias de hoje. Por um lado, o irmão de Adriana, vivida por Leticia Colin, conta com o apoio irrestrito e carinhoso da jovem para enfrentar os desafios do mundo. A mãe dos dois, Elisa, brilhantemente interpretada por Isabela Garcia, também manifesta constantemente o seu enorme apreço pelo filho. No entanto, a matriarca não tem coragem de bater de frente para combater a homofobia declarada e agressiva de Otoniel, personagem vivido pelo veterano Tony Ramos. O avô invalida o neto e diminui os seus sentimentos o tempo todo, criando um ambiente tóxico e desafiador.
O FATOR FERNANDO E OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS
Como se a confusão sentimental entre atenção e interesse genuíno por Felipe não bastasse, a trama introduz um contraponto fascinante através da aproximação com Fernando, interpretado por Pedro Alves. Ao contrário de Mau Mau, Fernando é um jovem completamente bem resolvido quanto à sua própria sexualidade. O neto de Diná, personagem de Rosi Campos, desfruta de uma liberdade imensa que o florista ainda não possui, o que acaba deixando o protagonista completamente acuado e intimidado diante de tanta segurança pessoal. Esse contraste gritante levanta questões urgentes para o público: se Otoniel já reage de forma péssima aos livros e hobbies do neto, do que o veterano seria capaz se o visse livre e assumido ao lado de um homossexual?
Com mais de cem capítulos ainda pela frente para serem exibidos na tela da emissora, “Quem Ama Cuida” tem fôlego e tempo de sobra para desenvolver com muita calma todos os intensos conflitos de Mau Mau. A novela promete jogar luz sobre uma das fases mais difíceis, solitárias e transformadoras para quem passa pela descoberta da própria homossexualidade: a do entendimento e das consequentes aceitação e luta incansável por respeito. Considerando o barulho e as investidas implacáveis dos espectadores nas redes sociais, o tão sonhado romance de Malipe tem tudo para acontecer de fato, o que acrescentaria outras camadas fascinantes à discussão sobre afeto e diversidade. Resta aguardar para ver se Fernando amparará o amigo nessa difícil jornada ou se o público ganhará um triângulo amoroso inesquecível.












