O DESESPERO PELA AUDIÊNCIA: A HUMILHAÇÃO DO PRIME VIDEO E O APELO AO BARRACO NA REDETV!
O mercado audiovisual brasileiro vive um momento de pura ebulição e, em alguns casos, de completo desespero. Na guerra implacável pela atenção do telespectador, gigantes do streaming e emissoras tradicionais da TV aberta estão tomando atitudes drásticas que escancaram a crise de planejamento nos bastidores. De um lado, vemos o vexame de plataformas bilionárias que não entendem o público local; do outro, a velha e conhecida aposta no puro “barraco” para tentar sair do traço de audiência.
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A CRISE DE IDENTIDADE E O VEXAME DO PRIME VIDEO
A Amazon, operando através de sua plataforma Prime Video, continua investindo pesado e segue em uma busca incansável por novos direitos esportivos no mercado. No entanto, a gigante do streaming comete um erro primário e fatal: parece estar preocupada exclusivamente em ter o direito de exibir os eventos, negligenciando completamente a necessidade de montar e apoiar uma boa equipe de transmissão.
A crise nos bastidores esportivos da plataforma escancara o perigo das chamadas “decisões de fora”. Executivos estrangeiros, que desconhecem a paixão e a cultura do futebol brasileiro, estão tomando medidas frias e equivocadas que vêm esvaziando o projeto. O maior exemplo dessa má gestão foi a plataforma abrir mão de nomes de peso histórico, entendendo que não deveria mais dispor dos serviços de narradores do calibre de Cléber Machado e Galvão Bueno. Essa decisão ignorou o fato de que a ausência dessas lendas diminuiria drasticamente o peso, a credibilidade e a importância de suas transmissões para o público brasileiro.
O fundo do poço para o departamento de esportes do Prime Video ocorreu recentemente, em um episódio classificado nos bastidores como uma verdadeira humilhação. Por absoluta necessidade e um completo desespero logístico, a plataforma precisou pedir o narrador Fernando Nardini emprestado da CazéTV. O vexame evidencia que, se a Amazon realmente pretende marcar o seu nome no Brasil, será imprescindível que as suas principais decisões passem a ser tomadas por quem vive, respira e conhece o nosso mercado, e não por escritórios distantes.
O FENÔMENO CAZÉTV E O DOMÍNIO NO YOUTUBE
Enquanto uma multinacional bilionária bate cabeça com sua equipe, o sucesso orgânico da internet segue atropelando as estruturas tradicionais. A própria CazéTV, que serviu de tábua de salvação para o Prime Video, consolidou-se mais uma vez como o canal esportivo mais visualizado no YouTube em todo o Brasil durante o mês de agosto.
Segundo um levantamento realizado pela Mídia do Esporte, o canal de Casimiro Miguel atingiu a estratosférica marca de mais de 368 milhões de visualizações em apenas um mês. Esse número colossal prova que o público brasileiro está ávido por transmissões com linguagem própria, carisma e conexão real. O ranking dos gigantes digitais no mês de agosto foi completado por nomes de peso, tendo GE TV, ESPN, TNT e Jovem Pan fechando a lista dos cinco canais mais acessados na plataforma de vídeos.
REDETV! E O RETORNO AO “TELEBARRACO”
Se no mundo digital a briga é por centenas de milhões de visualizações, na TV aberta a luta é para tentar pontuar no consolidado do Ibope. Diante de uma concorrência feroz e de uma grade que frequentemente flerta com o traço de audiência, a RedeTV! decidiu chutar o balde e voltar às suas raízes mais polêmicas: o sensacionalismo e a exploração de barracos reais.
A emissora de Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho está apostando alto em um novo formato batizado de “Vizinhos em Guerra”. A nova aposta da programação tem data e horário marcados para tentar roubar a atenção do público: a estreia acontecerá no dia 21, um domingo, no competitivo horário das 21h30. A atração será comandada pela apresentadora Katiúzia Rios.
Como o próprio título do programa já entrega de bandeja, não há espaço para sutilezas ou debates intelectuais. A ideia central do “Vizinhos em Guerra” é, pura e simplesmente, chamar confusão e exibir na tela os conflitos mais viscerais e absurdos que ocorrem nas vizinhanças do país. É uma cartada clássica da TV brasileira: quando o orçamento é curto e a audiência foge, o apelo ao embate popular e aos ânimos exaltados surge como a última e desesperada esperança de sobrevivência aos domingos.




