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FENÔMENO EM BRASÍLIA: Debate na Band atinge pico de 25 pontos e atropela concorrência

O mercado brasileiro de mídia vive um momento de contradições profundas. De um lado, a TV Bandeirantes provou a força do jornalismo ao vivo e dos grandes eventos ao alcançar números históricos de audiência em todo o país com o debate presidencial do segundo turno. Do outro, os indicadores consolidados do Ibope acenderam um sinal vermelho de emergência para as redes abertas: a migração do público para o streaming e redes sociais acelerou, enquanto canais menores apelam para táticas controversas para disfarçar crises operacionais e manter as contas no azul.

O contraste entre a consagração do canal do Morumbi e os vexames corporativos da concorrência expõe as transformações e as dores de adaptação do setor de comunicação.

  • FENÔMENO EM BRASÍLIA: Debate na Band atinge pico de 25 pontos e atropela concorrência

O fenômeno da Band: Recorde de 20 anos, ápice em Brasília e aclamação de Adriana Araújo

O primeiro embate televisivo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro colocou a Band no centro das atenções nacionais. O evento — realizado em pool com a TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e o jornal O Estado de S. Paulo — mobilizou mais de uma centena de profissionais e credenciou cerca de 150 jornalistas brasileiros e estrangeiros, gerando índices de audiência que o canal não registrava há duas décadas:

  • Recorde na Grande SP: A emissora alcançou um pico de 16,51 pontos, garantindo a liderança isolada e o posto de programa mais visto da televisão paulista na noite de domingo.
  • Explosão em Brasília e reação no Rio: Na capital federal, o confronto registrou um pico impressionante de 25,06 pontos, tornando a Band o segundo veículo mais assistido ao longo de todo o dia. No Rio de Janeiro, o canal desbancou a concorrência e fechou a média de 24 horas na terceira colocação.
  • Aclamação da ancoragem: A jornalista Adriana Araújo foi o grande destaque do evento. Elogiada pela condução firme, elegante e serena em meio ao clima bélico do estúdio, Adriana consolidou-se como a principal âncora do jornalismo de bancada do país.

O ‘flop’ do formato: Guerra de torcidas e fábrica de cortes para o TikTok

Se os números do Ibope e a condução da ancoragem foram impecáveis, o formato do debate virou alvo de ácidas críticas no mercado. Ao permitir que os candidatos ficassem totalmente livres, sem temas sorteados ou eixos programáticos rígidos, a transmissão acabou convertida em uma versão política de programas de barraco de auditório:

“As assessorias e acompanhantes dos dois lados tiveram um comportamento pior do que torcidas organizadas de futebol misturadas nas arquibancadas”, revelaram bastidores do evento.

A postura de Flávio Bolsonaro de andar pelo palco e posicionar-se estrategicamente atrás de Lula foi uma tática ensaiada previamente com o marqueteiro Duda Lima. O objetivo era único: produzir imagens desconfortáveis para gerar “cortes” descontextualizados para o TikTok e Instagram. Além disso, a ausência de checagem de fatos ao vivo e a falta de rigor para cobrar propostas concretas escancararam que o modelo tradicional de debate na TV aberta precisa ser urgentemente atualizado.

A sangria da TV linear: Consumo aberto cai para 54% com avanço do TikTok e YouTube

Apesar do pico momentâneo gerado pelo debate da Band, o cenário macro do mercado de comunicação exige cautela. Os dados do Ibope referentes a setembro de 2026 mostram que o consumo de vídeo online atingiu a marca histórica de 38,2% de participação, enquanto a TV linear recuou para 61,8% — com a TV aberta caindo isoladamente para 54%:

  • TikTok em ritmo acelerado: A rede de vídeos curtos alcançou 5,5% do consumo total de vídeo no Brasil, marcando seu recorde no ano.
  • Liderança do YouTube e Netflix: O YouTube avançou para 22,2% de fatia de mercado, enquanto a Netflix subiu para 6,1%.
  • O desafio da distribuição: Os números provam que o público continua consumindo vídeo massivamente, mas pulverizou sua atenção. Para sobreviver, as emissoras abertas precisam integrar seus conteúdos ao vivo a uma estratégia digital multiplataforma que estenda a conversa para além da tela da sala.

Vexames no setor: ‘Gabinete do ódio’ na XSports e gol perdido na RedeTV!

A busca por cortes de despesas e faturamento a qualquer preço resultou em episódios embaraçosos nas redes secundárias nas últimas horas:

  • Coação a funcionários na XSports: Pressionada pela repercussão dos atrasos salariais, a diretoria do canal esportivo montou um “gabinete do ódio” interno. Um executivo da alta gestão coagiu colaboradores que receberam seus pagamentos a usarem perfis antigos e desativados para enviar mensagens em massa para colunas especializadas defendendo a empresa. A emissora só concluiu a quitação dos salários atrasados na tarde de segunda-feira (19), após ameaça real de paralisação.
  • Gafe histórica na RedeTV!: Refém da venda de horários para concessionários, a RedeTV! protagonizou uma cena inacreditável no domingo. Nos acréscimos do jogo da Série B entre Vila Nova e Novorizontino, a emissora dividiu a tela para exibir o sorteio “Sonho da Sorte” e cortou o áudio da transmissão. Com a bola rolando sem narração, o Novorizontino marcou o gol de empate, e o telespectador ficou sem entender o lance.

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Jornalista de entretenimento há 20 anos. Especialista em TV brasileira, reality shows e cultura pop. 

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