Em meio a um cenário de vacas magras e ordem expressa de “proibido gastar” nos bastidores do Complexo da Anhanguera, o SBT encontrou um respiro inesperado na programação vespertina de sábado. A estreia do Sabadão de Todos, comandado por Renato Ambrósio, surpreendeu a cúpula do canal ao registrar a maior audiência das tardes da emissora no Painel Nacional de Televisão (PNT). Contudo, o sucesso numérico veio acompanhado de um amargo questionamento crítico: até quando a televisão aberta conseguirá sobreviver requentando fórmulas dos anos 1990 e 2000 sem apresentar absolutamente nada de novo ao público?
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O fenômeno nas métricas: Liderança vespertina no PNT
Para uma emissora que acumula médias modestas ao longo de toda a sua grade, os números de estreia de Renato Ambrósio foram considerados uma verdadeira “curva fora do gráfico”:
- Liderança da tarde: O Sabadão de Todos cravou 1,82 ponto de média no PNT, garantindo o posto de atração mais vista da faixa vespertina do SBT.
- Superando a concorrência interna: A atração de Ambrósio deixou para trás produções da própria casa, como a Sessão +SBT Show (1,52 ponto) e o combalido Eita Lucas! (1,47 ponto).
- Acima da média geral: O programa teve uma performance superior inclusive ao acumulado de 24 horas da rede, que fechou o dia registrando 1,44 ponto.
Naftalina no ar: ‘Um Dia de Princesa’ e ‘Construindo um Sonho’ ressuscitam na tela
O trunfo para conquistar esses índices, no entanto, passou longe do ineditismo. Para garantir o envolvimento do telespectador, a produção do Sabadão de Todos apostou na reciclagem escancarada de dois clássicos históricos da memória afetiva do SBT:
- Um Dia de Princesa: Quadro eternizado por Netinho de Paula no começo dos anos 2000.
- Construindo um Sonho: Formato de transformação de moradias consagrado por Gugu Liberato e Celso Portiolli.
Se por um lado o resgate do melodrama assistencialista prova que o público do SBT ainda consome histórias de superação com forte carga emocional, por outro escancara uma crise criativa profunda. Recorrer à naftalina virou a única alternativa em uma rede onde a diretoria proibiu novos custos e vetou contratações, forçando apresentadores e diretores a trabalharem exclusivamente com o que já existe no acervo.
Resta saber se o apetite da audiência por conteúdos requentados resistirá ao longo das próximas semanas ou se o Sabadão de Todos sofrerá o mesmo desgaste acelerado de outras apostas recentes da casa.




